06 Abril 2008

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA VAI REVER NOVO REGULAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS

Ministério da Justiça (MJ) anunciou hoje que vai rever o novo Regulamento das Custas Processuais no que respeita aos processos de adopção que, a partir de Setembro, ao abrigo da nova lei, implicariam um pagamento inicial de 576 euros.
"O Ministério da Justiça não quer que subsistam dúvidas: os encargos dos processos judiciais não devem constituir obstáculo à adopção de uma criança", refere numa nota enviada à Agência Lusa.Numa curta nota, o MJ refere que vai rever a solução que estava prevista para Setembro e adianta que "o sistema de justiça também quer dar o seu contributo em matéria de adopção", embora sem explicitar qual será o sentido da revisão.
Segundo a nova lei, a partir de Setembro, quem iniciasse um processo judicial para adoptar uma criança teria de avançar com 576 euros relativos a custas judiciais que até agora não existiam, disse à Lusa um juiz de um tribunal de família.
O novo Regulamento das Custas Processuais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 34/2008, de 26 de Fevereiro, determina que a partir de 1 de Setembro de 2008 estes processos deixam de beneficiar de isenção de custas.
A nova lei indica que terá de ser pago um valor inicial de 576 euros que poderá ser devolvido no final do processo depois de transitar em julgado.
Este valor, que correspondente a seis unidades de conta (a 96 euros cada), poderá ser devolvido na íntegra ou apenas uma parte, dependendo dos encargos do processo.
Inicialmente o Ministério da Justiça questionado pela Lusa sobre esta medida legislativa explicou "que a razão pela qual não se previu uma isenção, de início, prende-se com a excessiva litigiosidade neste campo do direito e com a necessidade de acautelar uma certa contenção no recurso ao tribunal".
"Assim, a parte deverá logo pagar a taxa de justiça, mas esta será deduzida de quaisquer outros pagamentos que sejam devidos (realização de diligências especiais, passagem de fotocópias, etc.)", explica o ministério adiantando que caso não haja encargos, os montantes pagos são devolvidos à parte.
O Ministério da Justiça referiu ainda na altura que o novo regulamento prevê uma isenção de taxa de justiça para todos os processos de jurisdição voluntária no âmbito do direito da família, sendo apenas devido o pagamento dos encargos.
Lusa/fim

24 Fevereiro 2008

Restauração: Profissionais procuram associação de consumidores para "legalizarem" o "couvert"

A Associação da Restauração e Similares de Portugal (ARESP) iniciou conversações com a Associação Portuguesa de Direito do Consumo (APDC) para definirem como os restaurantes terão de cumprir a lei no pagamento do "couvert", foi hoje anunciado.
Mário Frota, presidente da APDC, adiantou à Agência Lusa que aquela associação de profissionais do sector o contactou para uma reunião de direcções no sentido de ser encontrada uma plataforma de "adequação das práticas ao direito vigente".
O contacto da ARESP surge na sequência de um comunicado emanado da APDC na passada terça-feira, no qual alertava que qualquer consumidor poderá recusar pagar o "couvert" que nos restaurantes habitualmente impõem, e se o dono o exigir poderá incorrer em crime de especulação.
Numa reunião prevista para os próximos dias, em função das agendas de cada instituição, será analisada a lei para definir o conjunto de orientações e directrizes que a AREST fará chegar às empresas de restauração.
Segundo a APDC, se num restaurante lhe colocarem a "entrada" sem o cliente a pedir, em circunstância alguma a terá de pagar. Como lhe foi apresentada sem a pedir poderá consumi-la e não a pagar, porque a lei a tal não obriga.
No comunicado de terça-feira, a organização referia que "o consumidor não fica obrigado ao pagamento de bens ou serviços que não tenha prévia e expressamente encomendado ou solicitado, ou que não constitua cumprimento de contrato válido, não lhe cabendo, do mesmo modo, o encargo da sua devolução ou compensação, nem a responsabilidade pelo risco de perecimento ou deterioração da coisa".
Neste domínio - acrescenta a nota - "não são os usos comerciais que fazem lei. É a lei expressa que tem de ser observada com todo o rigor. A aposição dos acepipes na mesa - sem prévia solicitação - pode configurar um ilícito", ao abrigo do o n.º 4 do art.º 9.º da LDC - Lei de Defesa do Consumidor.
Segundo a Associação Portuguesa de Direito do Consumo, o DL 143/2001, de 26 de Abril, corrobora esse entendimento no seu artigo 29, ao consagrar que "é proibido o fornecimento ou a prestação de serviços ao consumidor que incluam um pedido de pagamento, sem que este os tenha previamente encomendado".
"O destinatário de bens ou de serviços recebidos sem que por ele tenham sido encomendados ou solicitados, ou que não constituam o cumprimento de qualquer contrato válido, não fica obrigado à sua devolução ou pagamento, podendo conservá-los a título gratuito", referia a APDC, ao sublinhar que a "ausência de resposta do destinatário não vale como consentimento".
Qualquer empresário de restauração que não respeite estes preceitos legais incorre no pagamento de coimas que, nos casos de sociedades mercantis, oscilam entre 3.500 e 35 mil euros, além de eventuais penas acessórias, acrescentava.
A Lei Penal do Consumo (art.º 35 do DL 28/84, de 20 de Janeiro) tem também solução para os autores de tais ilegalidades, prevendo uma pena de prisão de 6 meses a 3 anos, e multa não inferior a 100 dias, pelo crime de especulação, afirmava.

27 Dezembro 2007

NOVO REGIME DOS EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS

O Governo aprovou hoje o novo regime dos empreendimentos turísticos, prevendo uma redução em 40 por cento do prazo para a classificação definitiva das unidades hoteleiras e uma revisão de quatro em quatro anos dessa mesma classificação.Falando no final do Conselho de Ministros, o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, afirmou que o diploma “completa um ciclo de reforma legislativa” do seu sector, depois da adopção dos novos regimes jurídicos para a restauração e bebidas e para as agências de viagens.“Tal como o presente decreto, todas as medidas legislativas adoptadas pelo Governo visaram menos burocracia, facilitação do acesso à actividade turística, maior responsabilidade dos promotores e técnicos responsáveis de projectos e garantia de maior fiscalização por parte das entidades competentes”, disse.De acordo com o secretário de Estado, o novo regime sobre empreendimentos turísticos pretende concentrar num único diploma matéria dispersa por nove diplomas e “simplificar a classificação dos empreendimentos, passando de 21 para 11 categorias”.Classificação de empreendimentos vai ser revista cada quatro anos“Haverá também uma revisão periódica da classificação atribuída a cada empreendimento. Ou seja, uma unidade hoteleira deixa de ter uma classificação para sempre, passando a ser um processo dinâmico revisto de quatro em quatro anos”, apontou Bernardo Trindade.Esta última medida, frisou o secretário de Estado, “destina-se a garantir a qualidade dos empreendimentos turísticos”.“Com estas alterações consegue-se uma redução de prazos na ordem dos 40 por cento. A lei prevê actualmente 485 dias desde o pedido de informação prévia até à classificação definitiva, incluindo obra. O prazo passa agora para 270 dias, o que representa uma redução significativa”, sustentou Bernardo Trindade.

13 Dezembro 2007

MOMENTO HISTÓRICO

Foi assinado o Tratado de Lisboa, numa cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos. O presidente em exercício da UE, José Sócrates, manifestou-se confiante, acreditando que o documento permitirá "finalmente" à Europa vencer o seu impasse político e institucional e lançar-se num novo momento da aventura europeia.
Com o Tratado de Lisboa, segundo Sócrates, "a Europa vence, finalmente, o impasse político e institucional que limitou a sua capacidade de acção nos últimos anos". No seu discurso, o primeiro-ministro português considerou ainda que o Tratado de Lisboa definirá "uma nova arquitectura institucional", através da introdução de um "novo presidente permanente do Conselho Europeu, do alto representante para a política externa e de defesa, uma nova composição da Comissão e o reforço da sua legitimidade democrática", e na adopção de um "novo sistema de ponderação de votos no Conselho". "Quero que saibam que é uma honra para o meu País que seja justamente aqui, no mesmo local, que assinamos um novo Tratado para o futuro da Europa. E honra ainda maior que esse Tratado receba o nome de Lisboa, cidade onde os 27 Estados-membros selaram o seu acordo", frisou ainda o primeiro-ministro.
O novo Tratado Europeu, cuja redacção final foi dirigida pela actual presidência portuguesa da UE e aprovado na madrugada de 19 de Outubro último, em Lisboa, pelos líderes dos 27 Estados membros, vai substituir a fracassada Constituição Europeia, que foi inviabilizada, em 2005, pelos referendos negativos ao documento em França e na Holanda. No preâmbulo do novo Tratado, sublinha-se, nomeadamente, que o documento tem por objectivo "completar o processo lançado pelo Tratado de Amesterdão e pelo Tratado de Nice [actualmente em vigor], no sentido de reforçar a eficiência e a legitimidade democrática da União, e bem assim a coerência da sua acção". O compromisso político sobre "as grandes linhas" do texto da nova "Lei Fundamental" dos 27 foi alcançado na madrugada de 23 de Junho último, em Bruxelas, no final da presidência alemã da UE, quando os chefes de Estado e de Governo da União chegaram a acordo sobre o mandato a dar à presidência portuguesa da UE, em exercício até ao fim do ano, para a elaboração do documento final. As alterações relativamente ao anterior projecto de Tratado Constitucional (ou Constituição Europeia) não são muitas e a maior parte tem um valor sobretudo simbólico, como o abandono da referência a um hino e à bandeira da União Europeia, e a denominação do responsável pela Política Externa Comum da UE, que deixa de se chamar "ministro dos Negócios Estrangeiros", passando a ser designado por "Alto Representante".
in Sic Online

14 Novembro 2007

ASAE:NENHUM PROCESSO-CRIME JULGADO

Ainda não foi julgado nenhum dos quatro mil processos-crime levantados pela ASAE sobre material falsificado, apesar daquela polícia já ter detido 600 pessoas, revelou hoje o inspector-geral daquele organismo.
A inexistência de um único processo julgado desde a criação da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), levou o responsável daquela polícia a pedir uma audiência ao procurador-geral da República.
Em declarações à agência Lusa no final da reunião que se realizou hoje na procuradoria, o Inspector-Geral da ASAE, António Nunes, disse estar «preocupado» com o elevado número de processos relativos à apreensão do material contrafeito, nomeadamente «CD, DVD e marcas».
«Há muitos processos a correr e falei com o Procurador no sentido de poderem ser mais abreviados em termos de perícia do material», revelou, acrescentando que a ASAE é responsável por cerca de «quatro mil processos-crime».
Apesar de considerar que os prazos processuais são «normais», António Nunes sublinhou que «até hoje, depois de 18 meses de existência da ASAE, ainda nenhum processo foi julgado».
«Esta é uma matéria que merece atenção, porque não quero que amanhã me estejam a perguntar sobre os processos que não foram resolvidos», afirmou António Nunes, que admitiu temer que o «elevado volume de processos não tenham seguimento».
As investigações levadas a cabo por aquela polícia resultaram na detenção de 410 pessoas este ano e 190 no ano passado, situação que António Nunes diz representar «grande volume de instrução processual».
De acordo com o assessor da ASAE, os detidos foram identificados e notificados para se apresentarem ao juiz da sua comarca, depois «alguns processos mais sumários foram resolvidos no momento enquanto os outros precisam ainda de proceder à instrução, procedimento que demora alguns meses».
in Diário Digital / Lusa

20 Outubro 2007

TRATADO DE LISBOA

"Nasceu hoje o novo Tratado de Lisboa. Esta é uma vitória da Europa". Foi com esta declaração que o Presidente do Conselho da União Europeia, José Sócrates anunciou o acordo dos líderes europeus sobre o novo Tratado reformador. José Sócrates revelou ainda durante a Conferência de Imprensa que fechou o primeiro dia da Cimeira Informal de Lisboa, que o Tratado reformador da UE será formalmente assinado no dia 13 de Dezembro, em Lisboa. Para o Presidente em exercício do Conselho da UE este acordo sobre o novo Tratado permite à Europa "vencer um impasse de muitos anos e vencer a sua crise institucional, dando assim um importante passo para a sua afirmação". “Com este acordo e com o novo Tratado, a Europa mostra que o projecto europeu está em desenvolvimento”, sublinhou José Sócrates, frisando que a partir de hoje a Europa pode olhar com confiança para o seu futuro"."A presidência portuguesa cumpriu o seu plano: discutir e aprovar o Tratado na quinta-feira e na sexta-feira começar a discutir os assuntos importantes para o futuro da UE", declarou José Sócrates. O Presidente do Conselho da UE fez ainda questão de agradecer publicamente ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, o apoio dado à presidência ao longo do processo para a conclusão do Tratado.Durante a Conferência de Imprensa, José Manuel Barroso revelou estar “extremamente feliz” com o acordo dos 27 países da UE. “É verdade que durante a presidência alemã se deram grandes passos, mas foi com a determinação e competência da Presidência Portuguesa que chegámos a este acordo histórico”, disse o Presidente da Comissão. Segundo Barroso, com o Tratado reformador a Europa sai mais forte para assumir o seu papel no mundo e resolver os problemas da economia e dos seus cidadãos".
in www.eu2007.pt

11 Outubro 2007

DÉFICE PÚBLICO INFERIOR AO PREVISTO

O primeiro-ministro anunciou hoje que o défice público português se vai cifrar, já este ano, em três por cento do PIB. Portugal volta assim, ao fim de dois anos, a cumprir as regras orçamentais europeias definidas no Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Em 2005, quando o défice ultrapassou a barreira dos seis por cento, o Governo comprometeu-se junto das autoridades europeias a corrigir a situação de défice excessivo no espaço de três anos. Com este anúncio, o primeiro-ministro confirma que deverá conseguir antecipar este objectivo em um ano. O "brilharete" do Governo deverá ser garantido graças ao desempenho mais positivo do que o previsto das receitas fiscais. De acordo com o boletim de execução do subsector Estado, a arrecadação de impostos cresceu, até ao final do mês de Agosto, a uma taxa de oito por cento, enquanto no OE se antevê uma variação de 6,6 por cento. Ao nível da despesa, enquanto no investimento se registam cortes significativos, os custos com pessoal continuam a estar acima do orçamentado.Apesar da descida do défice para 3 por cento este ano, José Sócrates revelou que o objectivo para 2008 irá manter-se nos 2,4 por cento. A proposta de OE para o próximo ano será entregue amanhã na Assembleia da República

05 Outubro 2007

VIVA A REPÚBLICA!!

A Proclamação da República Portuguesa foi o resultado da Revolução de 5 de Outubro de 1910 que naquela data pôs termo à monarquia em Portugal.O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Repúblicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida. Aumentando a contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, fora aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.Elias Garcia, Manuel Arriaga, Magalhães Lima, tal com o operário Agostinho da Silva, foram personagens importantes dos comícios de propaganda republicana, em 1880.O terceiro centenário da morte de Camões, foi comemorado com actos significativos — como o cortejo cívico que percorreu as ruas de Lisboa, no meio de grande entusiasmo popular e, também, a translaçdação dos restos mortais de Camões e Vasco da Gama para o Panteão Nacional. As luminárias e o ar de festa nacional que caracterizaram essas comemorações complementaram esse quadro de exaltação patriótica. Partira a ideia das comemorações camoneanas da Sociedade de geografia de Lisboa, mas a execução coube a uma comissão de representantes da Imprensa de Lisboa, constituída pelo Visconde de Jorumanha, por Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Batalha Reis, Magalhães Lima e Pinheiro Chagas. E o Partido Republicano, ao qual pertenciam as figuras mais representativas da Comissão Executiva das comemorações do tricentenário camoneano, ganhou grande popularidade.Durante o breve reinado de D.ManuelIII— que ascendeu ao trono logo após o atentado a D. Carlos, donde resultou também a morte do seu filho herdeiro Luís Filipe-, o movimento Repúblicano acentuou-se, chegando mesmo a ridicularizar a monarquia. A 5 de Outubro de 1910 estalou a revolta republicana que já se avizinhava no contexto da instabilidade política. Embora muitos envolvidos tenham-se esquivado à participação — chegando mesmo a parecer que a revolta tinha falhado — foi também graças à incapacidade de resposta do Governo em reunir tropas que dominassem os cerca de duzentos revolucionários que resistiam de armas na mão. Comandava as forças monárquicas, em Lisboa, o General Manuel Rafael Gorjão Henriques, que se viu impotente para impedir a progressão das forças comandadas por Machado Santos. Com a adesão de alguns navios de guerra, o Governo rendia-se, os republicanos proclamavam a República, e D. Manuel II era exilado.
in wikipedia

30 Setembro 2007

"LEASING" AUTOMÓVEL CRESCE ENTRE PARTICULARES

Recorrer ao leasing para financiar a compra de um automóvel novo é uma prática em crescimento em Portugal, especialmente entre os particulares. Apesar de a locação financeira ser uma forma de financiamento preferencialmente destinada às empresas, o facto é que o leasing é um produto cada vez mais atractivo para os particulares. De acordo com os dados da Associação Portuguesa de Leasing e Factoring (ALF), no primeiro semestre de 2007 foram adquiridas 29 mil viaturas em leasing, das quais 20 mil foram requisitadas por empresas e cerca de 8800 contratadas por particulares."O leasing tem vindo a apresentar bons níveis de crescimento e já é um produto muito procurado por particulares", afirmou ao DN o presidente da ALF, Beja Amaro.Com efeito, no primeiro semestre deste ano, a produção da locação financeira atingiu os 12,8 mil milhões de euros, tendo crescido 12% no sector mobiliário, em termos homólogos, e 36% no imobiliário.Com vantagens do ponto de vista do risco (o bem adquirido pertence à empresa, enquanto o cliente não pagar todas as rendas), o leasing consegue ainda dar uma resposta rápida a um pedido de financiamento. Além disso, como explica Beja Amaro, esta actividade em Portugal já atingiu um elevado nível de especialização, sendo um dos dez países europeus onde a actividade tem maior peso na economia. "As empresas de leasing em Portugal são muito boas, especializaram-se muito e crescem mais do que no resto da Europa", revela o presidente da ALF.Na área do leasing imobiliário, o crescimento têm sido mais acentuados. "Neste momento, as empresas de locação financeira estão a alcançar os fundos imobiliários, ou seja, já estamos entre os principais proprietários de imobiliário no País", referiu aquele responsável.A vantagem do recurso ao leasing imobiliário para financiar a compra de escritórios, lojas e armazéns está nos prazos mais alargados praticados, que podem chegar aos 20 anos.A ALF agrega igualmente as empresas de factoring, uma forma de crédito especializado que antecipa o pagamento da facturação de uma empresa sobre os seus devedores. No primeiro semestre deste ano, esta actividade registou um crescimento de 6,3% na sua produção, face ao período homólogo de 2006. Como explica Beja Amaro, o factoring cresce mais em alturas de crise económica, com as empresas a optarem por entregar a uma factor a recuperação da facturação atrasada, em especial quando o devedor é o Estado. Curiosamente, " o Estado já não está tão mau pagador como nos últimos anos", refere. Daí o aumento mais moderado.Este responsável adianta ainda que "as autarquias estão a investir menos e a pagar melhor". No que respeita aos créditos tomados pelo factoring, no total de 9,6 mil milhões de euros, 3,6 milhões têm origem no sector público e entidades privadas, com as autarquias a corresponderem a 34% do total do primeiro sector.
in DN

11 Setembro 2007

GUTERRES DEFENDE A HARMONIZAÇÃO DAS POLÍTICAS DE IMIGRAÇÃO NA UE

O alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, defendeu ontem, em Lisboa, a harmonização das políticas de imigração nos países da União Europeia, sublinhando a necessidade de existir um número significativo de oportunidades de legalização. "A harmonização de políticas é essencial para gerir os fluxos", afirmou António Guterres, em declarações à margem da conferência dos presidentes das comissões parlamentares de Justiça e Assuntos Internos dos parlamentos da União Europeia, que decorreu na Assembleia da República. Recordando que existem cada vez "mais e mais fluxos de imigrantes refugiados", o ex-primeiro-ministro português defendeu igualmente a existência de um "número significativo de oportunidades legais de imigração". "Os mercados funcionam: legalmente quando é possível, ilegalmente quando é necessário", sublinhou António Guterres. Por isso, acrescentou o ex-líder do PS, "se não houver um número significativo de oportunidades legais criam-se condições para fazer com que os traficantes possam fazer fortuna à custa da desgraça alheia". Já o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, rejeitou a definição de uma política comum de regularização generalizada de imigrante ilegais na UE , considerando que iria pôr em causa a viabilidade de uma "política sustentada de imigração legal". Rui Pereira assumiu que "a presidência portuguesa da UE não favorece uma política comum de regularização generalizada, indiscriminada e incondicional". Caso os estados membros da União Europeia avançassem para a definição de uma política de regularização comum, acrescentou o ministro, isso iria pôr em causa "a viabilidade de uma política sustentada de imigração legal". Segundo o governante português, "a curto prazo não há condições para a definição de uma política de regularização comum, mas estamos em condições de aprovar princípios que sirvam de orientação a uma política de imigração europeia". Rui Pereira assegurou, igualmente, que Portugal está "fortemente empenhado em fazer avançar a construção de uma política comum da União Europeia em matéria de migração económica", apesar de reconhecer que "não há soluções absolutas e definitivas para o fenómeno da imigração".

in DN/LUSA

19 Julho 2007

APROVADO NOVO REGIMENTO DA A.R

O novo Regimento da Assembleia da República, que estabelece a maioria das regras de funcionamento do Parlamento, foi hoje aprovado por PS, PCP, CDS-PP, BE e Verdes, com a abstenção do PSD.
Vinte e três deputados do PSD anunciaram que apresentarão declarações de voto em relação à votação do Regimento, um dos diplomas que compõem a reforma do Parlamento hoje aprovados e que entrarão em vigor a 01 de Setembro.
in Diário Digital / Lusa

08 Julho 2007

ERROS GRAVES NOS EXAMES DE AGREGAÇÃO À ADVOCACIA

Depois dos alunos do 12.º ano, chegou a vez dos advogados-estagiários denunciarem erros de forma e conteúdo na prova nacional de Prática Processual Penal. Para além dos erros ortográficos e de sintaxe "de palmatória", os candidatos a advogados queixam-se da abordagem "ininteligível" dos factos destinados à análise. Por isso, exigem a anulação da prova e a sua repetição. A Ordem dos Advogados (OA) reconhece apenas os erros gramaticais e assegura que serão tidos em conta aquando da correcção. Pouco depois da prova escrita nacional de agregação em Prática Processual Penal ter sido distribuída, na tarde de 30 de Junho último, gerou-se um burburinho em todas as salas de exame, onde mais de 500 agregantes prestavam provas de acesso à profissão. Os erros ortográficos e de sintaxe - uma "vergonha inadmissível num exame de advogados estagiários", como disse ao JN um dos queixosos - tornavam a prova de difícil compreensão.Para além disso, o próprio conteúdo do teste gerou indignação e nervosismo entre os examinandos. O enunciado reportava-se a duas situações com relevância criminal uma de ofensa à integridade física e outra de furto. Para os estagiários, ambas as situações estavam tratadas de "forma incompleta e imprecisa".Nas salas de exame, os vigilantes eram constantemente chamados para explicar aquilo que, na realidade, era pretendido. A "abordagem dos factos, que mistura e confunde duas situações, não permite o correcto enquadramento processual das questões colocadas, dificultando, consequentemente, a percepção necessária ao seu tratamento jurídico", alegam cerca de 60 examinandos num abaixo-assinado dirigido ao bastonário e à Comissão Nacional de Formação da Ordem dos Advogados.Contactado pelo JN, João Pedro Ferreira, presidente da Comissão Nacional de Avaliação da OA, explicou que os erros ortográficos e de sintaxe resultaram de uma cópia, seguida de colagem, mal feita. Contudo, afirmou que "muito dificilmente" a prova será anulada e repetida. "Esses erros vão ser tomados em consideração aquando da correcção", referiu. De resto, afirmou que as perguntas estavam "correctamente formuladas", já que a prova havia sido elaborada por advogados com mais de 20 anos de experiência, dois professores universitários e um desembargador.
in JN

01 Julho 2007

PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DA UNIÃO ARRANCA HOJE

A presidência portuguesa da União Europeia arranca hoje, para um semestre que não deixará de ficar profundamente ligado ao tratado de reforma da UE. Será a face mais visível e mediática do mandato nacional à frente dos 27 - e um ponto incontornável no balanço dos próximos seis meses. A prioridade absoluta para José Sócrates? Não. Essa, garante o gabinete do primeiro-ministro, continuará no plano interno.E pela mão do líder do Executivo. Apesar da carregada agenda impos- ta pela condução das questões comunitárias, não está prevista qual- quer delegação de competências particular ao nível do Governo - "fica tudo na mesma". "A presidência é um elemento importante de afirmação, mas a frente interna é prioridade absoluta", sustenta a mesma fonte.Uma preocupação que acompanhou a própria preparação do mandato português à frente da UE. Um cuidado a que não será alheia a última presidência, então com António Guterres à frente do Executivo - que acabou por penalizar internamente o Governo, com a então primeiro-ministro a ser acusado de descurar a situação interna do País. Um cenário bem conhecido do actual elenco governativo: cinco dos actuais ministros integravam a equipa de Guterres, número a que se junta o próprio Sócrates.No que à agenda europeia diz respeito, e além do tratado europeu, a presidência portuguesa tem um dos momentos altos já a 4 de Julho, com a cimeira UE/Brasil, que colocará as relações entre a União e o gigante sul-americano ao nível da relação privilegiada que os 27 já mantém com a China, os EUA, a Índia e a Rússia. O trio de prioridades em termos de agenda externa europeia fecha-se em Dezembro, com a mais melindrosa cimeira entre a União Europeia e África. Pelo meio, a aposta passa também pelo reforço do diálogo euro-mediterrãnico - entenda-se uma tentativa para um maior empenho da Europa no processo de paz no Médio Oriente.Questões que começam amanhã a ser abordadas, com José Sócrates a reunir-se com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, enquanto os ministros portugueses (que passam a presidir aos conselhos sectoriais da UE) definem com os comissários europeus das respectivas áreas as iniciativas legislativas para os próximos seis meses. Será o primeiro dia de trabalho efectivo da presidência portuguesa, que hoje assinala simbolicamente a data.
in DN

24 Junho 2007

PORTUGAL QUER ACELERAR NOVO TRATADO DE REFORMA DA UE

Se tudo correr bem, Portugal poderá ter pronto o novo tratado de reforma das instituições da União Europeia já em Outubro. Este empenhamento, de não perder tempo no esforço para reformar as instituições, foi deixado bem evidente pelo primeiro-ministro, José Sócrates, na madrugada de ontem, após uma maratona negocial, em Bruxelas, que delineou o mandato para a próxima presidência portuguesa da UE poder elaborar, numa Conferência Intergovernamental (CIG), o novo tratado reformador do modo de funcionamento comunitário.
José Sócrates indicou que iria convocar a CIG a 23 e 24 de Julho, no Conselho de Assuntos Gerais que decorrerá em Bruxelas. Aberta a nível de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, a CIG incluirá o trabalho de dois grupos, um de peritos jurídicos e outro de representantes dos diferentes Estados.A 8 de Setembro, o conselho informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Viana do Castelo, avaliará o trabalho desenvolvido, na expectativa de que o Conselho Europeu informal de Lisboa, a 18 e 19 de Outubro, consagre o texto definitivo do documento a ser submetido, depois, à ratificação pelos Estados. O primeiro-ministro frisou que "queremos dar celeridade a este processo".A cimeira foi marcada por profundas tensões negociais, especialmente com a Polónia a ameaçar vetar o processo para impedir a introdução de um sistema de ponderação dos votos, de que cada Estado-membro disporá para a tomada de decisões, que considerava excessivamente favorável aos grandes países, e o Reino Unido querer evitar o que considerava tratar-se de uma perda de influência política nacional em áreas como a política externa ou a segurança social.A Alemanha, na presidência do conselho, chegou a ameaçar convocar a CIG à revelia da Polónia como forma de persuadir o presidente daquele país, Lech Kaczynski, a flexibilizar posições. Nessa altura, José Sócrates deixou claro à chanceler alemã, Angela Merkel, que tal iniciativa seria "um falhanço". Portugal sempre procurou evitar que o mandato que lhe fosse transmitido para a CIG se apresentasse excessivamente vago, abrindo o caminho a discussões duras e de consequências políticas imprevisíveis. Depois de múltiplos contactos políticos de vários países, onde se destacou o novo presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Polónia acabaria por ceder na sua posição, mediante a promessa de que o novo sistema de votação, que contesta, só entraria em vigor em 2014, com a possibilidade de novo adiamento até 2017. Segundo esse sistema, uma decisão política só será adoptada desde que conte com o apoio de 55% do número de países, representando 65% da população comunitária. A Polónia, virtualmente isolada, pretendia que as decisões assentassem na raiz quadrada das populações de cada país. Após este acordo, ficou garantido que o debate institucional não seria incluído na CIG.Para José Sócrates, "foi um bom acordo, que permite avançar e ter todos os países de acordo com este mandato. Seria muito pior se tivéssemos o mandato em aberto ou transferíssemos para a próxima CIG uma discussão à volta do pacote institucional".O Reino Unido também obteve a garantia de que a prevista consagração de força legal à Carta dos Direitos Fundamentais não iria obrigar a alterações na legislação nacional, nomeadamente no direito à greve.Depois da cimeira, Angela Merkel mostrou-se convencida de que "se não tivéssemos alcançado isto hoje, teríamos acabado numa situação bastante desastrosa". Este tratado pretende substituir o projecto de Constituição Europeia que foi derrubado, em 2005, pelos referendos realizados em França e na Holanda, mergulhando a UE num clima de incerteza política.Para o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que desenvolveu um intenso trabalho de mediação, esta decisão "mostra que a Europa está em movimento e que está em movimento na direcção certa".O primeiro-ministro sublinhou: "Temos um mandato. Não temos um tratado". Para conseguir passar da primeira à segunda fase, através da CIG, Sócrates referiu que "há ainda trabalho pela frente, e trabalho bem exigente". Sócrates acrescentou que "estamos preparados para o fazer" e que, depois de definidos os parâmetros da discussão, "temos as condições para realizar o nosso trabalho".A cimeira abriu o caminho à presidência fixa do Conselho Europeu, em vez das actuais presidências rotativas; e um Alto-Representante para a política externa, com funções de ministro dos Negócios Estrangeiros da UE, embora sem essa designação.
in DN

21 Maio 2007

DECISÃO DO TC ADIA ELEIÇÕES EM LISBOA PARA 15 DE JULHO

O Tribunal Constitucional (TC) invocou a necessidade de garantir o direito de participação política a cidadãos e partidos para deferir o recurso do Movimento Partido da Terra (MPT) contra a data das eleições intercalares para a Câmara de Lisboa.
Apesar de considerar que a governadora civil de Lisboa, Adelaide Rocha, “exerceu o seu poder” ao marcar as eleições intercalares para a Câmara de Lisboa para 1 de Julho, o Tribunal Constitucional sublinha que a governadora “devia ter ponderado todos os interesses em presença”, refere o acórdão do TC, conhecido na sexta-feira passada.“Por um lado, o interesse público em não protelar excessivamente no tempo a situação de crise vivida na autarquia, e, por outro, a garantia de exercício, por parte de cidadãos e partidos, de direitos, liberdades e garantias de participação política”, o que “não ocorreu”, lê-se no acórdão.Para o TC, ao escolher a data de 1 de Julho, a governadora civil “tornou inviável o exercício de um direito de participação política com assento expresso no texto constitucional – o direito à formação de coligações de partidos”.Recurso de Roseta é posteriorAcrescenta o tribunal que o dia 1 de Julho implicaria o “sacrifício” do direito dos partidos a constituírem coligações.O Tribunal Constitucional apreciou igualmente o recurso apresentado por Helena Roseta, que acabou prejudicado uma vez que foi deferido o do MPT, apresentado um dia antes do da ex-militante socialista.Dos 11 juízes do Tribunal Constitucional que apreciaram os recursos, dois votaram vencidos.Após ser conhecida a decisão do TC, a governadora civil marcou a realização das intercalares para 15 de Julho.
in público

25 Abril 2007

VIVA O 25 DE ABRIL!

O Parlamento assinala hoje, com a tradicional sessão solene e os discursos dos partidos e do Presidente da República, Cavaco Silva, o 33º aniversário do 25 de Abril de 1974. Há um ano, na sua estreia, Cavaco Silva propôs um "compromisso cívico" para que se cumpra um dos desígnios da Revolução dos Cravos - a justiça social - saudado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e pelos partidos com assento parlamentar.
Antes do Chefe do Estado, discursam no hemiciclo os representantes dos seis partidos com assento parlamentar e o presidente da Assembleia da República, o socialista Jaime Gama.Pelo PS, falará a deputada Maria de Belém, pelo Bloco de Esquerda Helena Pinto, o PSD escolheu Paulo Rangel, o PCP Francisco Lopes, o CDS Nuno Magalhães e o PEV Francisco Madeira Lopes.José Sócrates e os restantes membros do Governo estarão também presentes nesta sessão para assinalar o 25 de Abril, que pôs fim a 48 anos de ditadura.O início da sessão está marcado para as 10h00 e termina ao som do Hino Nacional, tocado pela banda da GNR nos Passos Perdidos, seguindo-se a cerimónia de cumprimentos.Para assinalar a data, a Residência Oficial do primeiro-ministro volta a estar aberta ao público, entre as 15h00 e as 18h00, cumprindo uma tradição que foi iniciada em 1996 por António Guterres, no seu primeiro mandato como chefe do Governo.A manifestação promovida pela Associação 25 de Abril está prevista para Lisboa, partindo pelas 15h00 do Marquês do Pombal até ao Rossio.De Norte a Sul do país, as câmaras municipais vão igualmente assinalar o Dia da Liberdade, com sessões solenes, espectáculos, exposições e debates.

10 Abril 2007

PRESIDENTE DA REPÚBLICA PROMULGA A NOVA LEI DA IVG

O Presidente da República, Cavaco Silva, promulgou hoje a nova lei da despenalização do aborto, mas enviou uma mensagem à Assembleia da República em que identifica "um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a assegurar um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença".
A informação foi avançada no site da Presidência da República.Mensagem enviada pelo Presidente da República à Assembleia da República:Nos termos do artigo 134º, alínea b), da Constituição, decidi promulgar como Lei o Decreto nº 112/X, da Assembleia da República, que regulou a exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez. No uso da faculdade prevista na alínea d) do artigo 133º da Constituição, entendi fazer acompanhar o acto de promulgação de uma mensagem à Assembleia da República. 1. Como é do conhecimento público, o Decreto nº 112/X foi aprovado na sequência do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez que se realizou no dia 11 de Fevereiro de 2007, o qual não logrou obter a participação de votantes necessária para que o mesmo se revestisse, nos termos do artigo 115º, nº 11, da Constituição, de carácter juridicamente vinculativo. 2. Não se encontrando a Assembleia da República juridicamente vinculada aos resultados do citado referendo, entendeu todavia o legislador, no uso de uma competência que a Constituição lhe atribui, fazer aprovar o Decreto que agora me foi submetido a promulgação.3. Para esse efeito, terá por certo concorrido a circunstância, a que o Presidente da República não pode ser indiferente, de naquele referendo ter sido apurada uma percentagem de 59,25 % de votos favoráveis à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, nas condições e nos termos expressos na pergunta submetida à consulta popular e cuja constitucionalidade o Tribunal Constitucional, através do seu Acórdão nº 617/2006, deu por verificada.4. De igual modo, não pode o Presidente da República ser indiferente à circunstância de o Decreto nº 112/X ter sido aprovado por uma larga maioria parlamentar.5. Considero, todavia, que existe um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a que, da concretização da legislação ora aprovada e de outras leis a emitir no futuro, se assegure um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença. 6. Assim, prevendo a Lei que a «informação relevante para a formação da decisão livre, consciente e responsável» da mulher grávida, a que se refere a alínea b) do nº 4 do artigo 142º do Código Penal, seja definida através de portaria – opção que se afigura questionável, dada a extrema sensibilidade da matéria em causa – importa, desde logo, que a mulher seja informada, nomeadamente sobre o nível de desenvolvimento do embrião, mostrando-se-lhe a respectiva ecografia, sobre os métodos utilizados para a interrupção da gravidez e sobre as possíveis consequências desta para a sua saúde física e psíquica.A existência de um «período de reflexão» só faz sentido, em meu entender, se, antes ou durante esse período, a mulher grávida tiver acesso ao máximo de informação sobre um acto cujas consequências serão sempre irreversíveis. E a decisão só será inteiramente livre e esclarecida se tiver por base toda a informação disponível sobre a matéria. Por outro lado, afigura-se extremamente importante que o médico, que terá de ajuizar sobre a capacidade de a mulher emitir consentimento informado, a possa questionar sobre o motivo pelo qual decidiu interromper a gravidez, sem que daí resulte um qualquer constrangimento da sua liberdade de decisão. Parece ser também razoável que o progenitor masculino possa estar presente na consulta obrigatória e no acompanhamento psicológico e social durante o período de reflexão, se assim o desejar e a mulher não se opuser, sem prejuízo de a decisão final pertencer exclusivamente à mulher.É ainda aconselhável que à mulher seja dado conhecimento sobre a possibilidade de encaminhamento da criança para adopção, no âmbito da informação disponibilizada acerca dos apoios que o Estado pode dar à prossecução da gravidez, nos termos da alínea b) do nº 2 do artigo 2º da presente Lei. A transmissão desta informação deve revestir-se de um conteúdo efectivo e concreto, não podendo cingir-se a uma mera formalidade, antes tendo de incluir todos e quaisquer elementos que esclareçam a mulher sobre a existência de procedimentos, medidas e locais de apoio do Estado à prossecução da gravidez e à maternidade. A disponibilização da informação acima referida constitui algo que não só não contende com a liberdade de decisão da mulher, como representa, pelo contrário, um elemento extremamente importante, ou até mesmo essencial, para que essa decisão seja formada, seja em que sentido for, nas condições mais adequadas – quer para a preservação do seu bem-estar psicológico no futuro, quer para um correcto juízo de ponderação quanto aos interesses conflituantes em presença, quer, enfim, quanto às irreparáveis consequências do acto em si mesmo considerado. 7. Tendo em conta que o acompanhamento psicológico e social, durante o período de reflexão que precede a interrupção da gravidez, pode ser prestado não apenas em estabelecimentos oficiais mas também em estabelecimentos de saúde oficialmente reconhecidos (v.g., clínicas privadas especialmente dedicadas a esse fim), importa que o Estado assegure uma adequada fiscalização, designadamente através da implementação de um sistema de controlo da qualidade profissional e deontológica e, bem assim, da isenção daqueles que procedem a tal acompanhamento. Na verdade, podendo não existir separação entre o estabelecimento onde é realizado o acompanhamento psicológico e social e aquele em que se efectua a interrupção da gravidez e tendo a Lei procurado garantir a imparcialidade e a isenção dos profissionais de saúde – determinando-se, nomeadamente, que o médico que realize a interrupção não seja o mesmo que certifica a verificação das circunstâncias que a tornam não punível –, considero que salvaguardas do mesmo teor devem ser asseguradas no que respeita ao acompanhamento psicológico e social, especialmente quando a interrupção da gravidez é realizada numa clínica privada. Além disso, o Estado não pode demitir-se da função de criar uma rede pública de acompanhamento psicológico e social, para as mulheres que o pretendam, ou de apoiar a acção realizada neste domínio por entidades privadas sem fins lucrativos. 8. Para além do plano regulamentar, a exclusão dos profissionais de saúde que invoquem a objecção de consciência, prevista no nº 2 do artigo 6º, parece assentar num pressuposto, de todo em todo indemonstrado e ademais eventualmente lesivo da dignidade profissional dos médicos, de que aqueles tenderão a extravasar os limites impostos por lei e, além de informarem a mulher, irão procurar condicioná-la ou mesmo pressioná-la no sentido de esta optar pela prossecução da gravidez. Não parece que a invocação da objecção de consciência à prática da interrupção da gravidez constitua, em si mesma, motivo para a desqualificação dos médicos para a prática de um acto de outra natureza – a realização de uma consulta com um conteúdo clínico informativo. Esta exclusão é tanto mais inexplicável quanto, em situações onde podem existir legítimos motivos para suspeitar da imparcialidade e da isenção dos prestadores da informação, o legislador nada previu, nem evidenciou idênticas preocupações quanto à salvaguarda da autonomia das mulheres.9. Além disso, é legítimo colocar a dúvida sobre se a invocação do direito à objecção de consciência pelos médicos e outros profissionais de saúde tem de ser feita obrigatória e exclusivamente de modo geral e abstracto – o que parece desproporcionado – ou se poderá ser realizada também selectivamente, de acordo com circunstâncias específicas transmitidas pela mulher, nomeadamente o recurso reiterado à interrupção da gravidez, a existência de pressão de outrem para a decisão tomada ou mesmo o sexo do embrião, cada vez mais precocemente determinável. 10. Considero que devem ser delimitadas de forma rigorosa as situações de urgência em que a interrupção da gravidez pode ter lugar sem a obtenção do consentimento escrito da mulher e sem observância do período de reflexão mínimo de três dias, nos termos do nº 6 do artigo 142º do Código Penal. Esta questão ganha agora uma acuidade acrescida com a despenalização da interrupção da gravidez, por opção da mulher, até às dez semanas. 11. Sendo a interrupção da gravidez um mal social a prevenir, como foi amplamente reconhecido por todas as forças que participaram na campanha do referendo, será anómalo que o legislador não tome providências que visem restringir ou disciplinar a publicidade comercial da oferta de serviços de interrupção da gravidez. Assim, à semelhança do que fez em relação a outros males sociais, devem proscrever-se, nomeadamente, formas de publicidade que favoreçam a prática generalizada e sistemática da interrupção voluntária da gravidez, em detrimento de métodos de planeamento familiar cujo acesso o Estado está obrigado a promover e que, nos termos da presente Lei, se encontra vinculado a transmitir à mulher. 12. Justamente no quadro do planeamento familiar, tem igualmente o Estado a obrigação, agora ainda mais vincada, de levar a cabo uma adequada política de promoção de uma sexualidade responsável e de apoio à natalidade. 13. Registei o progresso efectuado no sentido de aproximar o conteúdo do diploma das soluções contidas na generalidade das legislações europeias nesta matéria, através da proposta de alteração apresentada no Plenário da Assembleia da República no dia 8 de Março, que determinou a obrigatoriedade de a mulher que se proponha interromper a gravidez ser informada sobre «as condições de apoio que o Estado pode dar à prossecução da gravidez e à maternidade». 14. Considero ainda que, se o processo legislativo em causa tivesse beneficiado de um maior amadurecimento e ponderação, talvez daí resultassem, como seria desejável, um consenso político mais alargado e soluções mais claras em domínios que se afiguram de extrema relevância, alguns dos quais atrás se deixaram identificados, a título exemplificativo. Após a sua entrada em vigor, caberá então verificar se, na prática, esta Lei contribui efectivamente para uma diminuição não só do aborto clandestino como também do aborto em geral, o que implica uma avaliação dos resultados do presente diploma, a realizar pelo legislador num prazo razoável. 15. De todo o modo, no Decreto nº 112/X, aprovado por uma ampla maioria, encontram-se reunidas, no essencial, as condições para que se dê cumprimento aos resultados da consulta popular realizada no dia 11 de Fevereiro de 2007 e à pergunta então submetida a referendo. Além disso, os aperfeiçoamentos introduzidos no decurso do debate parlamentar constituem, na medida em que se tenham em consideração as observações atrás formuladas, um passo para conciliar a liberdade da mulher e a protecção da vida humana intra-uterina, valor de que o Estado português não pode, de modo algum, alhear-se.
in público

05 Abril 2007

TRANSFERÊNCIA DE CURSOS POSSÍVEL EM QUALQUER ALTURA DO ANO

Os alunos do ensino superior podem, a partir de agora, pedir transferência da instituição onde estudam, em qualquer momento do ano lectivo, segundo um diploma publicado hoje em Diário da República.
No número 4 do artigo 4º do Regulamento dos Regimes de Mudança de Curso, Transferência e Reingresso no Ensino Superior, hoje publicado, estes procedimentos podem ser feitos "em qualquer momento do ano lectivo". O regulamento hoje publicado foi produzido pela necessidade de adequar os procedimentos até aqui em vigor ao processo de Bolonha, que uniformiza os cursos de ensino superior na Europa no sentido de facilitar a mobilidade dos estudantes.Na portaria de 1993 que regulamentava as transferências e mudanças de cursos, eram estabelecidos prazos para praticar estes actos. Assim, de acordo com esse diploma, a entrega de requerimento para as transferências só podia ser feita antes do início do ano lectivo, entre 16 de Junho e 15 de Agosto, sendo a decisão proferida entre 1 e 15 de Setembro de cada ano.A nova portaria hoje publicada e que entra em vigor sexta-feira não estabelece qualquer calendário e refere explicitamente num dos artigos que a mudança de curso, transferência e reingresso pode ser feita em qualquer momento do ano lectivo, "sempre que [o órgão legal competente] entenda existirem ou poder criar condições de integração dos requerentes nos cursos em causa".O regulamento refere ainda que a mudança de curso e as transferências estão sujeitas às limitações do número de vagas.Esta situação poderá beneficiar estudantes como os da Universidade Independente, onde algumas centenas já manifestaram vontade de mudar de instituição. O ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, tinha já afirmado a 29 de Março, que estava prestes a ser publicada uma portaria que previa as transferências a qualquer altura do ano lectivo.
in público

25 Março 2007

50 ANOS DO TRATADO DE ROMA

Os líderes da União Europeia (UE) adoptam hoje a Declaração de Berlim, que evoca o historial da integração europeia, desde a assinatura dos Tratados de Roma, há 50 anos, e exalta os princípios e o futuro da União.
Nos dois dias da Cimeira de Berlim, que hoje termina, os chefes de Estado e de Governo traçaram o objectivo de relançar o processo de ratificação do Tratado Constitucional, ameaçado pelo impasse criado após o voto negativo nos referendos na França e na Holanda, em 2005. A Declaração de Berlim proclama a "a renovação da base comum da União Europeia" até 2009, sem referir expressamente o Tratado Constitucional. O documento será adoptado em cerimónia solene no Museu de História Alemã e assinado pela presidente em exercício do Conselho Europeu, Angela Merkel, em nome dos 27 Estados membros, pelo presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Poettering, e pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Em seguida, os líderes europeus deslocam-se à Porta de Brandenburgo, "ex-libris" de Berlim, entre 1961 e 1989 símbolo da divisão da cidade e da Europa, até à queda do Muro de Berlim. Um dia antes da adopção da Declaração de Berlim, o primeiro- ministro português, José Sócrates, afirmou que a tarefa da Europa "é construir um novo Século de paz e de união", inspirado no "Século das Luzes". "A Europa já teve o Século das Luzes, mas já teve também um Século de divisão e de guerra, e a Europa a que aspiramos é uma Europa de paz e de união", disse o chefe do governo português. "Estou satisfeito. Celebrámos aqui o projecto europeu, o espírito dos valores de sempre da Europa, que nos inspiraram ao longo de 50 anos, e também marcámos uma tarefa para a Europa", disse o primeiro-ministro português. Sócrates referia-se, concretamente, à passagem da declaração em que se preconiza "a renovação da base comum" da União, até 2009, fórmula encontrada para tentar pôr fim ao impasse na ratificação do Tratado Constitucional, surgida após o voto negativo nos referendos na França e na Holanda, em 2005. "Nestes 50 anos, conseguimos unir a Europa, fortalecer o mercado e criar uma economia europeia, construir uma comunidade de paz, liberdade e democracia, e estes são os valores de sempre da Europa", acrescentou primeiro-ministro.
in Lusa

JUSTIÇA AO DOMICÍLIO

Ao apostar em alternativas aos tribunais comuns, o Ministério da Justiça (MJ) admite criar um sistema de justiça ao domicílio. A experiência vai ser feita no âmbito da mediação familiar, com os mediadores a deslocarem-se à residência das pessoas para aí promoverem um acordo entre as partes em conflito. A revelação foi feita ontem pelo secretário de Estado da Justiça."Vamos realizar a mediação familiar em estruturas que já existem, em serviços públicos, julgados de paz, centros de arbitragem, municípios, freguesias, e até nas casas das pessoas se nos disserem que isso é mais conveniente para resolver o litígio. É também uma hipótese que não descartamos", afirmou João Tiago Silveira ao DN no final de uma acção de formação para juízes de paz que decorreu ontem na Direcção- -Geral da Administração Extrajudicial (DGAE), em Lisboa.A mediação familiar como alternativa aos tribunais de família - apenas possível quando os litigantes acordam usar essa via - já existe desde 1999. Porém, está circunscrita ao distrito de Lisboa, e apenas aplicada quando se trata da regulação do poder paternal, ou do incumprimento do exercício desse poder.Mas em breve "o âmbito da competência da mediação familiar vai ser alargado a todos os conflitos que afectam as relações familiares", revelou o secretário de Estado, anunciando que o âmbito territorial vai, igualmente, ser alargado a outros três distritos, sem revelar quais.A mediação familiar funciona actualmente na DGAE. Trata-se de um método simples de resolução de litígios parentais, sem grandes burocracias. Quando as partes envolvidas acordam seguir esta via, para fugir aos tribunais de família, mais formais e demorados, entra em acção um mediador da DGAE - geralmente jurista - que tenta promover um acordo. Cabe aos litigantes construírem uma decisão justa.Mas se até agora as pessoas tinham de se deslocar à DGAE, o MJ vai abrir a possibilidade de os mediadores da DGAE passarem a ir a casa das pessoas. "Sempre que se achar que isso é o mais conveniente para as famílias", assegurou ao DN o secretário de Estado da Justiça. A mediação é um sistema de resolução de conflitos que foge à justiça tradicional. A política do Governo tem sido a de retirar dos tribunais as chamadas "bagatelas jurí- dicas". Conforme referiu ontem João Tiago Silveira, os tribunais "têm cada vez menos espaço para justiça das pessoas singulares". Ou seja, cada vez mais o sistema judicial tradicional está colonizado pelas empresas e pela grande criminalidade. Neste sentido, a mediação extrajudical começou já a abranger várias áreas , nomeadamente a laboral e a penal, sob o controlo do poder político.
in DN

18 Março 2007

JUSTIÇA CERCA FAMÍLIA LOUREIRO

O pai, Valentim, vai a julgamento por crimes de corrupção desportiva. O filho dirigente desportivo, João, foi esta semana acusado pelo Ministério Público de um crime de corrupção desportiva. E o empresário Jorge está a ser investigado pela Polícia Judi-ciária do Porto devido à compra de um terreno em Gondomar conhecido como a Quinta do Ambrósio. São três Loureiros a braços com a Justiça.Depois do despacho de pronúncia do processo de Gondomar, que confirmou a acusação do Ministério Público, levando a julgamento Valentim Loureiro, entre outros, acusado de 26 crimes dolosos de corrupção sob a forma de cumplicidade, esta semana a equipa coordenada por Maria José Morgado decidiu avançar com um despacho de acusação sobre o caso Boavista-Estrela da Amadora (da época 2003/2004) que envolve Valentim, na qualidade de presidente da Liga, e João Loureiro, presidente do Boavista. Ambos terão sido acusados de um crime de corrupção desportiva activa.O caso diz respeito a uma certidão retirada do processo "Apito Dourado". No jogo em causa, o Boavista acabou por perder por 1-2, mas os indícios recolhidos pelo Ministério Público revelaram uma eventual predisposição do árbitro Jacinto Paixão (também acusado) para que o resultado fosse outro. Dias antes do jogo, segundo as escutas telefónicas, João Loureiro contactou com o observador Pinto Correia, dando-lhe conta da nomeação de Jacinto Paixão. O observador terá dito a João Loureiro que iria falar com Jacinto Paixão no sentido de este ajudar o Boavista. Contudo, os axadrezados perderam, e no final do encontro foi escutada uma conversa entre Valentim e Jacinto Paixão, na qual este tenta justificar-se: "Mas aquilo não se podia fazer mais." O major compreendeu: "Eu vi, eu vi. Aquilo esteve mal! Também os gajos cada vez que foram lá acima... deu logo um goleco." Nas declarações que prestou no processo, José Espada, árbitro assistente, foi categórico ao afirmar que Paixão teve uma actuação "bastante parcial e tendenciosa, claramente favorável à equipa do Bosvista".Mas, se neste processo houve despacho de acusações, no caso Boavista-Alverca, Maria José Morgado decidiu arquivar. Nesta partida, o Boavista, que se encontrava a perder por 0-1 aos 90 minutos, deu a volta ao resultado (2-1) nos sete minutos de compensação que o árbitro Paulo Pereira concedeu.O caso da Quinta do AmbrósioNesta sequência de processos, Jorge Loureiro surge ligado à compra de um terreno em Gondomar (ver DN de 19 de Junho de 2006), por um milhão de euros, posteriormente vendido por quatro milhões à Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP). Jorge Loureiro, Laureano Gonçalves (antigo dirigente da arbitragem) e José Luís Oliveira (ex-vice-presidente da Câmara de Gondomar e arguido no processo "Apito Dourado") compraram o terreno, que se encontrava inserido em zona de Reserva Agrícola Nacional (RAN). Num par de semanas, o terreno foi desafectado e vendido. A PJ do Porto está a investigar.

09 Março 2007

LEI DO ABORTO

A nova lei do aborto, que despenaliza as interrupções da gravidez realizadas por opção da mulher nas primeiras dez semanas, foi aprovada esta quinta-feira em votação final global pelo PS, PCP, BE, Verdes e 21 deputados do PSD. Ana Manso, Pedro Duarte, Miguel Relvas, José Eduardo Martins, Sérgio Vieira, Agostinho Branquinho, Mendes Bota, José Raul dos Santos, Pedro Pinto e Emídio Guerreiro votaram a favor do projecto de lei do PS, PCP, BE e Verdes. Três deputados do PSD, incluindo Luís Campos Ferreira e José Matos Correia, foram os únicos a abster-se. A maioria do PSD, incluindo o líder parlamentar, Marques Guedes, e o ex-presidente do partido Pedro Santana Lopes, votou contra o diploma. O mesmo fizeram o CDS-PP e as três deputadas independentes da bancada socialista Teresa Venda, Maria do Rosário Carneiro e Matilde Sousa Franco. O presidente do PSD, Marques Mendes, estava ausente por se encontrar numa reunião do Partido Popular Europeu (PPE), em Bruxelas, e a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro preferiu sair do plenário e não participar na votação. O projecto de lei conjunto do PS e da oposição de esquerda despenaliza o aborto realizado por opção da mulher nas primeiras dez semanas de gravidez, mudando uma lei que tem 23 anos, na sequência do referendo de 11 de Fevereiro. A mulher será obrigada a um «período de reflexão não inferior a três dias» após uma «primeira consulta» em que lhe será informação sobre as condições de realização do aborto, as suas consequências e os apoios do Estado à prossecução da gravidez. Este último ponto foi adoptado do projecto alternativo apresentado pelo PSD e obteve os votos favoráveis do PS, PCP, BE, Verdes e de 16 deputados sociais-democratas, entre os quais Ana Manso, Pedro Duarte e José Eduardo Martins. A nova lei obrigará ainda os estabelecimentos de saúde a disponibilizar à mulher que deseje interromper a gravidez acompanhamento psicológico e por assistente social. As propostas alternativas tanto do PSD como do CDS-PP foram chumbadas pelo PS, PCP, BE e Verdes. Após receber o diploma, o Presidente da República, Cavaco Silva, terá 20 dias para vetar ou promulgar a nova lei do aborto. Caso decida enviar o diploma para o Tribunal Constitucional, Cavaco Silva terá de o fazer num prazo de oito dias desde a recepção do projecto para o mandar para o Tribunal Constitucional, tendo 20 dias para decidir se promulga ou veta o projecto após receber o acórdão do TC para decidir.
in Diário Digital / Lusa

06 Março 2007

VALENTIM LOUREIRO VAI SER JULGADO POR 27 CRIMES

Valentim Loureiro, ex-presidente da Liga, vai ser julgado no âmbito do processo Apito Dourado por 27 crimes, dos quais 26 de corrupção activa e um de prevaricação, sendo que foi despronunciado de um crime de prevaricação.
Pinto de Sousa, ex-presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, vai a julgamento por 26 crimes de corrupção passiva para acto ilícito, segundo a decisão instrutória do juiz do tribunal de Gondomar Pedro Miguel Vieira, que foi lida no final da sessão de hoje por uma oficial de justiça.O ex-presidente do Gondomar Sport Clube José Luís Oliveira foi pronunciado por 26 crimes de corrupção activa e 21 crimes de corrupção desportiva activa.O ex-árbitro de futebol Rui Mendes e os árbitros Sérgio Pereira e Aníbal Gonçalves, acusados cada um de um crime de corrupção passiva, não vão ser julgados.Escutas "não padecem de qualquer inconstitucionalidade"O juiz considerou ainda que as 16 mil escutas telefónicas "não padecem de qualquer inconstitucionalidade, nulidade ou irregularidade", como alegava a defesa, com várias argumentações, entre as quais a de que terão sido feitas sem controlo do juiz de instrução e transcritas fora dos prazos legais.Os advogados de defesa já anunciaram que vão recorrer da decisão do juiz de instrução Pedro Miguel Vieira.O processo Apito Dourado, que incluiu investigações a casos de corrupção e tráfico de influências entre elementos do futebol profissional português e de autarquias, foi investigado durante quase dois anos.
in público

04 Março 2007

ENTRE-OS-RIOS: INDEMNIZAÇÃO SIMBÓLICA

Faz hoje seis anos que a tragédia de Entre-os-Rios abalou o País. A população local assinala o sexto aniversário do colapso da ponte com uma missa em memória das vítimas, na Igreja da Raiva, a freguesia mais enlutada pela tragédia. A cerimónia está marcada para as 21h10, precisamente a hora em que ocorreu o acidente e será também lançada uma coroa de flores ao rio Douro. Os familiares das vítimas mortais da tragédia de Entre-os-Rios vão pedir ao Estado, em processo civil, uma indemnização simbólica, que pode ficar-se mesmo por um euro, anunciou o presidente da associação que os representa, Horácio Moreira. "Se avançássemos para verbas expressivas, poderíamos ser mal interpretados. Aqui não estão em causa os valores. O objectivo central é a culpabilização do Estado", explicou o dirigente da Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios. No dia 20 de Outubro do ano passado, o Tribunal de Castelo de Paiva absolveu os seis engenheiros acusados de negligência, mas o Ministério Público e os familiares das vítimas recorreram desta sentença de primeira instância. O colapso da ponte de Entre-os-Rios, ao princípio da noite de 4 de Março de 2001, matou os 59 ocupantes de um autocarro e de três automóveis ligeiros.
in Sic/Lusa

01 Março 2007

VEÍCULOS MENOS POLUENTES PAGAM MENOS IMPOSTO

O Conselho de Ministros aprovou uma Proposta de Lei que reformula totalmente a tributação automóvel, com o fito de incentivar o uso de energias renováveis e veículos menos poluentes, no âmbito do Programa nacional para as Alterações Climáticas. Os quatro impostos (IA, IMV, circulação e camionagem) são abolidos, criando-se o Imposto sobre Veículos e o Imposto Único de Circulação. As principais alterações são: tributação em função da componente ambiental (o peso das emissões de CO2 na base de tributação sobe para 30%, no primeiro ano, e 60%, no segundo); e deslocação de parte da carga fiscal da aquisição do automóvel (menos 10%) para a fase de circulação.

26 Fevereiro 2007

JOSÉ SOCRATES SATISFEITO COM OS RESULTADOS DA JUSTIÇA EM 2006

O primeiro-ministro considerou hoje os resultados alcançados pela Justiça em 2006 "absolutamente extraordinários, surpreendentes e motivadores". José Sócrates falava na cerimónia de apresentação dos resultados do sistema judicial nos últimos dois anos (2005/2007). Os dados revelados hoje pelo Ministério da Justiça (MJ) indicam que o número de processos pendentes nos tribunais portugueses diminuiu, nos últimos dois anos, o que acontece pela primeira vez na última década. Nos últimos dois anos, diz o MJ, houve uma descida de 0,4 por cento da pendência processual, o que representa menos 6.675 processos nos tribunais, num universo de cerca de 1,7 milhões à espera de resolução. O primeiro-ministro começou por salientar a inversão da tendência do número de processos nos tribunais portugueses. "2006 foi o ano da inversão (menos 6.675 processos). O mais difícil é sempre mudar a inclinação das rectas e isso foi conseguido", disse o líder do governo. Para José Sócrates, os resultados hoje apresentados pelo Ministério da Justiça significam "uma vitória sobre a inércia" e provam que "o monstro (pendência processual) começou a ceder e a apresentar os primeiros sinais de que é possível ser combatido". Por outro lado, indicam também os números do Ministério, a redução das férias judiciais para um mês resultou num aumento de 57,3 por cento do número de processos concluídos em Julho, Agosto e Setembro de 2006.
in SIC

24 Fevereiro 2007

APROVADAS ALTERAÇÕES AO CÓDIGO PENAL

O Parlamento aprovou na generalidade, as alterações ao Código Penal propostas pelo Governo e por todos os partidos, à excepção do projecto do CDS que previa a baixa da idade da imputabilidade penal para os 14 anos
Aprovadas pelo PS e PSD, com a abstenção dos restantes partidos, foram as alterações ao Código Penal acordadas em Setembro do ano passado pelos dois partidos, no âmbito do pacto da justiça. Entre estas alterações destacam-se o aumento do leque das penas alternativas, com o reforço da vigilância electrónica ou soluções como o trabalho a favor da comunidade, a responsabilização das pessoas colectivas, o reforço do combate a crimes como o tráfico de pessoas (para fins de exploração sexual ou trabalho) e a protecção de pessoas indefesas (qualificando-se crimes de burla contra cidadão idosos, doentes, menores ou deficientes).
Também aprovadas na generalidade - com votos favoráveis de PCP, BE e Verdes e abstenção das restantes bancadas - foram duas alterações propostas pelo Partido Ecologista «Os Verdes» que eliminam a discriminação com base na orientação sexual e alteram o Código Penal em matéria ambiental. Igualmente aprovado foi um diploma do BE que introduz um conjunto de alterações ao Código Penal e que mereceu votos favoráveis do PCP, BE e Verdes, abstenção do PS e PSD e votos contra do CDS-PP. Pelo caminho, ficou apenas o projecto do CDS-PP que alterava, entre outras matérias, o regime do segredo de justiça e a idade da imputabilidade penal (baixando-a dos 16 para os 14 anos), que mereceu o voto favorável apenas da banca da democrata-cristã, a abstenção de PSD e PS e os votos contrários do BE, PCP e Verdes.
Foi ainda aprovada a proposta de lei do Governo que cria um regime de mediação penal, que apenas contou com a abstenção do PCP. Na discussão do diploma, quarta-feira, o ministro da Justiça, Alberto Costa, frisou que se tratará de «um processo flexível, favorecendo a proximidade entre arguido e ofendido, que libertará os tribunais para a criminalidade mais grave».O novo regime de mediação penal apenas foi contestado pela deputada comunista Odete Santos, que considerou tratar-se de «uma via neoliberal» no sistema de justiça. «Ao colocar-se a mediação penal fora do sistema formal de justiça, esta mos perante uma verdadeira privatização», justificou a deputada do PCP.
in Lusa/SOL

20 Fevereiro 2007

ORDEM DOS ADVOGADOS PEDE EXPLICAÇÕES SOBRE FALHAS NO INDULTO A EMPRESÁRIO FORAGIDO

O bastonário da Ordem dos Advogados pediu mais clareza ao Ministério da Justiça na explicação das falhas que levaram o Presidente da República a conceder um indulto a um empresário fugido à justiça.Em declarações à Lusa, Rogério Alves disse que a justificação dada ontem pela tutela não explica "em concreto o que aconteceu" no processo de indulto de Américo Pereira Mendes, a quem foi perdoada uma pena de seis meses apesar de já ter sido condenado a quatro anos de prisão e de sobre ele penderem vários mandados de captura. "Houve uma falha na instrução do processo, que deve conter toda a informação relativa à situação da pessoa que é candidata ao indulto, para que se conheçam as penalizações já sofridas para além da que é alvo do requerimento", argumenta o bastonário.Sublinhando que essa informação não foi anexada ao processo, Rogério Alves lamentou que o ministério, ao invés de concluir que se tratou de um “erro, lapso, omissão ou esquecimento”, tenha recorrido a uma forma "genérica, que não deixa compreender o erro".Na nota divulgada ontem à noite, o ministério de Alberto Costa referia que houve elementos que não foram tomados em consideração por não serem de "leitura evidente"."A explicação do ministério, ela sim, não é de leitura evidente, ao adoptar um enunciado que não explica em concreto o sucedido", afirmou o bastonário.Para Rogério Alves, é fundamental, "a bem do esclarecimento" da opinião pública, que a tutela seja "claro" e não adopte "formas indecifráveis". "Na relação entre a Administração Pública e os cidadãos devem prevalecer hábitos de clareza e simplicidade", afirmou, acrescentando que, certamente, esta situação em concreto "deve ser muito fácil de explicar".O ministro Alberto Costa vai no próximo dia 6 de Março ao Parlamento, falar sobre a instrução do processo de indulto.


in público

14 Fevereiro 2007

CARTÃO ÚNICO JÁ EM EMISSÃO

Portalegre vai ser o primeiro distrito do continente a emitir o Cartão de Cidadão, que substitui o Bilhete de Identidade e os cartões de contribuinte, Segurança Social e Saúde. Os primeiros cartões foram emitidos ontem no Faial.Em Junho, os novos cartões deverão estar generalizados nas nove ilhas do arquipélago dos Açores, chegando a Portalegre em Julho. Depois, serão alargados aos distritos de Évora e Bragança em Outubro, segundo uma portaria do Governo publicada ontem em Diário da República. Nos restantes distritos do País, na Região Autónoma da Madeira e nos consulados portugueses no estrangeiro os documentos vão ser emitidos apenas em 2008.O cartão terá um prazo de validade que não pode exceder os cinco anos e custará 12 euros, tanto em Portugal como no estrangeiro. No caso de pedidos urgentes em Portugal o valor sobe para 20 euros e no estrangeiro para 35 euros. Um cartão urgente com entrega no próprio dia ou com o prazo de um dia vai custar 25 euros ao cidadão requerente. Os prazos máximos de entrega são de três dias em Portugal continental, quatro ou cinco nas ilhas dos Açores e da Madeira, cinco dias para entrega num país europeu e sete para entrega em países fora da Europa.O Cartão de Cidadão, que vem substituir o Bilhete de Identidade e os cartões de contribuinte, Segurança Social e Saúde, terá como elementos de identificação visíveis o nome, apelidos, filiação, nacionalidade, data de nascimento, sexo, altura, fotografia, assinatura e os quatro números de identificação actualmente existentes.É obrigatório para todos os cidadãos portugueses residentes em Portugal e no estrangeiro a partir dos seis anos de idade.
in DN

11 Fevereiro 2007

"SIM" VENCE REFERENDO!!

O “sim” venceu o referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, com mais de 59 por cento dos votos expressos. A taxa de participação supera os 43 por cento, um valor aquém do necessário para tornar a consulta vinculativa mas superior à registada em 1998.
Após o apuramento dos resultados nas 4260 freguesias do país, o "sim" recolheu 2.238.053 votos, o equivalente a 59,25 das preferências, enquanto o "não" obteve 40,75 por cento (1.539.078 votos). O Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) registou ainda 48.185 votos em branco e 26.297 votos nulos.Ao todo, participaram na consulta de hoje 3.851.613 eleitores, o que equivale a uma taxa de participação de 43,61 por cento dos votos, mais 11,7 pontos percentuais do que em 1998, quando votaram 2.642.689 eleitores (31,91 por cento). A queda na abstenção favoreceu essencialmente o campo do "sim" que angariou quase mais um milhão de votos do que no anterior referendo, enquanto o "não" obteve mais 206 mil votos.Apesar do reforço da participação, não foi atingida a meta dos 50 por cento de participação, necessária para tornar vinculativos os resultados do referendo. Contudo, tanto o primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, como o presidente do PSD, Marques Mendes, já consideraram que os resultados deverão ser respeitados pela Assembleia da República aquando da regulamentação da lei, aprovada em plenário a 20 de Abril de 2005.

09 Fevereiro 2007

SONDAGEM

A maioria vai votar ‘sim’ no referendo de Domingo, de acordo com a sondagem em urna Expresso/Sic/Renascença-Eurosondagem. O estudo de opinião não antecipa, porém, se o resultado do referendo será ou não vinculativo: 12,5% dos inquiridos ainda não sabem se vão votar, e os restantes dividem-se entre os que vão (44,2%) e os que ficam em casa (43,3%).
in Expresso

07 Fevereiro 2007

PR PROMULGOU A LEI DAS FINANÇAS REGIONAIS

O Presidente da República, Cavaco Silva, promulgou a Lei das Finanças Regionais.Numa nota publicada no site da Presidência da República, Cavaco Silva justifica a sua decisão com o facto de terem sido "dissipadas" as dúvidas pelo Tribunal Constitucional quanto à constitucionalidade da lei e "após cuidada ponderação dos diversos interesses em presença".Apesar de promulgar a lei, Cavaco Silva recorda "a circunstância" de as "regiões autónomas disporem de competência para impugnar, junto do Tribunal Constitucional, as disposições da Lei das Finanças Regionais, seja por violação dos direitos das regiões, seja por violação do respectivo estatuto político-administrativo".O corte nas transferências para a Madeira, que atingirá os 34 milhões de euros já este ano, tem sido um dos aspectos mais criticados pelos sociais-democratas na nova lei, assim como pelo presidente do Governo Regional da Madeira e líder do PSD-Madeira, Alberto João Jardim.A decisão do chefe de Estado surge depois de os juízes do Tribunal Constitucional terem declarado a 12 de Janeiro último, por maioria, que a nova lei das Finanças Regionais, aprovada na Assembleia da República a 30 de Novembro, não é inconstitucional.A fiscalização preventiva ftinha sido pedida pelo grupo parlamentar do PSD.
in público

05 Fevereiro 2007

MINISTRO ORDENA AVERIGUAÇÃO À INSTRUÇÃO DE PEDIDO DE INDULTO

O ministro da Justiça ordenou sábado à Inspecção-Geral dos Serviços da Justiça uma averiguação à instrução do pedido de indulto apresentado por um familiar de Américo Mendes, um empresário foragido. De acordo com um comunicado do gabinete de imprensa do Ministério da Justiça, a averiguação deverá realizar-se com carácter de urgência, tendo sido fixado o prazo de 15 dias para a sua conclusão. O Expresso noticiou sábado que o Presidente concedeu, no passado Natal, o perdão de uma pena de seis meses de prisão a um proprietário de discotecas em Évora, desconhecendo que o homem já tinha sido condenado, num processo anterior, a quatro anos e meio de cadeia e sobre o qual pendiam vários mandados de captura nacionais e internacionais por ter fugido para o estrangeiro. Citando uma fonte da presidência da República não identificada, o Expresso adianta que a proposta de indulto apresentada pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, vinha acompanhada de pareceres favoráveis, incluindo o do Tribunal de Execução de Penas. De acordo com a notícia, o pedido de perdão, visando a reintegração social do condenado, apontava como atenuante o facto de já ter sido paga uma multa de cerca de 25 mil euros, associada à pena de prisão de seis meses. O Ministério da Justiça alega que não foi informado de quaisquer outras condenações, referindo que os seis meses de prisão seriam parte da pena que faltava cumprir ao empresário.
in Diário Digital / Lusa

02 Fevereiro 2007

SUPREMO RECUSA "HABEAS CORPUS"

"Milhares de portugueses aguardavam esta decisão. Se calhar os que assinaram a petição de habeas corpus estão frustrados." À porta do Supremo Tribunal de Justiça, o advogado Fernando Silva, um dos autores do pedido de libertação do sargento Luís Gomes, em prisão preventiva por via da acusação de sequestro da sua filha, reage ao "não" dos juízes-conselheiros. Ao seu lado, o colega Calisto Melo brande o voto de vencido do único que lhes deu razão, o juiz Santos Carvalho, para quem existe "uma grosseira ilegalidade quanto à qualificação jurídica dos factos, tal como configurados até ao momento", já que os considera inequivocamente enquadrados "no crime de subtracção de menor e não de sequestro agravado, sendo certo que a moldura penal daquele não autoriza nem consente a medida gravosa de prisão preventiva". Com pena até dois anos, a subtracção de menor foi um dos crimes de que Luís Gomes foi acusado, em concurso com o de sequestro. O Tribunal de Torres Novas acabou por concluir que o crime mais grave "consumia" o outro. Para Santos Carvalho, é incontroverso que o crime de sequestro só poderia existir se a sentença que regula o poder paternal e o atribui ao pai biológico já tivesse transitado em julgado. E explica: "Apesar de o recurso que ainda está pendente [interposto pelo casal Luís Gomes/Adelina Lagarto] não ter efeito suspensivo, a sua execução só deveria ser ordenada, no interesse da menor, no momento em que ficasse firmemente fixado o poder paternal, pois a guarda, confiança e educação de uma menor de tenra idade não podem vogar ao sabor das diversas decisões judiciais que se forem produzindo". O juiz critica assim claramente o Tribunal de Torres Novas, que exigiu a entrega da criança antes da decisão do recurso, mas mais: parece dar, tacitamente, razão a Luís Gomes e à sua desobediência. Será por esse motivo que, apesar de a decisão colegial não ter acolhido a pretensão peticionária, Calisto Melo considere que houve "uma vitória: uma vitória da criança, ao fim e ao cabo". E conclui: "Em quatro juízes, houve um que concordou com Portugal inteiro."Se se trata ou não de Portugal inteiro, é discutível. Mas a ideia de justiça popular não anda longe do espírito dos que aclamam o pai "adoptivo" e vaiam o pai biológico e os tribunais. Uma "pressão" que Fernando Silva não reconhece como tal mas que esteve subjacente a parte das suas alegações perante o colectivo de juízes (Silva Santos, Costa Mortágua e o relator Pereira Madeira, para além do já citado), em que afirmou estar-se "a fazer história, fosse qual fosse a decisão, devido ao número de signatários da petição". Fez-se então história. Mas a "justiça" que pediu "de preferência" não saiu como o advogado esperava. Restou o "agitar de consciências" que disse ter sido o principal objectivo do seu gesto. "Estou plenamente convencido que se não tivesse havido toda esta mobilização talvez não estivéssemos nesta expectativa." E cita o facto de se ter assistido, nos últimos oito dias, a mais desenvolvimentos judiciais do caso que nos últimos dois anos.A aceleração notória do ritmo habitualmente tão lento da justiça e a pressão "popular" que a determinou poderão ter sido factores determinantes da decisão do Supremo. De facto, o colectivo esteve longe de certificar que a prisão preventiva de Luís Gomes não é ilegal. Aliás, reconhece que "o aspecto jurídico da questão se apresenta altamente problemático", "discutível" e "não consensual". Mas, vendo "os factos a considerar" como "ainda provisórios e não devidamente estabilizados", remete para as instâncias clássicas de recurso a resolução das dúvidas suscitadas e de eventuais ilegalidades. Até porque, frisa, seria necessário, para que o pedido de habeas corpus "passasse", que se ajuizasse a dita ilegalidade como "grosseira".
in DN

31 Janeiro 2007

ABERTURA DO ANO JUDICIAL

O procurador-geral da República (PGR), Fernando Pinto Monteiro, vai estar ausente da sessão solene de abertura do ano judicial, que decorre esta quarta-feira à tarde. Segundo a agência Lusa, essa ausência deve-se à morte de um familiar próximo. Pinto Monteiro teve de deslocar-se à Beira Alta para o funeral, pelo que não poderá comparecer na sessão solene no Supremo Tribunal de Justiça, que tem início marcado para as 15h30. Ao meio dia, haverá na Sé de Lisboa uma missa solene também a assinalar a abertura do ano judicial. O actual PGR falha, assim, a sua primeira abertura do ano judicial nas actuais funções. O seu discurso será lido pelo vice-PGR, Mário Gomes Dias. Esta será, mesmo com esta ausência, uma sessão de estreias. Será a primeira vez que Noronha do Nascimento participa nesta cerimónia como presidente do Supremo Tribunal de Justiça e também será a primeira vez que o Cavaco Silva discursará na abertura de um ano judicial. Este será o primeiro grande discurso do PR sobre justiça. Cavaco apelou e ‘apadrinhou’ o pacto para a justiça e, no seus discurso de ano Novo, pediu resultados nesta área, mas ainda não fez um discurso só dedicado a este tema. O PR poderá aproveitar a ocasião para mostrar algum descontentamento com o excesso de visibilidade e de protagonismo de vários casos judiciais. Na posse do novo procurador-geral da República, em Outubro, Cavaco Silva pediu «discrição na acção e visibilidade nos resultados».
Recentemente, contudo, tem havido muita visibilidade na acção. Casos como a divulgação do despacho na Internet de Maria José Morgado sobre o processo Apito Dourado, o facto de quase diariamente haver noticias sobre este processo que resultam de fugas de informação, assim como as declarações de Pinto Monteiro no Parlamento de que não há solução para acabar com as violações do segredo de justiça não agradam ao Presidente. A abertura do ano judicial conta ainda com discursos do bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, e do ministro da Justiça, Alberto Costa.


in Sol

26 Janeiro 2007

PJ INVESTIGA AVALIAÇÃO INFLACIONADA DO PARQUE MAYER

A investigação que está a ser levada a cabo pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público na Câmara Municipal de Lisboa (CML) abrange a avaliação inflacionada dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular mas poderá estender-se também a outros negócios feitos pela autarquia lisboeta. Um desses negócios, apurou o DN, é o da venda de lotes no vale de Santo António sem planos de pormenor, que abriu uma crise na bancada socialista com a demarcação do vereador Nuno Gaioso Ribeiro, que assumiu um voto contra a orientação do partido. Mais tarde, Nuno Gaioso Ribeiro apresentou uma queixa-crime ao Ministério Público que já está a ser investigada.No caso do negócio entre a CML e a Bragaparques, a análise dos inspectores da PJ incide no valor estipulado para as permutas dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. Em causa está, segundo apurou o DN, essencialmente um crime de participação económica em negócio. Isto é, a decisão de permuta de terrenos pelo valor de 54 milhões de euros terá prejudicado o interesse público, na medida em que os terrenos do Parque Mayer (propriedade da Bragaparques) terão sido sobreavaliados por duas empresas. Recorde-se que, em 1999, a Bragaparques comprou os terrenos por 13 milhões de euros. Em 2005, já valiam 54 milhões.De acordo com vários documentos a que o DN teve acesso e que já estão na posse dos inspectores, os terrenos do Parque Mayer foram avaliados, numa primeira fase, em nove milhões de euros pela empresa Benege. A mesma que avaliou os terrenos da Feira Popular, primeiro, por 22,870 milhões de euros e, depois por 35 milhões. Posteriormente, a empresa Richard Ellis fez uma avaliação de 60 milhões de euros para o Parque Mayer. Ora, tais documentos, à excepção dos que relatavam a avaliação feita pela Benege em nove milhões de euros, acabaram por estar na base do negócio da permuta entre os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular, aceite pela CML. Porém, e tal como a vereação do PCP tinha já argumentado junto do Tribunal Administrativo de Lisboa, até que ponto é que estes valores poderiam ser considerados reais, tendo em conta que, à data dos factos, não tinham sido sequer aprovados instrumentos fundamentais de ordenamento, como Plano de Pormenor para a zona do Parque Mayer e Plano de Alinhamento das Cérceas da Avenida da República. Por outro lado, os investigadores tentam apurar de que forma é que a autarquia atribuiu um valor aos terrenos situados junto à Avenida da Liberdade semelhante aos definidos para os de Entrecampos quando o espaço do Parque Mayer se insere numa zona de protecção especial do Jardim Botânico e integra um monumento classificado de interesse público, o Capitólio, as quais são duas condicionantes à construção.Investigação pode alargarMas esta investigação deverá estender-se a outras decisões camarárias, nomeadamente à venda de lotes no Vale de Santo António, na Penha de França, segundo confirmou ao DN fonte policial. O elo de ligação parece estar no facto de os lotes terem sido adjudicados, embora por concurso público, sempre ao mesmo grupo empresarial, a Sociedade de Construção João Bernardino Gomes, SA. Empresa que em Julho de 2005 se apresentou como candidato número quatro à licitação dos terrenos da Feira Popular, com uma das propostas mais elevadas, mas que desistiu do processo na hasta pública sem contestação. Segundo a acta da hasta pública, o valor da licitação verbal foi o apresentado pela empresa de Bernardino Gomes, 61,950 milhões de euros, após duas outras empresas, os candidatos número cinco e seis, designados como Barcelos & Fonseca Imobiliária e Barcelos e Fonseca, Comércio e Serviços, Lda., que apresentaram, respectivamente, valores de 69,001 milhões de euros e de 69,100 milhões, terem abandonado o negócio. O valor mais alto era assim o de Bernardino Gomes. No entanto, nenhum dos candidatos avançou. O presidente da Comissão da Hasta Pública questionou a Bragaparques, que levava das propostas mais baixas, 57,171 milhões de euros, se queria exercer o direito de preferência, que aceitou.
in DN

24 Janeiro 2007

"PAI ADOPTIVO" PRESO: CONSELHO SUPERIOR DA MAGISTRATURA OUVIU JUIZES QUE PRESIDIRAM AO JULGAMENTO

O Conselho Superior da Magistratura reuniu ontem em plenário e, depois de ouvidos os juízes que presidiram ao julgamento do homem preso por se recusar a cumprir a ordem do tribunal - que manda entregar a criança que acolheu aos três meses ao pai biológico -, decidiu publicar no seu site todos os elementos relativos ao processo de regulação do poder paternal da menor.
"Porque tanto o Acórdão como a sentença ainda aguardam decisão nos recursos deles interpostos, não deve o Conselho Superior da Magistratura, dadas as suas competências, pronunciar-se sobre a bondade do seu conteúdo, nem adiantar, por agora, outras considerações relativamente à complexa situação que o próprio sistema veio a gerar e que não poderá, oportunamente, deixar de merecer uma avaliação cuidada promotora das correcções que vierem a ter-se por recomendáveis", disse o CSM em comunicado.Também ontem, com mais de dez mil assinaturas, o pedido de habeas corpus para libertar o pai adoptivo foi entregue no Tribunal de Torres Novas. O professor universitário Fernando Silva, promotor da iniciativa, manifestou "clara confiança na justiça portuguesa", à saída do tribunal. Acompanhado pelo director do Refúgio Aboim Ascensão, Luís Villas Boas, e pela jurista Clara Sottomayor, Fernando Silva salientou ser "a primeira vez na história da jurisprudência portuguesa" que é entregue um pedido de habeas corpus "que não é peticionado por uma pessoa, mas por dez mil"."Conheço peças processuais do processo e conheço o fundamento que me leva a fazer esta petição", esclareceu. Fernando Silva considera que o Supremo Tribunal de Justiça que vai apreciar o pedido nos próximos oito dias não é "pressionável", mas "obviamente vai ter em atenção que são dez mil assinaturas". E pede apenas a análise jurídica do processo e da sentença do Tribunal de Torres Novas que condenou o militar a seis anos de cadeia por um crime de sequestro.Para os subscritores, não estão reunidos os "pressupostos de um crime de sequestro". A existir crime será o de "subtracção de menores", que nem sequer tem moldura penal que justifique a prisão preventiva", afirma o professor universitário de Direito Penal. Fernando Silva recordou ainda que o STJ já se pronunciou favoravelmente, em Setembro de 2006, relativamente a um pedido de habeas corpus numa "circunstância jurídica bastante semelhante a esta".O procurador Dinis Cabral Silva, que, entretanto, já marcou uma conferência entre as partes para o próximo dia 30, de forma a debater a forma de entregar a criança ao pai biológico, será recebido, amanhã, pelo procurador-geral da República, que decidiu convocá-lo, atendendo ao alarme social que o caso está a gerar. A mãe biológica da criança, a brasileira Aidida Porto, que surgiuem defesa do casal candidato a adopção, também deverá participar na conferência convocada pelo Ministério Público. Aidida Porto já declarou que estará disponível para reclamar a guarda da menina, caso o tribunal mantenha a decisão de entregar a criança ao pai biológico.Prosseguem, por outro lado, as buscas para encontrar a mulher que se escondeu com a menina que acolheu aos três meses para adopção, negando-se a entregá-la ao pai biológico. Todos os órgãos de polícia criminal, PJ, PSP e GNR de Leiria, receberam ordens do Tribunal de Torres Novas para capturar a mulher e retirar-lhe a menina, confirmou ao PÚBLICO o advogado José Luís Martins, defensor do pai biológico.Quando localizada, a mulher deverá ser imediatamente detida, de forma a dar cumprimento à ordem judicial. Acusada de sequestro agravado, tem um prazo de 30 dias para se apresentar. Se não o fizer, será considerada contumaz (designação para as pessoas que se recusam a apresentar a tribunal para serem julgadas e que são privadas de todos os direitos de cidadania). O advogado do pai biológico, Baltazar Nunes, manifestou-se inconformado com o facto de as autoridades não terem conseguido cumprir a ordem do tribunal para encontrar a criança e a mãe adoptiva.
in público

21 Janeiro 2007

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE NOVA CONFERÊNCIA PARA ENTREGA DE CRIANÇA

Ministério Público de Torres Novas pediu uma nova conferência com todas as partes para negociar a entrega da menina de cinco anos disputada pelo pai adoptivo e pelo casal que a criou, disse hoje fonte judicial. A conferência está marcada para o próximo dia 30 de Janeiro e foi pedida pelo procurador de Círculo, Dinis Cabral, que acompanhou o caso de sequestro em que o pai adoptivo, Luís Gomes, foi condenado a seis anos de prisão.O pedido de uma nova conferência surge na sequência das declarações do arguido, que, nas alegações finais de 5 de Janeiro, admitiu permitir o regresso da menor ao pai biológico, mas sem esclarecer em que condições.“Estou aberto a uma entrega da criança”, disse então Luís Gomes.Pais biológico e pai adoptivo frente a frentePerante isto, o procurador solicitou a marcação de uma nova conferência ao abrigo do processo de exercício do poder paternal, onde deverão estar o pai biológico e o adoptivo, desconhecendo-se se a mãe e a filha, agora em parte incerta, quererão comparecer.De acordo com a mesma fonte, a reunião poderá contar com a presença de um procurador especializado em questões de menores.Em caso de acordo na conferência, poderá ser assegurada uma passagem da guarda dos pais adoptivos para o progenitor de forma a respeitar o superior interesse da criança.A menina, quase a fazer cinco anos, vê nos pais adoptivos os verdadeiros progenitores e nunca conheceu o pai biológico.
in público

20 Janeiro 2007

CNE EXCLUI 3 MOVIMENTOS PELO"NÃO" E 1 PELO"SIM"

A Comissão Nacional de Eleições excluiu da campanha do referendo de 11 de Fevereiro três grupos de cidadãos pelo 'não' à despenalização do aborto e um pelo 'sim', referiu hoje à Agência Lusa o porta-voz da entidade .O «Diz que não», o «Nordeste pela Vida», o «Diz não à discriminação» e o «Sim pela Liberdade» foram os quatro movimentos excluídos da participação na campanha indicou o porta-voz da CNE, Nuno Godinho de Matos. A deliberação foi tomada quinta-feira em reunião plenária da CNE, que enviou hoje ao final da tarde as notificações aos grupos excluídos, adiantou a mesma fonte. Os grupos de cidadãos hoje notificados terão um prazo de 24 horas [excluindo o sábado e o domingo] para recorrer da decisão da CNE para o Tribunal Constitucional, que avaliará da legalidade da deliberação daquela entidade. A CNE avalia a regularidade das assinaturas por processo de amostragem, como prevê a lei, tendo nos quatro casos «encontrado discrepâncias de identidade».«Ou o nome não correspondia ao número do bilhete de identidade ou a identidade não correspondia ao número do recenseamento», referiu Godinho de Matos. Se os movimentos recorrerem da decisão para o Tribunal Constitucional e este der razão à CNE, serão 17 os grupos de cidadãos eleitores a participar na campanha com direito a atribuição de tempos de antena: cinco pelo 'sim' e 12 pelo ' não'
in SOL

17 Janeiro 2007

SEGURANÇA SOCIAL: NOVA LEI DE BASES ENTRA HOJE EM VIGOR

A nova lei de Bases da Segurança Social, que prevê, entre outras medidas, a introdução de um factor de sustentabilidade que liga a esperança média de vida ao cálculo das pensões, entra esta quarta-feira em vigor. A lei que aprova as bases gerais do sistema de Segurança Social, publicada terça-feira em Diário da República, entra em vigor hoje, à excepção do indexante dos apoios sociais e actualização do valor das prestações que começou a vigorar no início de Janeiro.A nova Lei de Bases da Segurança Social foi aprovada no dia 14 de Dezembro em votação final global apenas com os votos da maioria socialista, merecendo a reprovação de toda a oposição parlamentar.A lei, promulgada pelo Presidente da República na passada semana, foi alvo de um acordo em sede de concertação social, que deixou apenas de fora a CGTP que recusou subscrever o documento por não concordar com os seus princípios.A reforma da Segurança Social assenta na introdução de um factor de sustentabilidade que poderá levar os cidadãos a trabalhar um pouco para além da idade da reforma, descontar um pouco mais ou receber um pouco menos de pensão.Prevê, também, a antecipação da entrada em vigor da nova fórmula de cálculo de pensões, com base em toda a carreira contributiva, estabelece a protecção das longas carreiras contributivas, a limitação das pensões mais altas, a promoção do envelhecimento activo e o reforço do combate à fraude e evasão contributiva, entre outras medidas.A introdução de um novo indexante para os aumentos anuais das pensões, com base na inflação e no crescimento económico, está igualmente consagrado na lei, mas já entrou em vigor no início do ano. A reforma prevê ainda a possibilidade de criar, para cada beneficiário aderente, contas individuais geridas em regime financeiro de capitalização.O regime público de capitalização é um regime de adesão voluntária individual, cuja organização e gestão é da responsabilidade do Estado, que visa a atribuição de prestações complementares das concedidas pelo sistema previdencial, tendo em vista o reforço da protecção social dos beneficiários.A lei, publicada terça-feira, apenas estabelece os princípios da reforma, tendo em conta que algumas matérias, como, por exemplo, a introdução do factor de sustentabilidade, carecem de regulamentação.
in Diário Digital / Lusa

MARIA JOSÉ MORGADO PELO SIM NO REFERENDO

A procuradora-geral adjunta Maria José Morgado defendeu hoje que o aborto ilegal "é um negócio de dinheiro sujo" que potencia a corrupção, comparando algumas clínicas que realizam abortos em Portugal às "slot machines" dos casinos.
"Há clínicas em Portugal que são 'slot machines' de ganhar dinheiro", afirmou Maria José Morgado, numa conferência, na Assembleia da República, organizada pelo grupo parlamentar do PS e intitulada "Sim à Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez".Para a procuradora-geral adjunta,"o aborto ilegal é um negócio que produz dinheiro sujo, que não é tributado"."Estes fenómenos potenciam a corrupção, a venalidade e crimes de enriquecimento ilícito", acusou. No entanto, alertou Maria José Morgado, "a lei não é uma varinha mágica". "Mas é desejável que existam regras, maior controlo, a clandestinidade é o vale-tudo", afirmou.Lei actual é "injusta" e "excessiva"A procuradora-geral adjunta, assumida defensora do "sim" no referendo de 11 de Fevereiro, considerou a lei actual "injusta, excessiva e que não corresponde à censurabilidade social" da prática de aborto."A norma perdeu a força. Mantê-la no Código Penal, para lá de ser uma hipocrisia, pode ser uma porta aberta para excessos totalitários", considerou Morgado, manifestando a sua concordância com uma "descriminalização relativa" do aborto até às dez semanas.Maria José Morgado deixou ainda algumas críticas à classe médica, lamentando que não reconheça mais frequentemente o perigo para a saúde psíquica da mulher como um motivo para a realização de aborto legal."A opinião médica tem sido excessivamente restritiva, autista e até insensível na indicação de causas para a saúde psíquica", criticou.
in público

12 Janeiro 2007

ALUNOS DE QUÍMICA QUEREM INDEMNIZAÇÃO DO ESTADO

As famílias de 75 estudantes que no mês de Agosto interpuseram uma providência cautelar visando anular o regime de excepção criado nos exames de Química do 12.º ano deverão avançar com um pedido de indemnização por perdas e danos causados pelo Estado.Alexandre Zeferino, o advogado que em Agosto de 2006 interpôs a providência cautelar em nome destas famílias, no Tribunal Administrativo de Lisboa, disse ao DN ainda estar "na expectativa para conhecer a decisão" sobre esta matéria. Porém, admitiu que dado o tempo decorrido, e as consequências já causadas, o pedido de indemnização "deverá ser o próximo passo".Em Julho, na sequência dos maus resultados da primeira fase de exames de Física e Química, que o Governo atribuiu ao facto de os programas das disciplinas terem sido "tardiamente aprovados", o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, emitiu um despacho interno onde se dava uma nova oportunidade a estes alunos. Foi lhes permitido fazer os exames da segunda fase, escolhendo a melhor nota entre as duas provas, e concorrer ao ensino superior ainda na primeira leva de candidaturas. Este regime, permitiu a cerca de quatro mil alunos melhorarem as suas notas de ingresso no ensino superior. O problema é que terá também prejudicado cerca de dez mil, que por uma questão de estratégia de estudo tinham optado por fazer as provas, sobretudo a de Química, apenas na segunda fase.Deste alunos, apenas seis, até agora, foram autorizados a fazer também uma segunda prova, na sequência de decisões judiciais sobre acções movidas a título individual. Pelo menos dois deles acabaram por obter médias para entrar em Medicina na Universidade de Coimbra, e o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior teve de abrir essas vagas adicionais.
in DN

10 Janeiro 2007

TRIBUNAL DE CONTAS PROMETE INVESTIGAR PROCESSO DO TÚNEL DO ROSSIO

O presidente do Tribunal de Contas prometeu hoje que a entidade que fiscaliza as contas públicas vai investigar o atraso e a derrapagem financeira da obra do túnel do Rossio, em Lisboa, que está parada.
O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, lembrou que há prazos que não estão a ser cumpridos e situações financeiras estranhas, durante uma aula para alunos universitários da Faculdade de Direito de Lisboa.Em declarações aos jornalistas, à margem da aula, garantiu que o órgão a que preside "irá debruçar-se sobre essa questão, no âmbito das suas competências".O Tribunal de Contas tem como missão assegurar que os dinheiros públicos são gastos de forma eficiente e segundo as leis.O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, assegurou ontem que as obras de reabilitação do túnel do Rossio estarão concluídas até ao final deste ano.Está estimado que a obra custe 39,5 milhões de euros, mais 6,5 milhões de euros do que o inicialmente previsto.O túnel do Rossio foi encerrado pela Refer em Outubro de 2004, por razões de segurança de circulação.Posteriormente, a 6 de Outubro de 2006, a Refer anunciou a rescisão do contrato com o consórcio Teixeira Duarte/Epos, que efectuava desde o ano anterior a reabilitação do túnel. A empresa pública justificou a rescisão alegando que as alterações ao contrato propostas pelos empreiteiros "não evidenciam qualquer vantagem para o dono de obra" e tinham "elevados riscos de concretização, sem garantia de fiabilidade do cumprimento do prazo objectivo".A obra de reabilitação foi adjudicada ao consórcio liderado pela Teixeira Duarte em Julho de 2005, por 32 milhões de euros, com um prazo de execução de 13,5 meses.A obra deveria, por isso, ter terminado entre Agosto e Setembro de 2006, algo que não se verificou.
in público

08 Janeiro 2007

VEÍCULOS SEM SEGURO SERÃO APREENDIDOS E VENDIDOS

Os veículos acidentados que não possuam seguro automóvel obrigatório serão apreendidos e vendidos, se não forem reclamados no prazo de 45 dias, a partir do segundo semestre deste ano. Esta é uma das medidas destinadas a reforçar a penalização sobre os condutores sem seguro previstas na quinta directiva do contrato de seguro automóvel, que tem de ser transposta até 11 de Junho deste ano.A nova regra visa reforçar a penalização dos condutores sem seguro e, desta forma, aumentar a protecção das pessoas lesadas por acidentes de viação. De acordo com a segunda versão do anteprojecto de transposição da directiva, que estará em consulta pública até quarta-feira, em sinistros com veículos não segurados, estes são apreendidos, ficando à ordem do Fundo de Garantia Automóvel (FGA). Esta entidade, que substitui as seguradoras no pagamento da indemnizações às vítimas, deve proceder à venda do veículo, "se a apreensão se prolonga por mais de 45 dias", refere a proposta de diploma disponibilizada pelo Instituto de Seguros de Portugal (ISP).Antes de avançar para a alienação do automóvel, o FGA tem de notificar o proprietário da sua apreensão no prazo de 10 dias após a identificação da sua identidade se no momento do sinistro não for este o condutor do veículo. A apreensão pode também terminar com a apresentação de prova da existência do seguro ou, no caso deste não existir, com o pagamento de uma caução no valor do veículo à data do acidente, a fixar pelo FGA. Em qualquer destas duas situações, caberá sempre ao dono do veículo ressarcir o Fundo das despesas de apreensão e conservação do automóvel. Além disso, o FGA não poderá ser responsabilizado pela deterioração do veículo durante a apreensão. Se o carro não for reclamado, o Fundo procederá à sua alienação, desde que a transmissão da propriedade "não prejudique inquérito ou instrução" que estejam a ser conduzidos pelas autoridades judiciais pelo facto de o veículo ter sido instrumento de crime. O valor da transacção será determinado pelo próprio FGA ou através de um processo de arbitragem, e o produto da venda destinar-se-á a compensar o Fundo "dos danos do acidente e demais despesas de regularização e para o pagamento das despesas de apreensão, conservação e venda do veículo". O valor remanescente será destinado ao proprietário, mas se este não o reclamar no prazo de 120 dias, o dinheiro reverterá a favor do FGA, prevê o anteprojecto de diploma.Actualmente, as autoridades judiciais já estão autorizadas a apreender veículos que circulem sem o documento comprovativo da efectivação do seguro, segundo prevê o Código da Estrada. No entanto, é a primeira vez que se cria a possibilidade de os automóveis sem seguro envolvidos num sinistro serem vendidos.
in DN

06 Janeiro 2007

DÍVIDA FISCAL DO CONTRATO DE JOÃO PINTO JÁ PRESCREVEU

A alegada dívida Fiscal do futebolista João Pinto ao Estado, face aos impostos nunca pagos sobre os 3,2 milhões de euros contratualizados aquando da sua transferência para o Sporting, já prescreveu, anuncia hoje o jornal Público.
De acordo com o diário «o prazo de prescrição da reposição fiscal é de quatro anos, o que leva a que a obrigatoriedade do seu pagamento tenha caducado em 2006», uma vez que «o último pagamento foi feito em 2002».
«Quando João Pinto foi ouvido pela primeira vez na Polícia Judiciária, ainda haveria hipótese de o Estado ser ressarcido (em cerca de 640 mil euros)», mas, agora, isso já não é possível.
Desta forma, «restará o eventual crime de abuso de confiança fiscal, punível de um a cinco anos de prisão, que poderá, ou não, vir a ser imputada ao jogador após a conclusão do inquérito», avança ainda o Público.
Pelo contrário, o Expresso anuncia que «João Pinto tem de pagar um milhão de euros ao fisco», depois de ter admitido à Polícia Judiciária que «recebeu 3,2 milhões de euros do Sporting».
Citando uma fonte próxima do processo, o semanário escreve que em causa está «uma dívida a rondar os 700 mil euros, a que serão acrescidos juros de mora de um por cento por cada mês em atraso e uma coima que varia de caso para caso».
«O jogador terá de pagar um milhão de euros. Se pagar, o processo acabou para ele», explicou a mesma fonte ao Expresso, segundo o qual João Pinto «não foi indiciado por falsas declarações porque não prestou juramento quando foi interrogado pela polícia».
No interrogatório de quarta-feira, João Pinto «admitiu que recebeu o dinheiro», o que terá acontecido «para se proteger», já que «o jogador e o empresário que o representava, José Veiga, utilizaram a empresa inglesa Goodstone para fugirem ao pagamento de IRS».
O futebolista que milita agora no Sporting de Braga terá dito ainda que recebeu do Sporting quatro milhões de euros «livres de impostos», tese que o advogado «leonino» Rui Patrício negou sexta-feira, em declarações à Agência Lusa.
De acordo com os dois jornais, «José Veiga continua arguido no processo», uma vez que «pode ser indiciado de co-autoria no crime de evasão fiscal».
O caso remonta a 2000, quando, após rescindir contrato com o Benfica, João Pinto assinou pelo Sporting, clube no qual actuou quatro temporadas (2000/2001 a 2003/2004).
in Diário digital

04 Janeiro 2007

PACTO PARA A JUSTIÇA NO PARLAMENTO

Ontem, na conferência de líderes parlamentares, ficou decidido que os diplomas da revisão do Código Penal, do Código de Processo Penal e a Mediação Penal serão agendados para discussão e votação na Assembleia da República durante o próximo mês de Fevereiro. Mas quer Celeste Correia (deputada do PS, membro da mesa da presidência da AR), quer Bernardino Soares (líder parlamentar do PCP), quer Osvaldo Castro (presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais) terão ontem admitido que os vários diplomas deveriam ser discutidos e votados na generalidade entre Fevereiro e Abril de 2007, o que o líder parlamentar do PSD, Marques Guedes, contesta. "Não é nada disso, discutiu-se de facto a forma de guardar espaços na agenda para discutir os diplomas mas ninguém se comprometeu a fazer tudo até Abril. Aliás, nem seria possível, pois o calendário prevê que várias matérias sejam discutidas durante todo o ano de 2007."Dias depois de o Presidente da República ter pedido "progressos claros" na área da justiça na sua mensagem de Ano Novo, PS e PSD estão unidos na apresentação de uma série de medidas do pacto, mas ligeiramente dissonantes quanto à necessidade ou não de acelerar os prazos. Segundo Cavaco Silva, "2007 é o ano em que devem ser concretizados passos decisivos para a melhoria do funcionamento do sistema de justiça. No ano passado, reduziu-se alguma da crispação que marcava o sector da justiça. Foi mesmo possível chegar a um entendimento político alargado com vista à credibilização e ao reforço da confiança no sistema judicial. Dos protagonistas deste sector espera-se um contributo activo para a eficiência do sistema de justiça".O acordo político-parlamentar para a reforma da justiça celebrado entre o PS e o PSD em Setembro do ano passado contempla uma série de medidas, mas também várias orientações gerais sobre as consultas entre os partidos, a forma de apresentação, a votação no Parlamento e os prazos a seguir. Se o PSD já tem a maior parte do trabalho feito desde Março do ano passado, o Governo também está a tratar da sua parte do acordo com alguma celeridade e tem já praticamente prontas as propostas em matéria de Código Penal e de Processo Penal e Mediação Penal. A partir do momento em que as propostas sejam apresentadas e discutidas, PS e PSD comprometeram-se a articular-se para que a votação final global na AR se dê no máximo em 60 dias.
in DN

03 Janeiro 2007

FISCO PENHORA CRÉDITOS

Direcção Geral de Impostos está a penhorar os créditos das empresas que têm dívidas fiscais e que prestaram serviços a entidades públicas. De acordo com o jornal "Público", o processo está a decorrer desde 29 de Dezembro e deverá concluir-se até ao final da semana.
Em vez de se penhorarem bens das empresas, o que acontece nesta nova situação é que o Fisco retém o pagamento dos serviços que a empresa devedora prestou a entidades públicas. Desta forma, a Direcção Geral de Impostos (DGCI) salda as dívidas da empresa que estejam em execução fiscal. No fundo, uma empresa com dívidas ao Fisco que tenha prestado serviços a uma entidade pública e que ainda não tenha recebido o pagamento já não o receberá. O pagamento que a entidade pública faria para pagar o serviço serve agora para saldar a dívida fiscal da empresa. Poderá ser utilizado todo o fundo do pagamento pelo serviço prestado, ou pelo menos parte desse pagamento, já que o montante de imposto em dívida será sempre subtraído do valor do serviço. É junto da entidade pública que a Direcção Geral dos Impostos faz a penhora. Para saldar as dívidas fiscais nestas condições a DGCI teve que cumprir formalidades legais, nomeadamente as previstas no Código de Procedimento e Processo Tributário. Esta prática já está a ser aplicada desde 2004 em empresas que tenham prestado serviço a entidades privadas e só agora é que o mesmo acontece para empresas cujo crédito é sobre entidades públicas. Ao contrário das primeiras, as entidades públicas não estão sujeitas à obrigação de informar a DGCI sobre os seus clientes ou fornecedores.
in SIC

02 Janeiro 2007

NOVAS REGRAS NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO

No final de Novembro, o universo de desempregados que recebiam subsídio rondava os 290 mil. Ainda não se conhecem os números do mês passado, mas já se sabe que a partir de agora os beneficiários vão estar sujeitos a regras mais apertadas. Provar que estão a procurar trabalho de forma activa e deslocar-se de 15 em 15 dias aos Centros de Emprego ou entidades designadas pelo Instituto de Formação Profissional são algumas das novas regras. Esses locais vão ter acesso ao chamado Plano Pessoal de Emprego, uma ficha individual onde constam os dados mais relevantes da pessoa e que vai ser determinante na procura de emprego. As novas regras deixam também pouco espaço para recusas. O conceito de emprego conveniente obriga os candidatos a aceitar ofertas em que as despesas de deslocação sejam inferiores a 10 por cento do salário bruto e em que o tempo casa-emprego seja inferior a 25 por cento do horário de trabalho. A única excepção é aberta para quem tem filhos e pessoas dependentes a seu cargo. Quem recusar propostas de emprego que preencham estes requisitos arrisca-se a ficar sem subsídio pelo menos durante três meses. Agora para se poder ter direito ao subsídio tem de se ter pelo menos 450 dias de trabalho nos últimos dois anos. Quanto menor for o período de emprego, menor é o subsídio, embora haja uma verba social destinada a quem trabalhou pelo menos 180 dias. A idade vai condicionar o período de duração do subsídio. Neste campo os mais velhos beneficiam deste apoio durante mais tempo.

01 Janeiro 2007

ESLOVÉNIA ADERE À ZONA EURO

A Eslovénia, "aluna exemplar" desde que aderiu à União Europeia, troca hoje a sua divisa nacional, o tolar, pela moeda única europeia, tornando-se o 13º país da União Europeia a aderir à Zona Euro, que comemora também hoje o oitavo aniversário.
A pequena ex-república jugoslava é o primeiro dos dez mais recentes Estados da UE, que aderiram em 2004, a adoptar a moeda única europeia. Um euro vai valer 239,54 tolares eslovenos.Depois da Grécia, que substituiu a dracma pelo euro em 2001, a Eslovénia protagoniza o segundo alargamento da Zona Euro (União Económica e Monetária europeia), que foi fundada há oito anos, a 1 de Janeiro de 1999 por onze países da UE, entre os quais Portugal. A Zona Euro foi efectivamente criada no início de 1999, com a criação do Banco Central Europeu (BCE) e a aprovação de paridades fixas da divisa única face às moedas nacionais dos onze países fundadores, mas as notas e moedas do euro apenas foram colocadas em circulação a 1 de Janeiro de 2002, três anos depois.Com dois milhões de habitantes, a Eslovénia vai juntar-se a Portugal, Alemanha, França, Itália, Espanha, Finlândia, Irlanda, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Áustria e Grécia, aumentando para 316,6 milhões de habitantes a população coberta pela Zona Euro.O nível de riqueza relativa da Eslovénia (Produto Interno Bruto medido em paridades de poder de compra face ao médio na UE) é crescente e já muito superior ao de Portugal: nos últimos três anos, passou de 77 por cento, em 2003, face ao médio europeu, para 80, em 2004, e 82 por cento, em 2005, contra uma regressão em Portugal, no mesmo período, de 73 para 71 por cento.Devido ao seu sólido crescimento económico e à evolução positiva dos seus principais indicadores macroeconómicos, o país é considerado um "aluno exemplar" desde que aderiu à UE a 1 de Maio de 2004, juntamente com outros sete ex-países comunistas do Leste europeu e as ilhas mediterrânicas de Chipre e de Malta.
in público

ROMÉNIA E BULGÁRIA CELEBRAM ENTRADA NA UNIÃO EUROPEIA

A Roménia e a Bulgária celebraram à meia-noite, hora local (22h00 em Lisboa), a sua entrada na União Europeia, que a partir de agora terá 27 estados membros. Os líderes romenos e búlgaros frisaram, nos seus discursos alusivos à data, que o sucesso dos dois novos Estados-membros depende apenas de si mesmos.
A Roménia, que celebrou à meia-noite (22h00 de ontem em Lisboa) a sua entrada na União Europeia, "chegou ao fim de um caminho, mas um novo caminho, o da alegria, começa", declarou o Presidente Traian Basescu. Discursando para a multidão que se reuniu na praça da Universidade em Bucareste para comemorar a entrada na UE, Presidente romeno afirmou que este acontecimento histórico "representa uma enorme oportunidade para a geração mais jovem"."Dentro de alguns instantes começa o ano da nossa dignidade", proclamou o chefe de Estado pouco antes da meia-noite.Basescu "agradeceu" aos romenos terem tornado possível a entrada do país na UE e pediu-lhes que sejam "corajosos" e passem a "decidir, a partir de agora, o seu destino".A seguir, o Presidente atravessou uma simbólica "ponte da integração" com a bandeira azul da UE, sob os aplausos da multidão. Já o Presidente búlgaro, Georgui Parvanov, num discurso difundido pela rádio e pela televisão, qualificou o 1 de Janeiro de 2007 de "uma das datas mais importantes da história nacional". Contudo, "os futuros êxitos como nação não dependerão dos fundos e dos recursos dados pela UE mas do nosso próprio trabalho", frisou.Por seu lado, o primeiro-ministro romeno, Calin Tariceanu, reconheceu que o processo de entrada na UE foi "muito difícil" e que há ainda caminho a percorrer em direcção à integração."Desejando as boas-vindas aos dois novos membros da nossa família, sabemos que a nossa cultura e a nossa herança serão mais ricas e que isso favorecerá as nossas relações mútuas, assim como a nossa economia", declarou o Presidente da Comissão europeia, Durão Barroso.Dezassete anos após a queda do comunismo, dezenas de milhares de pessoas festejaram em Bucareste e Sófia e todas as grandes cidades dos dois países, os mais pobres da Europa alargada, a sua entrada na UE.Com a entrada da Roménia e da Bulgária, a União passa a contar com 27 membros e mais de 480 milhões de habitantes.
in público

29 Dezembro 2006

TRIBUNAL CONSTITUCIONAL DECLAROU A NÃO INCONSTITUCIONALIDADE DA NOVA LEI DAS FINANÇAS LOCAIS

O Tribunal Constitucional decidiu por maioria declarar constitucional a nova Lei das Finanças Locais enviada pelo Governo ao Presidente da República.
Votaram a favor da constitucionalidade 10 dos 13 juízes do tribunal. O Tribunal Constitucional (TC) anunciou hoje não ter encontrado qualquer inconstitucionalidade nos dois artigos da Lei das Finanças Locais que permitem às autarquias dispor de cinco por cento do IRS dos seus munícipes.
O acórdão do TC, que foi lido hoje à tarde, responde às dúvidas do Presidente da República, que, no passado dia 14, fez um pedido de fiscalização preventiva, com carácter de urgência, dos artigos 19.º n.º1 alínea c) e 20.º da Lei das Finanças Locais (LFL). Em causa estava a possibilidade de as autarquias decidirem como dispor até cinco por cento do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS) cobrado aos munícipes nos seus concelhos, podendo fazer baixar a taxa até àquele limite como opção de política autárquica. As dúvidas sobre a constitucionalidade daqueles artigos haviam sido levantadas desde o início pela Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que as inseriam no rol das críticas à lei da iniciativa do Governo, na qual se estabelece um férreo limite ao endividamento das autarquias com sanções pecuniárias, bem como a fixação de limites anuais para as despesas autárquicas com pessoal. Mas Cavaco Silva apenas teve dúvidas quanto à questão relativa ao IRS, sendo previsível que agora proceda à promulgação da lei.

27 Dezembro 2006

NOVO REGIME DE CONTRATAÇÃO DE PROFESSORES

A negociação suplementar do novo regime de contratação de professores, que permite às escolas o recrutamento directo através de anúncios nos jornais, terminou esta quarta-feira sem o acordo dos sindicatos, que apontam ilegalidades e receiam o aumento da precariedade.
O diploma proposto pela tutela prevê que as escolas possam contratar professores directamente a partir do primeiro período de aulas, em situações como a substituição de docentes de baixa ou licença de maternidade, o recrutamento de formadores para áreas mais técnicas dos cursos profissionais ou o desenvolvimento de projectos de enriquecimento curricular e combate ao insucesso.
De acordo com o documento, os estabelecimentos de ensino podem iniciar, já a partir de Janeiro, processos autónomos de recrutamento de docentes, com quem estabelecem contratos individuais de trabalho, uma medida que, segundo o Ministério da Educação, visa garantir «uma maior rapidez na substituição temporária de professores e possibilitar a escolha dos candidatos com um perfil mais ajustado às necessidades».
«Considera o Governo que estão reunidas as condições para a assunção do contrato de trabalho, na modalidade de contrato a termo resolutivo, como o modelo de enquadramento jurídico-laboral do pessoal docente adequado à satisfação das necessidades temporárias ou urgentes das escolas», refere a proposta da tutela.
Para os sindicatos, o projecto representa, no entanto, um aumento da instabilidade e da precariedade laboral devido à substituição de contratos administrativos de provimento por contratos individuais de trabalho (a termo) e, em alguns casos, por contratos de prestação de serviços (recibos verdes).
«A questão mais gravosa deste diploma é a introdução dos contratos individuais de trabalho e dos recibos verdes, regimes que vão ser pela primeira vez aplicados aos professores do ensino público. Isto reflecte o espírito do Governo de tornar precários os vínculos laborais na Administração Pública», criticou Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).
Em declarações à agência Lusa, o sindicalista considerou ainda que o diploma tem aspectos de «constitucionalidade duvidosa», nomeadamente a aplicação de recibos verdes, prevista no recrutamento de formadores a tempo parcial para leccionar disciplinas mais técnicas ou de cursos profissionais.
Também João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), não tem dúvidas em classificar de «ilegal» esta possibilidade, alegando que os professores «cumprem horário e dependem de uma estrutura hierárquica», pelo que não são trabalhadores independentes.
«Os recibos verdes não podem ser aplicados a professores. Servem para profissões liberais, sem dependência patronal», acrescentou.
Contactado pela agência Lusa, o especialista em Direito do Trabalho Fausto Leite explicou que não pode ser aplicável o regime de prestação de serviços, se os docentes estiverem «inseridos na estrutura organizativa da escola, com uma retribuição regular, com um horário e sujeitos a uma hierarquia».
«Parece-me que se trata de um contrato de trabalho dissimulado como uma prestação de serviços. É uma contratação precária que me parece fraudulenta», sustentou o advogado.
A Lusa contactou o Ministério da Educação, que não quis comentar esta questão.
Além do aumento da precariedade, os sindicatos criticam ainda a possibilidade dos estabelecimentos de ensino contratarem professores sem ter por base a lista de graduação nacional, mas outros critérios definidos de forma subjectiva por cada escola.
Segundo o diploma, os requisitos, o perfil e as habilitações que os candidatos devem apresentar são definidos localmente em cada estabelecimento de ensino, o que, para as estruturas sindicais, pode «abrir caminho» a situações de favorecimento pessoal.
«Segundo o diploma, os requisitos, o perfil e as habilitações que os candidatos devem apresentar são definidos localmente em cada estabelecimento de ensino, o que, para as estruturas sindicais, pode «abrir caminho» a situações de favorecimento pessoal.
Sobre esta crítica, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, considerou «lamentável» o levantamento «sistemático» de suspeição sobre os conselhos executivos.
in NODiário Digital / Lusa

26 Dezembro 2006

TRIBUNAL IRAQUIANO CONFIRMA EXECUÇÃO DE SADDAM NOS PRÓXIMOS 30 DIAS

O porta-voz da comissão de apelo do Alto Tribunal Iraquiano anunciou que o ex-Presidente Saddam Hussein vai ser executado nos próximos 30 dias, depois de a entidade ter confirmado hoje a condenação à morte decidida em Novembro.
O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki — membro da maioria xiita, perseguida pelo regime de Saddam Hussein —, já fez saber que a execução deve ter lugar ainda antes do final do ano.Segundo a lei iraquiana, a sentença "tem que ser aplicada dentro de 30 dias", confirmou hoje o juiz Aref Abdul-Razzaq al-Shahin em conferência de imprensa. "A partir de amanhã, qualquer dia poderá ser o dia da aplicação" da pena de morte, sublinhou o responsável.Al-Shahin indicou que a confirmação da sentença anunciada a 5 de Novembro "foi tomada por unanimidade" pelos nove juízes da comissão de apelo."O nosso papel termina aqui. Agora cabe à autoridade executiva aplicar a sentença", concluiu.Comissão de apelo recomenda condenação à morte de Taha Yassine RamadanA resposta de hoje ao recurso apresentado no passado dia 3 pela defesa de Saddam Hussein vale também para os outros dois arguidos condenados à pena máxima pela morte de 148 xiitas na aldeia de Dujail, em 1982 — o meio-irmão de Saddam Hussei, Barzan al-Tikriti, antigo chefe dos serviços secretos; e o antigo presidente do tribunal revolucionário, Awad al-Bandar.Quanto ao ex-primeiro-ministro Taha Yassine Ramadan — outro dos sete arguidos, condenado a prisão perpétua —, o tribunal aconselhou que a sua sentença seja agravada, defendendo que também ele deveria ser executado.Os restantes arguidos — três antigos responsáveis locais do partido Baas — foram condenados a 15 anos de prisão.Os sete arguidos foram condenados por crimes contra a humanidade devido ao seu envolvimento no massacre de Dujail, no âmbito da chamada campanha de Al Anfal, em 1987 e 1988, durante a qual o Exército iraquiano bombardeou com armas químicas centenas de aldeias do Curdistão iraquiano.
in Público

22 Dezembro 2006

GOVERNO VENDEU O ESTABELECIMENTO PRISIONAL DE LISBOA

Governo já vendeu o Estabelecimento Prisional de Lisboa. O comprador foi a Sagestamo, uma sociedade anónima de capitais públicos pertencente ao universo da Parpública, a holding estatal que gere as receitas das privatizações.O valor da compra foi de 60 milhões de euros, sendo ainda contabilizado no exercício orçamental de 2006. Agora a Sagestamo terá a seu cargo a tarefa de colocar o edifício no mercado. O secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça, Conde Rodrigues, disse ao DN que existe a imposição de manter o núcleo histórico do edifício.Os seus cerca de 800 reclusos e os respectivos guardas serão transferidos para duas novas prisões a construir nos terrenos das prisões do Linhó e de Alcoentre. Conde Rodrigues garantiu ao DN que a transferência só será efectuada quando os novos estabelecimentos prisionais estiverem prontos para ser ocupados. Tal deverá ocorrer nos finais de 2009, segundo adiantou.De acordo com o secretário de Estado , a venda do EPL insere-se num plano de modernização do sistema prisional que passará pela desactivação de todos os estabelecimentos prisionais localizados nos centros de cidades.Será a própria venda dos edifícios que financiará esse plano, o qual, segundo Conde Rodrigues, irá prolongar-se para lá de 2009, isto é, para lá da actual legislatura. As prisões a serem encerradas situam-se em Coimbra, Castelo Branco, Felgueiras (já encerrada), e em Setúbal (já vendida). Planeiam-se construir cinco grandes prisões (cerca de mil reclusos cada) e quatro médias (entre 250 e 400 reclusos). No caso de Lisboa, o que está em causa é um edifício localizado numa das zonas mais valiosas da cidade, o alto do Parque Eduardo VII (fica a menos de 500 metros de dois dos mais caros hotéis da cidade, o Meridien e o Ritz). O licenciamento dos seus futuros usos passará inevitavelmente pela Câmara Municipal de Lisboa.
in DN

21 Dezembro 2006

GOVERNO CONCEDE AUTONOMIA FINANCEIRA AO CONSELHO SUPERIOR DE MAGISTRATURA

O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros uma proposta que visa dotar o Conselho Superior de Magistratura (CSM) de autonomia financeira, ampliando-se as suas competências na gestão do corpo de magistrados judiciais.
Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, o Ministro da Justiça, Alberto Costa, referiu que a proposta terá de ser ainda submetida à apreciação da Assembleia da República."Depois da Constituição da República de 1976, é a primeira vez que se consagra a autonomia para o órgão de gestão dos magistrados judiciais. É uma data histórica" declarou.Este membro do Governo lembrou que, ao longo dos últimos anos, "houve muitas reivindicações e propostas sobre esta matéria, mas é a primeira vez que um Governo a aprova".Alberto Costa adiantou que, após a aprovação do diploma no Parlamento, nos futuros exercícios orçamentais, o Governo "procederá à definição de verbas a transferir para o CSM", visando a "total autonomia de gestão deste órgão".

20 Dezembro 2006

JUÍZES REJEITAM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ENTRE HOMOSSEXUAIS

A Associação Sindical de Juízes considera que não pode haver crime de violência doméstica quando o casal é composto por duas pessoas do mesmo sexo. Por duas razões: por não existir "um caldo sociológico" de "relação de superioridade física do agente em relação à vítima" nesses casos e porque assim se antecipa a "tutela penal à tutela civil" deste tipo de relacionamento. E conclui: "A protecção da família enquanto composta por cônjuges do mesmo sexo tem um notório - e apenas esse - valor de bandeira ideológica, uma função, por assim dizer, promocional."
Trata-se de "fazer entrar pela janela aquilo que não entrou pela porta". É assim que Pedro Albergaria, um dos dois autores do parecer, sintetiza o que pensa da inclusão dos casais do mesmo sexo nas situações em que se pode verificar o crime de violência doméstica. Para este juiz, não estando previsto no Código Civil o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não se pode estabelecer no Código Penal que a violência entre um casal homossexual constitui um crime específico dos relacionamentos conjugais ou para-conjugais. Além disso, Albergaria considera que "não está minimamente demonstrado que essas situações existem - o legislador deve legislar sobre o que geralmente acontece, não sobre o que pode acontecer ". "São lutas de todos nós"Parece haver, pois, duas ordens de razões no parecer assinado por Pedro Albergaria e Mouraz Lopes: as ideológicas e as empíricas. Em relação às duas Rui Pereira, coordenador da Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal, apresenta a sua total discordância. "Há pessoas do mesmo sexo a viver em união de facto, situação que a lei já prevê, portanto o argumento da 'antecipação' apresentado não está tecnicamente correcto. Se há violência nessa relação, a tutela jurídica não pode fechar os olhos. Além disso, o crime em causa envolve violência física e psíquica, e não é necessariamente o mais forte fisicamente que maltrata o outro. Aliás, por esse ponto de vista nenhum homem poderia apresentar queixa por levar pancada de outro homem em qualquer circunstância, ou uma mulher por ser agredida por outra mulher." Certificando que "foram preocupações da revisão do Código Penal a consagração da igualdade na prática, no que respeita à orientação sexual, de acordo com a norma constitucional" Rui Pereira refuta a imputação de intuitos "promocionais": "As lutas contra discriminações são lutas de todos nós. Não é conversa retórica nem bandeira ideológica nenhuma. A igualdade é um valor jurídico em que todos nos reconhecemos como seres humanos."Parecer "pode ser redutor"Pedro Albergaria admite não ter pensado, quando redigiu o parecer, "na situação dos heterossexuais em uniões de facto", já que ao instituir o casamento civil como referência nesta matéria e ao excluir os casais do mesmo sexo em união de facto da tipificação do crime de violência doméstica teria então, de fazer uma de duas coisas: ou excluir também os de sexo diferente nas mesmas condições ou fundamentar a discriminação dos homossexuais, proibida pela Constituição e não prevista na lei da união de facto. Por outro lado, o juiz reconhece que assentar a sua posição no argumento da necessidade de existência de uma relação de superioridade física "pode ser redutor". Mas, insiste, "numa situação de confronto físico é importante e quase todos os casos que chegam aos tribunais têm a ver com essa desigualdade". Certo é que o crime previsto no artigo 152º da novo Código Penal inclui entre as potenciais vítimas do crime, para além de cônjuge e ex-cônjuge e "pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação", também "progenitor ou descendente" e menores ou pessoas particularmente indefesas que coabitem com o agressor. Sem referência a diferença de sexos e incluindo o ascendente económico.
in DN

18 Dezembro 2006

APITO DOURADO: JUIZ ADMITE PROLONGAR FASE DE INSTRUÇÃO

O juiz de instrução Pedro Miguel Vieira admitiu esta segunda-feira à Lusa que o seu despacho sobre o processo de corrupção no futebol «Apito Dourado», relativo ao Gondomar Sport Clube, pode vir a ser proferido apenas em Março.
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Gilberto Madaíl, ouvido quarta-feira como testemunha no âmbito do mesmo processo, disse aos jornalistas que a fase instrutória deveria estar concluída até Fevereiro.
Em declarações hoje à agência Lusa, o juiz Pedro Miguel Vieira esclareceu que só poderá respeitar o «timing» se, entretanto, não forem suscitados incidentes processuais.
O juiz recordou que o prazo para a fase instrutória se prolonga até Março.
Pedro Miguel Vieira frisou ainda que é «perfeitamente autónomo» na condução da fase instrutória deste processo.
O processo está «exclusivamente sob minha alçada», disse, comentando algumas dúvidas suscitadas pela nomeação da procuradora-geral-adjunta Maria José Morgado para dirigir a investigação e os inquéritos, instaurados ou a instaurar, ligados ao processo «Apito Dourado».
A instrução do processo «Apito Dourado» prossegue terça-feira com a audição de testemunhas indicadas pelo arguido Luís Nunes da Silva.
Trata-se de um ex-vogal do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, suspeito de em 2003 ter favorecido o Gondomar Sport Clube.
in Diário Digital / Lusa

17 Dezembro 2006

APITO DOURADO: CAROLINA SALGADO ELOGIA MARIA JOSÉ MORGADO

Carolina Salgado, ex-companheira do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, elogiou a procuradora Maria José Morgado, que vai coordenar o processo "Apito Dourado", considerando-a uma "excelente mulher", num entrevista hoje publicada no Jornal de Notícias.
"A magistrada é uma excelente mulher e é vista com muito bons olhos pelo procurador. Pelo que dizem, é uma defensora da Justiça. E isso agrada-me muito, obviamente", afirmou Carolina Salgado, numa entrevista publicada hoje pelo Jornal de Notícias (JN).Na quinta-feira, o Procurador-Geral da República, Fernando Pinto Monteiro, nomeou a procuradora-geral adjunta Maria José Morgado para dirigir e coordenar todos os processos relativos ao caso "Apito Dourado".Carolina Salgado reafirma ao JN que tem provas documentais das acusações que faz no livro "Eu, Carolina", em que denuncia alegadas situações de corrupção desportiva, evasão fiscal, violação do segredo de justiça, agressões, perjúrio e fuga à justiça.A ex-companheira do presidente do FC Porto reitera ainda que sabe mais sobre estas situações do que aquilo que descreveu no livro, admitindo que "muita s coisas ficaram por dizer" e que "houve retoques, parte dos quais por aconselhamento jurídico".Questionada se foi à Polícia Judiciária (PJ) antes do lançamento do livro, acompanhada pelo presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, Carolina Salgado diz que essas afirmações são uma "calúnia" destinada a transformar o processo numa guerra entre clubes."Lançar esse tipo de calúnia é tão absurdo e tão ridículo que só demonstra que se está a fazer deste processo uma guerra entre clubes, tentando assim desviar as atenções para aquilo que é importante: a justiça", afirma.Carolina Salgado sublinha que já insinuaram que teria uma equipa de benfiquistas a trabalhar para si, o que classifica de "ridículo".
O processo "Apito Dourado" teve início com a operação policial com o mesmo nome realizada em 20 de Abril de 2004, que resultou na detenção de 16 pessoas, entre árbitros e dirigentes do futebol, por suspeitas de corrupção desportiva, inicialmente centradas no Gondomar SC, clube da Liga de Honra.Ao longo do processo foram constituídos 27 arguidos, incluindo o então presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e ainda presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Valentim Loureiro, o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e o ex-presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol Pinto de Sousa.Acusado de 47 crimes, o principal arguido é José Luís Oliveira, que à data dos alegados factos (2001/2004) desempenhava os cargos de vice-presidente da Câmara Municipal de Gondomar e de presidente da Comissão Administrativa do Gondomar SC.O processo "Apito Dourado", que incluiu investigações a alegados casos de corrupção e tráfico de influências entre o futebol profissional português e as autarquias, foi investigado durante quase dois anos e teve o despacho de acusação em 8 de Fevereiro deste ano.A instrução do processo, pedida por 16 dos 27 arguidos, começou em 12 de Dezembro de 2006, e vai agora confirmar ou anular a acusação, estando previsto que a fase de inquirição de testemunhas termine a 17 de Janeiro de 2007.
in Público

08 Dezembro 2006

BCE VOLTA A SUBIR TAXAS DE JURO

O Banco Central Europeu subiu ontem, pela sexta vez nos últimos doze meses, as taxas de juro de referência na Zona Euro, mas o seu presidente, Jean-Claude Trichet deu sinais claros de que a autoridade monetária não vai ficar por aqui, ao defender que os juros "ainda estão baixos".A decisão da autoridade monetária europeia de passar as taxas de 3,25% para 3,5% era largamente antecipada por investidores, analistas e políticos. Os responsáveis do BCE mantiveram, durante as últimas semanas, o mesmo discurso com que "anunciaram" as subidas de taxas realizadas em 2006 a uma média de 0,25 pontos percentuais por cada dois meses passados.Aquilo que ontem todos queriam saber era qual seria o tom do discurso de Trichet na conferência de imprensa. Essas declarações eram decisivas para perceber se o ciclo de subidas poderá estar concluído ou se irá continuar. E aí, o presidente do BCE deixou pouca margem para dúvidas. Trichet repetiu a frase que utilizou no passado para sinalizar uma subida de taxas no espaço de dois meses: "o Conselho de Governadores vai monitorar muito atentamente todos os desenvolvimentos para que os riscos para a estabilidade de preços não se materializem". É certo que, quando questionado directamente por um jornalista sobre se estas suas palavras significavam a realização de uma nova subida de taxas já na reunião de Fevereiro, Trichet respondeu rapidamente que "essa seria uma interpretação errada". Mas, para os analistas, o cenário agora considerado como muito provável é o da subida do preço do dinheiro na Zona Euro para 3,75% durante o primeiro trimestre de 2007, com a possibilidade de se chegar aos 4% nos meses seguintes.
in DN

06 Dezembro 2006

SALÁRIO MÍNIMO: ALCANÇADO ACORDO HISTÓRICO

O Governo e os parceiros sociais acordaram um aumento de 4,4 por cento para o Salário Mínimo Nacional (SMN), que passará a ser de 403 euros a partir de 1 de Janeiro de 2007.
O aumento foi definido no âmbito de um acordo tripartido conseguido na concertação social que prevê uma valorização gradual do SMN de forma atingir os 500 euros em 2011.
O acordo prevê que o SMN seja fixado nos 450 euros em 2009. Actualmente o SMN é de 385,90 euros.
José Sócrates disse à saída da reunião que se tinha obtido «um acordo histórico».
«É a primeira vez que se fez um acordo na concertação social sobre o salário mínimo», sublinhou o primeiro-ministro.
Elogiando o trabalho feito no último ano pelo ministério do Trabalho e da Solidaridade Social, Sócrates disse que com este acordo ficou provado o efeito positivo de «desindexar as prestações sociais do salário mínimo».
«Uma elevação tão ambiciosa do salário mínimo» demonstra «a confiança dos parceiros sociais no futuro», disse ainda.
Bem mais contido foi Carvalho da Silva. «Não é com este aumento, ao qual alguém já chamou 'uma graça' - que se vai resolver o problema dos baixos salários», declarou o líder da CGTP.
O calendário de contestação social não deverá ser afectado. Há que «travar outros combates que estão aí em marcha para que Portugal tenha futuro».
Em resposta a uma pergunta sobre se o acordo implicava aceitar alterações ao Código do Trabalho, Carvalho da Silva defendeu que as mudanças deverão ser «cirúrgicas», limitando-se à contratação colectiva e ao combate à precariedade do emprego dos jovens.
in SOL / Lusa

04 Dezembro 2006

GOVERNO REFORÇA COMBATE À CORRUPÇÃO

O Conselho de Ministros aprovou uma Proposta de Lei destinada a reforçar o combate à corrupção no desporto e e consagrar o regime de responsabilidade penal por comportamentos que contrariam gravemente os princípios ético-jurídicos da actividade desportiva. O novo regime introduz os crimes de tráfico de influência e de associação criminosa e responsabiliza penalmente as pessoas colectivas no âmbito da actividade desportiva. As penas são agravadas quando o agente do crime for dirigente, árbitro, empresário ou pessoa colectiva.

EXCESSO DE PRESOS NAS CADEIAS DOS AÇORES

Os estabelecimentos prisionais dos Açores são os mais sobrelotados do País, o que tem vindo a provocar um clima de tensão e de potenciação de comportamentos de risco entre a população reclusa.A situação da cadeia de Angra do Heroísmo é a mais negra: uma taxa de ocupação de 238%, correspondendo à existência de cerca de 80 reclusos num estabelecimento com capacidade para pouco mais de 30. O presídio de Ponta Delgada, com uma sobrelotação a rondar os 60% (170 detidos para uma capacidade instalada de 110), pode ficar atrás nas estatísticas em relação a Angra, mas não ao nível da degradação a que se assiste no relacionamento entre os reclusos. Estes são mesmo os únicos do País que não têm outra alternativa a não ser adaptarem-se ao regime obsoleto de camaratas onde há espaço para dez pessoas, mas em que permanecem quase o dobro, todos os dias, entre as 19.00 e as 7.00. A elevada concentração de reclusos num espaço reduzido permite o alastramento do efeito de contaminação entre os detidos, ou seja, a sua maior propensão para a adopção de comportamentos desviantes e, no limite, a reicindência criminosa. Não é por acaso que o regime de camarata é associado a uma "escola do crime", para mais quando, devido à escassez de espaço, não há possibilidade de separação, por tipo de crime, entre os presidiários. A única separação que existe é entre homens e mulheres reclusas, sendo que estas, ao contrário dos homens, existem em número bastante inferior à lotação disponível (cerca de meia dúzia para 31 lugares).Fonte próxima do meio prisional admitiu ao DN que, nos Açores, a sobrelotação - um fenómeno que já tem mais de 20 anos - faz com que o convívio da população prisional "não seja marcado pela positiva", dando lugar a uma "vivência desgastante" em que não há espaço para as pessoas interiorizarem e reflectirem sobre os crimes que cometeram. No caso da cadeia de Ponta Delgada, trata-se de uma estrutura construída no século XIX em que, apesar das obras que têm vindo a ser feitas, não se alterou a prisão em camarata, regime que fere, inclusive, a legislação actual na qual se prevê respostas individualizadas (celas).Os comportamentos de risco em resultado da sobrelotação agravam-se com a existência de um número cada vez superior de condenados por crimes graves, incluindo tráfico de droga, furto, roubo e, espe- cialmente, homicídios. O problema da lotação tem sido minimizado através do recurso ao sistema de prisão por dias livres, que prevê que as pessoas tenham uma vida activa durante a semana e fiquem presas apenas aos fins-de-semana. Boa parte dos detidos do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada aguarda julgamento e 20 % da população é constituída por repatriados, muitos deles com problemas de droga.
in DN

02 Dezembro 2006

CAVACO ANUNCIOU 11 DE FEVEREIRO COMO DATA DE REFERENDO

O referendo à despenalização do aborto está marcado para dia 11 de Fevereiro. A data, que já tinha sido avançada horas antes pelo site do jornal Público, foi anunciada por volta das 20:00 pelo Presidente da República.
Dirigindo-se ao país, Cavaco Silva anunciou que nos termos que lhe «foram propostos pela Assembleia da República e cuja constitucionalidade e legalidade foi dada por verificada pelo Tribunal Constitucional, decidi convocar para o dia 11 de Fevereiro de 2007 a realização do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez».Cavaco Silva fez ainda questão de explicar as razões que motivaram a convocação da Consulta Pública: «O facto de o tema da despenalização do aborto continuar a suscitar um vivo debate no seio da sociedade portuguesa» e de ter «profundas implicações no plano ético» constitui «razão suficiente» que os portugueses sejam ouvidos em novo referendo.O Presidente da República apelou ainda para que até à data do refendo o debate sobre a interrupção Voluntária da Gravidez seja conduzido de forma «serena e esclarecedora». A campanha vai decorrer entre 30 de Janeiro e 9 de Fevereiro.

28 Novembro 2006

FÁTIMA FELGUEIRAS ACUSADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO

Fátima Felgueiras foi hoje acusada pelo Ministério Público de 14 crimes no âmbito das investigações aos apoios dados pela Câmara Muncipal de Felgueiras ao clube de futebol local. O processo, o segundo apresentado contra a autarca, envolve outros onze arguidos.
Segundo a Lusa, a autarca é acusada de um crime de abuso de poder, nove de participação económica em negócio e quatro de desvio de subsídio.Em declarações à agência de notícias, o advogado Artur Marques revelou que Fátima Felgueiras não pedirá a instrução do processo, optando por “aguardar tranquilamente a marcação do julgamento, ciente que está da sua inocência, dado não ter praticado qualquer crime".O jurista diz que a notificação do Ministério Público com as conclusões do inquérito "não foi uma surpresa, uma vez que as mesmas já tinham sido veiculadas, há vários meses, pela comunicação social".O inquérito judicial às relações entre a autarquia e o Futebol Clube de Felgueiras, indicia, além Fátima Felgueiras, vários ex-vereadores, do PS e PSD, e antigos dirigentes da colectividade.Segundo o Ministério Público, a autarquia transferiu, entre os anos de 1995 e 2002, de 3,5 milhões de euros para o clube de futebol local, ao abrigo de cinco subsídios ou contratos-programa destinados a obras e à compra de um estádio.Contudo, este montante terá sido usado para outros fins, nomeadamente para despesas correntes do clube, tais como pagamento de dívidas, compra de jogadores e pagamento de ordenados, com o conhecimento da autarquia.
Para além da presente acusação, Fátima Felgueiras é arguida num outro processo, referente ao “saco azul” existente na autarquia local. Neste caso, a autarca é acusada de 23 crimes, estando o julgamento marcado para Fevereiro.
in público

TRIBUNAL ABRE CAMINHO PARA CO-INCINERAÇÃO NA ARRÁBIDA

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada levantou o decretamento provisório da providência cautelar para a cimenteira da Secil na Arrábida, abrindo caminho para que a cimenteira avance com os testes de queima de resíduos industriais perigosos.
Na sentença, a que a Lusa teve acesso, o juiz alega que "não existem indícios de que o processo de co-incineração venha a ser efectuado com inobservância das regras técnicas e dos limites legalmente impostos ao exercício dessa actividade".O juiz acrescenta que "não existe uma situação de especial urgência que, para salvaguarda dos valores da saúde pública ou do ambiente, imponha a manutenção das providências anteriores decretadas a título provisório".Com esta posição, o tribunal de Almada recua na decisão que tomou provisoriamente no passado dia 3, quando os autores entregaram a acção em tribunal.A decisão definitiva, hoje divulgada, foi tomada depois de ouvidas todas as partes: a cimenteira Secil, o Ministério do Ambiente e as três câmaras municipais autoras da providência cautelar.O decretamento provisório da providência impediu, até agora, que o Ministério do Ambiente apresentasse uma resolução fundamentada (tal como fez para a cimenteira da Cimpor em Coimbra), para suspender os efeitos suspensivos da providência cautelar.O tribunal de Almada adianta, na sentença, que a co-incineração de resíduos perigosos "não é uma actividade proibida", mas sim condicionada à observância de requisitos técnicos a que têm de obedecer.
in público

26 Novembro 2006

PROCESSO PENAL APROFUNDA GARANTIAS

Foi aprovada em Conselho de Ministros uma proposta de alteração ao Código do Processo Penal, abrangendo mais de um terço do articulado total, incluindo matérias relativas a sujeitos, actos, meios de prova, medidas de coacção, inquérito, instrução, julgamento, processos especiais, recursos e execução das penas. A revisão procura aprofundar os direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos - arguidos ou vítimas, reais ou potenciais, de crimes - e conciliar a protecção da vítima e o desígnio de eficácia e celeridade processual com as garantias de defesa próprias do Estado de direito democrático. Há ainda modificações com especial repercussão na celeridade processual.

ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE

O Conselho de Ministros de 23 de Novembro aprovou Estatuto da Carreira Docente que constitui um instrumento efectivo de valorização do trabalho dos professores e de organização das escolas ao serviço da aprendizagem dos alunos. O diploma estabelece, também, um regime de avaliação de desempenho mais exigente e com efeitos no desenvolvimento da carreira, que permitirá identificar, promover e premiar a actividade lectiva. O Estatuto integra, ainda, uma nova codificação de direitos e deveres, que consagra em termos inovadores, os direitos à colaboração, consideração e ao reconhecimento da autoridade dos professores pelos alunos, suas famílias e demais membros da comunidade educativa, e especifica os seus deveres relativamente aos diferentes agentes e parceiros dessa comunidade.

23 Novembro 2006

CENTRO DE MEDIAÇÃO DE CONFLITOS PODE RESOLVER PROBLEMA DOS ARREDONDAMENTOS ABUSIVOS

O Governo vai propor à banca a criação de um centro de mediação de conflitos de natureza financeira. A proposta foi avançada pelo secretário de Estado da Defesa do Consumidor, Fernando Serrasqueiro, iniciativa que os banqueiros admitem analisar, de acordo com declarações de João Salgueiro ao DN.A medida vem no seguimento da legislação sobre o arredondamento das taxas de juro do crédito à habitação e poderá ser encarada como uma resposta do Governo à resolução da questão da retroactividade deste decreto-lei.Com efeito, uma das críticas apontadas pela banca, nomeadamente pelo presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), quanto à impossibilidade de a regra dos arredondamentos à milésima ser aplicada retroactivamente está no facto de esta reivindicação poder "entupir" os tribunais. Um centro de mediação e arbitragem de conflitos poderia então servir de palco à resolução destes questões, sem recurso aos tribunais comuns.
A iniciativa é igualmente defendida pela Associação Portuguesa de Defesa dos Consumidores de Produtos e Serviços Financeiros (Sefin). Como referiu ao DN o seu presidente, António Júlio Almeida, esta é uma das propostas já informalmente apresentadas ao Governo e deverá ser um dos pontos a debater na reunião que esta associação irá ter esta semana com Fernando Serrasqueiro.No entanto, foi o secretário de Estado da Defesa do Consumidor que avançou com a proposta de criação do centro de mediação, no programa da RTP1 Prós e Contras, da passada segunda-feira.Resta saber se a um organismo desta natureza será atribuída competência para dirimir conflitos financeiros, de origem comercial.Com o Governo a admitir a possibilidade de os consumidores recorrerem aos tribunais para serem ressarcidos dos juros cobrados a mais ao longo dos últimos anos, devido a uma prática de arredondamento agora considerada abusiva, foram várias as vozes que alertaram para as dificuldades em resolver este ponto. A única via para que a nova regra seja aplicada retroactivamente é recorrer a uma acção judicial e as associações de defesa dos consumidores sugerem as acções conjuntas como o meio mais eficaz. No entanto, algumas fontes bancárias têm alertado igualmente para as diferentes versões de contratos de crédito à habitação existentes, que dificultam esta opção. Ou seja, avançar com acções colectivas contra contratos individuais poderá não ser viável. O diploma aprovado pelo Governo, que já seguiu para promulgação pelo Presidente da República, refere que a futura legislação se aplica aos contratos "em execução", sendo este o único ponto que sustentará uma eventual reivindicação por parte dos consumidores.
in DN

20 Novembro 2006

TRIBUNAL DELIBERA ABERTURA DA INSTRUÇÃO NO PROCESSO APITO DOURADO

O Tribunal de Gondomar deliberou hoje a abertura da instrução do processo Apito Dourado, solicitada pela maioria dos 27 arguidos.
Os arguidos — entre os quais o presidente da câmara local, Valentim Loureiro; o seu vice-presidente, José Luís Oliveira; e Pinto de Sousa, do Conselho de Arbitragem — são suspeitos de terem montado um esquema para induzir os árbitros a beneficiar o Sport Clube de Gondomar. O processo envolve ainda outros 24 arguidos, também acusados de crimes de corrupção.O tribunal já marcou uma data para inquirição das primeiras testemunhas, mas a fonte contactada pela agência Lusa escusou-se a adiantá-la.Instrução vai confirmar ou não a acusação"A instrução é formada pelo conjunto de actos de instrução que o juiz entenda levar a cabo e, obrigatoriamente, por um debate instrutório, oral e contraditório, no qual podem participar o Ministério Público, o arguido, o defensor, o assistente e o seu advogado, mas não as partes civis", especifica o Código do Processo Penal.A instrução vai agora confirmar ou invalidar a acusação que impende sobre Valentim Loureiro, suspeito da prática de 26 crimes de corrupção activa sob a forma de cumplicidade e de dois crimes dolosos de prevaricação.O vice-presidente de Loureiro é acusado de 47 crimes — 26 dolosos de corrupção activa e 21 crimes dolosos de corrupção desportiva activa.O vereador Joaquim Manuel de Castro Neves é acusado de 19 crimes dolosos de corrupção desportiva activa e o ex-presidente do Conselho de Arbitragem José António Pinto de Sousa é acusado de 26 crimes dolosos de corrupção passiva para acto ilícito.
in público

P.R NOMEIA VALENÇA PINTO PARA CHEFE DE ESTADO-MAIOR GENERAL DAS FORÇAS ARMADAS

O General Luís Vasco Valença Pinto vai ser o novo chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), substituindo no cargo Mendes Cabeçadas, informou esta sexta-feira fonte de Belém.A posse de Valença Pinto, actual chefe de Estado-Maior do Exército, está marcada para 5 de Dezembro.A nomeação foi proposta pelo Governo ao chefe de Estado, que é por inerência Comandanete Supremo das Forças Armadas.Ao ser nomeado Valença Pinto para CEMGFA, cumpre-se a tradição de rotatividade entre os ramos na chefia do amis alto cargo da hierarquia militar.

18 Novembro 2006

DESORÇAMENTAÇÃO:RELATÓRIO FOI APROVADO POR UNANIMIDADE

O Tribunal de Contas esclareceu hoje que o relatório de auditoria em que foi detectada uma desorçamentação de 374 milhões de euros nas contas públicas de 2005 foi aprovado por unanimidade por um conjunto de juízes, não expressando a posição individual do seu relator.
A afirmação do secretário de Estado do Tesouro, de que o relatório em causa corresponde a uma posição individual de um juiz conselheiro, é «inexacta», escreve o tribunal que fiscaliza as contas do Estado, num comunicado enviado à agência Lusa.
O relatório «foi aprovado por unanimidade, em 4 de Outubro de 2006, em subsecção da 2ª secção, composta por três juízes conselheiros», acrescenta o director-geral do Tribunal de Contas, José Tavares, que assina o comunicado do tribunal.
Na quarta-feira o Tribunal de Contas divulgou um relatório de auditoria aos apoios financeiros do Estado pagos pela Direcção-Geral do Tesouro onde dizia que tinha detectado despesa de 374,6 milhões de euros efectuada em 2005 à margem do Orçamento do Estado, relativa a gastos feitos pelo Tesouro, que foi financiado exclusivamente por emissão de dívida, sem ter passado pelo défice.
Na quinta-feira o governo rejeitou essa acusação de desorçamentação e o secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina, frisou que a posição que vem veiculada no relatório de auditoria «reflecte a posição de um juiz conselheiro» e não a do Tribunal de Contas per si, já que esse relatório teria ainda que ser votado pelo plenário do tribunal.
O secretário de Estado do Orçamento, Emanuel Santos, reforçou quinta-feira a posição do secretário de Estado do Tesouro dizendo que o relatório expressava a interpretação legal do relator (o juiz João Pinto Ribeiro) e não a «posição colectiva» do Tribunal de Contas.
No comunicado de hoje do Tribunal de Contas, este órgão esclarece ainda que antes da aprovação do relatório, em 25 de Julho de 2006, o projecto de relatório foi submetido a contraditório, incluindo o Ministério das Finanças, mas este não se pronunciou.
Depois de ter sido aprovado pelos três juízes conselheiros, foi enviado ao ministério de Teixeira dos Santos, a 23 de Outubro, antes de ter sido divulgado à comunicação social, acrescenta o Tribunal.
Na quinta-feira o governo prometeu enviar mais esclarecimentos aos tribunal de Contas a justificar a sua posição.
in Diário Digital / Lusa

17 Novembro 2006

FINANÇAS LOCAIS:NOVA LEI APROVADA NA ESPECIALIDADE

A Assembleia da República aprovou esta quinta-feira na especialidade a nova lei das Finanças Locais com os votos favoráveis do PS, a abstenção do CDS e os votos contra dos restantes partidos.
O Parlamento aprovou ainda dois diplomas relativos ao regime jurídico do sector das empresas locais e o regulamento geral das taxas municipais.
Numa declaração de voto após as votações, o líder da bancada social-democrata, Marques Guedes, afirmou que o PSD vai pedir a fiscalização sucessiva do diploma das finanças locais, que classificou como «ataque à autonomia do poder local, sem precedentes em 32 anos de democracia».
Entre «várias inconstitucionalidades», alegou, o PSD está contra a possibilidade de as autarquias reduzirem o IRS cobrado aos seus munícipes, uma vez que assim é quebrado o princípio da universalidade do imposto.
Marques Guedes criticou o CDS-PP por ter colaborado com o governo na aprovação do diploma das finanças locais e das empresas municipais, afirmando que os democratas- cristãos «aceitaram um prato de lentilhas vazio», uma vez que «não houve alterações significativas» desde que a proposta do governo foi apresentada.
O deputado do CDS António Carlos Monteiro refutou as acusações de Marques Guedes, afirmando que o partido «não é muleta do Governo nem sindicato das autarquias», pondo-se antes «ao lado do contribuinte que tem de suportar a máquina do Estado e a máquina do poder local».
O CDS conseguiu incluir na versão final do diploma a criação de um Fundo de Emergência Municipal para fazer face a situações de calamidade e autonomia para os municípios decidirem como dispor de 5% do IRS cobrado no concelho.
CDS e PS convergiram também em propostas incluídas na lei durante a discussão na especialidade relativas à derrama e a uma maior compensação para os municípios que tenham 70% do seu território inserido na Rede Natura ou área protegida.
A proposta de lei do governo previa que apenas os empréstimos contraídos para obras de reabilitação urbana ou projectos co-financiados por fundos comunitários não contassem para o cálculo dos limites de endividamento.
Por proposta do PS, passam também a estar excepcionados os financiamentos destinados à conclusão do Programa Especial de Realojamento para acabar com as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, bem como investimentos na recuperação de infra-estruturas municipais afectadas por situações de calamidade pública.
Deixa também de contar para os limites de endividamento a dívida à EDP de alguns municípios que tem estado a ser amortizada através de um protocolo com a empresa e que está consolidada desde 1998.
Pelo PCP, o deputado António Filipe questionou se a nova lei tem por trás «uma agenda oculta para a extinção de municípios» e admitiu também a possibilidade de pedir a sua fiscalização sucessiva pelo Tribunal Constitucional.
Os comunistas atribuem à lei e ao PS «um espírito de desconfiança em relação ao poder local democrático» e acusam o governo de «desrespeito pelo estatuto constitucional das autarquias».
Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, afirmou que o diploma vai «aumentar as desigualdades entre os concelhos com mais e menos recursos», acrescentando que o Governo reduz as transferências do Orçamento de Estado e aumenta a dependência de financiamento das autarquias através dos impostos pagos pelo imobiliário.
A deputada Heloísa Apolónia, do partido ecologista Os Verdes, considerou que «o poder local foi hoje menorizado» porque a lei «obriga as autarquias a cumprirem o programa do Governo» em vez do programa com que se apresentaram aos eleitores.
Questionou ainda: «Se esta lei é assim tão boa, por que é que quase todos os municípios estão contra ela?».
Em defesa do PS, o deputado Mota Andrade argumentou que os socialistas estão «na primeira linha de defesa do poder local», conferindo-lhe «mais qualificação e mais rigor na gestão».
Mota Andrade reiterou que, ao fim de 30 anos de poder local democrático, era necessária uma reavaliação com base no rigor na gestão dos dinheiros públicos, uma vez que já foram construídas muitas infra-estruturas.
in Diário Digital / Lusa

15 Novembro 2006

REFERENDO AO ABORTO:TRIBUNAL CONSTITUCIONAL APROVA PERGUNTA

O acórdão que dá luz verde ao referendo foi aprovado por sete juízes, teve o voto vencido de seis outros, repetindo o resultado (7-6) da decisão sobre a consulta sobre o aborto em 1998.O anúncio da aprovação foi feito pela juíza relatora do acórdão, Maria Fernanda Palma, que considerou que a pergunta cumpre a Constituição porque "satisfaz os requisitos de objectividade, clareza e precisão", e "recai sobre uma só matéria", de acordo com a Lei do Referendo. Por outro lado, o resultado do referendo, sendo "sim", não implica, segundo a decisão do TC, uma inconstitucionalidade. O acórdão teve o voto favorável de Bravo Serra, Gil Galvão, Vítor Gomes, Maria Helena Pinto, Maria João Antunes e Artur Maurício, presidente do Tribunal Constitucional. Seis dos sete juízes votaram vencidos no acórdão que deu "luz verde" ao referendo - Rui Moura Ramos, Maria dos Prazeres Beleza, Paulo Mota Pinto, Benjamim Rodrigues, Mário Torres e Pamplona Oliveira. As reservas dos juízes que votaram contra respeitam a dúvidas quanto ao universo de eleitores (por defenderem que os emigrantes votassem) e quanto à clareza da pergunta. "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" é a pergunta aprovada pelo TC. A proposta de referendo, aprovada em Outubro no Parlamento, teve os vot os do PS, PSD e Bloco de Esquerda, a abstenção do CDS-PP e votos contra do PCP e "Os Verdes". O acórdão será enviado ao Presidente da República, Cavaco Silva, na sexta-feira e é publicado em Diário da República na segunda-feira, data a partir da qual o Chefe de Estado tem 20 dias para decidir se convoca, ou não, a consulta popular. O referendo terá de ser agendado para entre 40 e 180 dias depois, devendo acontecer no primeiro trimestre de 2007. Com Lusa

13 Novembro 2006

SALÁRIO MíNIMO COM "ACTUALIZAÇÃO PROGRESSIVA"

O secretário-geral do PS aproveitou o discurso de encerramento do XV Congresso socialista para clarificar a posição do Governo quanto à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, que deverá ser motivo de referendo no início do próximo ano. «A posição do PS só pode ser uma: só aprovaremos a lei se o sim tiver mais votos do que o não», afirmou, frisando que «bastará um voto» a mais do «sim» do que o «não» para se aprovar a nova lei de despenalização do aborto.José Sócrates sublinhou, no entando, que se não existir esse voto a mais, «respeitaremos o resultado do referendo e não aprovaremos a lei que propusemos». O líder socialista encerrou, a meio da tarde de domingo, o congresso do partido, anunciando uma actualização mais ambiciosa para o salário mínimo nacional até 2009. Já no próximo ano, a prestação poderá ascender aos 400 euros.«O Governo vai apresentar na concertação social uma proposta concreta para a actualização progressiva do salário mínimo nos próximos três anos», garantiu o secretário-geral do PS, José Sócrates, no discurso de encerramento do XV Congresso Nacional do PS, que decorreu em Santarém.Segundo Sócrates, a proposta será apresentada ainda este mês e o Governo «espera poder contar com o empenhamento de todos os parceiros sociais para um acordo sobre o salário mínimo que dignifique o trabalho, reduza as desigualdades e prestigie o diálogo social».O secretário-geral do PS afirmou que esta medida se tornou possível «com a alteração da lei da Segurança Social, que acabou com a indexação de diversas prestações sociais ao salário mínimo». De acordo com Sócrates, essa indexação «tem prejudicado ano após ano a actualização do salário mínimo». «A nova alteração permite agora que se possa utilizar o salário mínimo de forma responsável, mas ambiciosa, como um instrumento de combate à pobreza e de redução das desigualdades», disse.

TRIBUNAIS RECUSAM PRIMEIRO PEDIDO PARA TRAVAR CO-INCINERAÇÃO EM SOUSELAS

A primeira acção judicial interposta em Julho para travar os testes de co-incineração na cimenteira de Souselas, em Coimbra, foi recusada por dois tribunais administrativos, mas o advogado que representa as autarquias que apresentaram a acção entregou hoje um recurso para o Supremo Tribunal Administrativo.
"A acção foi indeferida por duas vezes - no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra (1ª instância) e no Tribunal Central Administrativo (2ª instância) -, mas por razões de forma e não mérito", explicou o advogado Castanheira Barros, autor da primeira acção judicial para travar a co-incineração em Coimbra, interposta a 17 de Julho, uma Acção de Intimação para Defesa dos Direitos Liberdades e Garantias justificada pelo facto de o causídico ter residência nas proximidades de Souselas.De acordo com Castanheira Barros, o Tribunal Administrativo e Fiscal "não julgou a causa" alegando tratar-se de uma providência cautelar (e não de uma acção de intimação), para a qual era necessário haver um despacho do ministro sobre o arranque da co-incineração (existem apenas declarações aos jornalistas).O advogado explicou que recorreu desta sentença para o Tribunal Central Administrativo, conseguindo que este tribunal reconhecesse que não se tratava de uma providência cautelar, "mas sim de outra acção também urgente". "Este tribunal considerou que não era necessário um despacho ministerial", mas decidiu também que o autor pode em tempo útil recorrer à figura do decretamento provisório da providência cautelar para travar os testes de co-incineração, não aceitando julgar a questão de fundo da acção de intimação, adiantou."Recorri hoje desta decisão para o Supremo Tribunal Administrativo", sublinhou Castanheira Barros.Em Setembro passado, dois meses depois de ser entregue esta acção de intimação, foi a vez da Câmara de Coimbra entregar ao tribunal uma providência cautelar e uma acção principal para travar a queima dos resíduos perigosos naquela cimenteira, um processo que ainda não foi objecto de sentença pelo Tribunal Administrativo de Coimbra.
in público

MINISTRO DAS FINANÇAS ANUNCIA QUE A REN SERÁ PRIVATIZADA EM 2007

O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, afirmou hoje que a Rede Eléctrica Nacional (REN) deverá ser privatizada no primeiro trimestre do próximo ano, já que não há qualquer pressão que o justifique em 2006.
Teixeira dos Santos falava durante a sessão especial de apuramento de resultados da terceira fase de reprivatização da Portucel, na Euronext Lisboa – em que o Estado vendeu uma posição minoritária.“Não é forçoso que se faça [a privatização da REN] este ano. Não há qualquer pressão que justifique”, disse o ministro.“Será de esperar a operação de privatização no primeiro trimestre do próximo ano, com OPV [Oferta Pública de Venda] e venda directa ao mesmo tempo”, acrescentou Teixeira dos Santos.
in público

08 Novembro 2006

DEMOCRATAS VENCEM CÂMARA DOS REPRESENTANTES

O Partido Democrata dos Estados Unidos conquistou terça-feira a maioria da Câmara dos Representantes, uma das duas Câmaras do Congresso dos Estados Unidos, bastião republicano desde 1994. O controlo do Senado será decidido em função dos resultados obtidos nos estados do Montana e da Virgínia. Para os republicanos basta conseguir a vitória num destes territórios para manter a maioria. O presidente dos EUA, George W. Bush, é assim castigado nas urnas.
Na Câmara Baixa são assim renovados 435 assentos, onde os democratas obtêm uma vantagem de 226 lugares face aos 191 dos republicanos, com 18 assentos ainda por decidir, segundo as mais recentes projecções lançadas pela cadeia de televisão norte-americana CNN.Na Câmara Alta, com apenas três assentos por decidir, os republicanos conseguiram 49 senadores frente a 47 lugares ganhos pelos democratas e dois por independentes.Os lugares por definir serão conhecidos depois de terminado o escrutínio nos votos dos estados do Montana e da Vírgina. No primeiro estado, a vantagem parece estar nas mãos do democrata Jon Tester, com 50% dos votos frente ao seu rival, Conrad Burns, com 47%, quando apenas estão escrutinados 70% dos colégios eleitorais.A grande dúvida surge na Virgínia, onde com mais de 99,63% dos vostos escrutinados, op democrata James Webb lidera a disputa frente a George Allen por apenas meio ponto, cerca de 12.000 votos. De acordo com as leis deste estado, se o vencedor conseguir os resultados com menos de um ponto percentual (25.000 votos) tem direito a reclamar uma recontagem dos votos, concedida automaticamente. Um processo que pode atrasar o resultado final das votações por vários dias.A derrota confirmada de George W. Bush nestas eleições legislativas “decepcionou” o presidente norte-americano, declarou o assessor da Casa Branca Dan Bartlett. Bush tem agendada uma conferência de imprensa para o final da tarde de hoje para se pronunciar sobre os resultados obtidos.Cerca de 200 milhões de norte-americanos foram chamados às urnas para escolher os 435 membros da Câmara dos Representantes, 33 dos 100 senadores e 36 dos 50 governadores.
in CM

07 Novembro 2006

DIREITOS DE AUTOR:QUEIXAS "SÃO RARAS"

O presidente da Comissão de Mediação e Arbitragem em matéria de direitos de autor e conexos disse esta terça-feira que as queixas de autores e do público apresentadas nos tribunais são raras, mas este «é um universo ainda por conhecer».
Nuno Gonçalves, também director do Gabinete do Direito de Autor, falava à Agência Lusa no final da tomada de posse da Comissão em cerimónia presidida pela ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, no Palácio da Ajuda.
«É raro os autores recorrerem aos tribunais quando têm conflitos com as entidades colectivas de gestão de direitos de que são associados», indicou, acrescentando, no entanto, que a finalidade da Comissão, que actua como um tribunal de primeira instância, é «tornar mais acessível e célere a resolução destes conflitos quando existem».
Nuno Gonçalves assinalou que também é ainda desconhecido o universo das queixas do público em geral quando lhe é negado o livre acesso às obras dos autores. «A lei do Direito de Autor diz que os autores podem usar medidas tecnológicas para controlar o acesso às obras, mas existem excepções e são esses casos que iremos estudar, avaliar e sobre os quais decidir, no caso de existirem queixas dos consumidores», explicou.
O presidente da comissão disse ainda à Lusa que outro dos objectivos da entidade é «promover uma sensibilização e pedagogia junto do público em geral sobre a matéria dos seus direitos e deveres nesta área, bem como a questão da propriedade intelectual, que é de grande importância».
Uma das prioridades, referiu, será a criação de um «site» através do qual os cidadãos terão conhecimento das matérias e poderão apresentar as suas dúvidas e queixas.
in PortugalDiário

TRIBUNAL CONDENA SADDAM À MORTE POR ENFORCAMENTO

De Alcorão em punho, mas visivelmente abalado, Saddam Hussein, de 69 anos, antigo presidente do Iraque, ouviu, ontem, a sentença a que foi condenado pela justiça do seu país: morte por enforcamento, e não por fuzilamento, como, em Julho, sugeriu em tribunal.Durante os quase 40 minutos que durou a audiência, o ambiente na sala ficou marcado por grande tensão, com o colectivo de cinco juízes a chamar à vez cada um dos oito arguidos. Saddam chegou a gritar "Deus é maior que o ocupante", "longa vida para o Iraque". Também admoestou os guardas que o obrigaram a levantar-se à entrada dos magistrados com um sonoro "não me torçam os braços!". Este o corolário do processo judicial sobre o massacre de xiitas em Dujail nos anos 80, que começou a 19 de Outubro de 2005, tendo a fase das alegações da acusação e da defesa sido dada por concluída a 27 de Julho deste ano, ao fim de 40 sessões.Num dia de emoções à flor da pele, outro réu, Awad Ahmed al-Bandar, antigo presidente do Tribunal Revolucionário, também condenado à forca, foi mesmo expulso da sala, após gritar "Deus é grande para todos os traidores". Outro expulso foi Ramsey Clark, um dos 12 advogados de Saddam, antigo procurador-geral da República americano, que criticou o timing da sentença, proferida a dois dias das legislativas nos EUA. "Saia da sala, você veio da América para gozar com o povo iraquiano e o tribunal", ordenou-lhe o juiz Abdel Rahmane. Versão diferente têm os causídicos de Saddam, segundo os quais Clark foi expulso por ter entregado um documento de 250 páginas contestando a legitimidade do tribunal. Processado, terá de responder por desrespeito aos juízes.
Os advogados, que estiveram reunidos com Saddam durante quatro horas, no sábado à tarde, preparando-o psicologicamente para o embate da sentença, garantem que já estavam à espera deste desfecho. "Toda a acção do tribunal apontava para este veredicto", disse aos jornalistas um deles, o tunisino Ahmad Seddik.
in DN

02 Novembro 2006

ADMINISTRAÇÕES FISCAIS DE PORTUGAL E ESPANHA ASSINARAM ACORDO COM O OBJECTIVO DE TROCAR INFORMAÇÃO FISCAL

As administrações fiscais de Portugal e de Espanha assinaram um acordo de cooperação transfronteiriço com o objectivo de trocar informação fiscal.
O acordo foi assinado na semana passada e abrange a troca de informação "em matéria do Imposto sobre o Valor Acrescentado [IVA] e impostos sobre o rendimento [IRS e IRC] e aplica-se aos serviços regionais de ambos os países localizados naquela zona transfronteiriça", lê-se no documento divulgado hoje.Do lado português ficam abrangidos por este acordo os serviços de finanças de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora, Beja e Faro. Do lado espanhol serão os serviços de finanças da Galiza, Castela e Leão, Estremadura e Andaluzia a ter uma relação privilegiada com os serviços portugueses regionais, sem a necessidade de passar pelo serviço central.Os principais alvos da acção dos serviços fiscais dos dois países serão as empresas que deslocalizam a sua actividade para qualquer dos territórios transfronteiriços, que se tenha traduzido por "um prejuízo para o respectivo país de residência"; as empresas que operam em sectores de actividade considerados de risco, em particular as transportadoras rodoviárias, estabelecimentos de diversão, empresas de construção e de comércio de materiais de construção; e as empresas "envolvidas em redes de fraude ao IVA".
in público

01 Novembro 2006

"CONHECER DIREITO" LANÇA A PERGUNTA DO REFERENDO SOBRE O ABORTO

Resultados finais da questão colocada aos visitantes do blog CONHECER DIREITO sobre a lei da paridade:
Qual a importância da Lei da Paridade?
-Demonstra maturidade democrática sendo uma lei justa e muito importante para uma maior participação feminina na política- 4%
-É desnecessária pois a maior participação feminina na política seria operada pelo seu crescente envolvimento nos outros sectores da vida social- 96%

Inicia-se hoje um novo inquérito aos visitantes deste blog, sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, sendo que a pergunta realizada é a mesma que foi aprovada a semana passada no parlamento e enviada ao Tribunal Constitucional para fiscalização preventiva da constitucionalidade e da legalidade da proposta de referendo.
Conto com a sua Participação!

31 Outubro 2006

ALTERAÇÕES À LEI ORGÂNICA DO BANCO DE PORTUGAL

Foi aprovado em Conselho de Ministros um conjunto de alterações à Lei Orgânica do Banco de Portugal, visando o cumprimento do compromisso assumido pelo Governo de adoptar e introduzir boas práticas, rigor e transparência na acção e governação societária das empresas públicas e, ao mesmo tempo, clarificar o regime aplicável a certos aspectos relacionados com os mandatos dos membros do conselho de administração, do conselho de auditoria e do conselho consultivo do Banco de Portugal.

NOVO REGIME DO GESTOR PÚBLICO

O Conselho de ministros de 19 de Outubro aprovou, na generalidade, um diploma que institui o novo regime do Gestor Público integrado e adaptado às circunstâncias actuais, que abrange todas as empresas públicas, independentemente da respectiva forma jurídica, e que fixa sem ambiguidades o conceito de gestor público, definindo o modo de exercício da gestão no sector empresarial e as directrizes a que a mesma deve obedecer e regula a designação, o desempenho e a cessação de funções pelos gestores públicos.

NOVA CONSTITUIÇÃO SÉRVIA A CAMINHO DA APROVAÇÃO

Estimativas ontem divulgadas indicavam que a nova Constituição sérvia foi aprovada por 51,6% dos votos dos 6,6 milhões de eleitores inscritos. O documento, que considera o Kosovo parte "inalienável" da Sérvia, necessitava do apoio de mais de 50% dos sérvios para entrar em vigor. "Nós podemos dizer com um grau elevado de fiabilidade que a maioria dos eleitores aprovou a Constituição", declarou Zoran Lucic, director do Centro para as Eleições Livres e a Democracia, acrescentando que a taxa de participação foi de 53,5%. A consulta foi largamente boicotada pelos kosovares albaneses que, desde os anos 90, deixaram de participar nos escrutínios organizados pela Sérvia. O texto da Constituição foi aprovado por unanimidade pelo Parlamento sérvio, em Setembro, tendo recolhido o apoio de todos os partidos, desde os democratas aos ultranacionalistas, que apelaram a votar "sim" no referendo. O primeiro- -ministro sérvio, Vojislav Kostunica, que há meses disse que a Sérvia não pretende abdicar do Kosovo nem em troca da adesão à União Europeia, alertou mesmo para as consequências "imprevisíveis" de um eventual fracasso da consulta popular. A nova Constituição, que deve substituir o texto promulgado no tempo de Slobodan Milosevic, surge numa altura em que prosseguem as negociações para um estatuto final do Kosovo, província administrada, desde 1999, pelas Nações Unidas. Os kosovares albaneses (90% da população) reclamam a independência. Mas a Sérvia recusa.A comunidade internacional aguarda com expectativa um estatuto, até ao final do ano, para perceber se pode e como pode vir a reduzir o número de militares presentes no terreno. A actual missão da NATO no Kosovo, a Kfor, conta presentemente com 16 500 militares oriundos de 36 países, 370 dos quais de Portugal.

28 Outubro 2006

ESTADO MAIS "MAGRO"

Os organismos públicos dispõem de muito pouco tempo para elaborar a nova legislação que vai regulamentar a sua actividade. É que segundo as leis orgânicas dos ministérios, publicadas ontem em Diário da República, "os diplomas orgânicos pelos quais se procede à criação, fusão, extinção e reestruturação dos serviços e organismos [...] devem ser aprovados no prazo de 90 dias após a entrada em vigor" das novas macroestruturas. Em declarações no Parlamento, o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, foi ainda mais exigente, ao comprometer-se a aprovar os novos diplomas até final do ano. Aquela data-limite complementa os prazos que já estão definidos no regime legal que enquadra os processos de reestruturação, publicado também esta semana. Segundo o artigo 8º, os processos de extinção devem decorrer durante 40 dias úteis, enquanto as fusões e reestruturações devem efectuar-se em 60 dias. Assim, para que sejam aprovados até ao final de Janeiro (dentro de 90 dias), é preciso que os anteprojectos dos diplomas que regulamentam o funcionamento dos serviços cheguem às respectivas tutelas ao longo de Novembro. Ao que apurou o DN junto de fonte governamental, o Executivo vai aprovar de forma gradual as mais de 300 leis orgânicas de modo a evitar uma sobrecarga. Para isso, foram fixadas datas diferente por ministérios.Com a publicação das leis orgânicas dos ministérios fica concluída a primeira fase do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE). A nova fase diz agora respeito às designadas microestruturas, ou seja, a todos os serviços e organismos públicos. Desta reestruturação resultaram a extinção de 246 organismos e a criação de 60, mantendo-se 271. Feitas as contas, o número total de serviços da administração central do Estado passou de 518 para 331.
in DN

NAÇÕES UNIDAS APROVAM RESOLUÇÃO PARA O CONTROLO DO COMÉRCIO DE ARMAS COM VOTO CONTRA DOS EUA

A comissão da Organização das Nações Unidas para as questões de desarmamento votou - com o único voto contra dos Estados Unidos - uma resolução para o controlo da venda de armas no mundo. Este é o primeiro passo para a elaboração de um tratado mundial que regulamente e reforce a legislação actual sobre o comércio de armas. O texto votado pela comissão especial da assembleia geral da ONU resultou da proposta de várias organizações não-governamentais, religiosas e de defesa dos direitos humanos (entre as quais a Amnistia Internacional e a Oxfam), e por 15 laureados com o Nobel - entre eles o Dalai Lama, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu e o Presidente da Costa Rica, Oscar Arias. Num dos relatórios enviados à comissão pela Oxfam e pela Amnistia Internacional, citado pela AFP, verificava-se que, com o crescimento da indústria mundial de armamento, os comerciantes de armas beneficiam da ausência de um quadro jurídico que lhes permite abastecer regimes e indivíduos pouco respeitadores dos direitos humanos. No caso dos Estados, há mesmo alguns sujeitos a embargo, mas a falta de regras permite a sua violação permanente. Na votação de anteontem participaram 164 países, tendo 139 votado a favor. Além do voto contra dos Estados Unidos, 24 outros abstiveram-se. "O único caminho para que um tratado global sobre o comércio de armas funcione é todos os países concordarem com um patamar" mínimo de condições a respeitar, afirmou Richard Grenell, porta-voz da representação dos Estados Unidos junto da ONU. "Para nós, isso ficaria agora tão abaixo do que já exigimos na lei [dos EUA], que teríamos de votar contra [o tratado], para manter os nossos altos padrões", acrescentou Grenell. A associação dos portadores de armas norte-americana, recorda a Associated Press, opôs-se já aos esforços para conseguir um tratado que regule a posse de armas ligeiras. O grupo diz que o tratado pode encorajar regimes que violam os direitos humanos a desarmar os seus cidadãos, tornando impossível qualquer levantamento popular.
in público

25 Outubro 2006

UTILIZAÇÕES ILÍCITAS DE COMUNICAÇÕES ELECTRÓNICAS:GOVERNO VAI APLICAR COIMAS

O Conselho de Ministros aprovou um decreto que altera a lei das comunicações electrónicas e que estabelece um novo regime sancionatório pela aquisição, propriedade e utilização de dispositivos ilícitos para fins privados neste domínio.
Segundo o executivo, o diploma visa "punir com coima a detenção e utilização de dispositivos ilícitos para fins privados, colmatando-se um vazio" decorrente da legislação em vigor, "que apenas pune actividades com fim comercial". Com a aprovação do decreto, o Governo diz que passa agora também a sancionar-se "o utilizador final pela aquisição, pela utilização, pela propriedade, ou mera detenção, a qualquer título, de dispositivos ilícitos". "Pretende-se a eliminação progressiva de um mercado paralelo e ilegal que é do conhecimento de todos e que vem causando um decréscimo de vendas dos operadores, ferindo direitos de autor e causando prejuízos ao Estado", justifica o executivo.
in lusa

24 Outubro 2006

METADE DOS JULGADOS DE PAZ FUNCIONAM COM PROBLEMAS

"Há alguma proposta para resolver a questão? É que se vai para o tribunal judicial a decisão vai arrastar-se." O juiz João Paulo Chumbinho tentou de tudo para que o demandante, Fernando Sousa, e o demandado, agência de viagens Abreu, chegassem a acordo para resolver logo ali, no Julgado de Paz de Lisboa, o pedido de indemnização cível apresentado por Fernando Sousa na sequência do atraso de um dia da sua viagem de regresso do Brasil.A agência de viagens não estava aberta a propostas - "a responsabilidade pelo atraso é da companhia aérea", argumentava a advogada - e a tentativa de conciliação morreu sem dar frutos. "Vamos arriscar subir ao tribunal de comarca", atirou a causídica, fazendo cair por terra as tentativas de aproximação do juiz.Mas é esta a função do juiz de paz. Cabe-lhe tentar sempre, e até à última, um acordo entre as partes em conflito. "O julgado de paz é um tribunal vocacionado para o acordo, a pacificação e onde os valores-base são a humanização e a proximidade com as pessoas", explicou ao DN o juiz João Paulo Chumbinho, um ex-advogado que há cinco anos, quando foram criados os primeiros julgados de paz - forma mais rápida e barata de administrar a justiça - decidiu embarcar nesta aventura. "Estou a adorar", sublinhou o coordenador de um dos julgados que mais afluência tem tido e que melhor concretização de resultados tem conseguido.
Mas nem todos os julgados têm "funcionado bem" como o de Lisboa. Segundo o relatório anual do Conselho de Acompanhamento dos Julgados de Paz referente a 2005, oito dos 15 julgados existentes funcionam ainda com alguns problemas ou com evidente escassez de procura. É o casos dos tribunais de Miranda do Corvo, Santa Marta de Penaguião, Tarouca, Terras do Bouro, Vila Nova de Poiares, Aguiar da Beira, Trofa e Oliveira do Bairro.No que respeita a Miranda do Corvo, o relatório refere que as instalações são funcionais e que a juíza de paz "é dinâmica", mas admite que é um tribunal que "não tem grande movimento". O de Santa Marta de Penaguião, segundo o relatório entregue anualmente ao Parlamento, "está dimensionado excessivamente e com distâncias agravadas por dificuldades de trânsito" e não tem "rentabilização nem divulgação adequadas". O relator conclui que "há que repensar a estruturação de julgado de paz nesta zona".Em Tarouca, existe "falta de divulgação, confusão com serviços municipais", pouca colaboração dos advogados e escassa procura. De tal forma que a juíza está a prestar ajuda ao Julgado de Paz do Porto. O relatório refere mesmo "que se justifica o repensamento da estrutura do agrupamento". Também o julgado de Terras do Bouro tem "escassa movimentação". Aqui, avisa o relator, "urge maior divulgação, se é que tem havido alguma". Mas "um dos casos mais preocupantes" é o de Vila Nova de Poiares, onde o julgado está localizado na câmara, levando os cidadãos a confundirem o tribunal com "um departamento municipal" (ver texto na página ao lado). O relatório diz que "necessita de reestruturação completa".Também o tribunal de Aguiar da Beira "continua a ser uma fonte de preocupação, face à pouca rentabilidade". Este caso, diz o relator, "exige intervenção rápida estrutural". Por fim, surgem os julgados de Trofa, que "revela escassa procura", e de Oliveira do Bairro, onde falta um juiz.
Como casos de sucesso, o relatório destaca os julgados de Vila Nova de Gaia, Cantanhede e Sintra. E a funcionar bem, ou com menos problemas, estão os tribunais de Coimbra (o mais recente), Porto, Seixal (apesar de enfrentar "dúvida sobre segurança, que "deverá ser averiguada") e Lisboa. Na capital, João Paulo Chumbinho gosta de realçar que, ao contrário do que aconteceu com Fernando Sousa, a grande maioria dos processos termina com um acordo. Mas este juiz de paz não deixa, contudo, de avisar que, face ao crescente número de processos que têm dado entrada, é necessário criar novas secções em outras freguesias e criar uma nova sala de audiências em Telheiras, onde funciona o julgado. O relatório também refere estas carências e também aponta estas recomendações.
in DN

ANTIGO PRESIDENTE DA ENRON CONDENADO A 24 ANOS DE PRISÃO

Jeffrey Skilling, antigo presidente executivo da Enron, foi hoje condenado a 24 anos e quatro meses de prisão pelo seu envolvimento no colapso daquela que era uma das maiores empresas do sector energético dos EUA.
"Os crimes desta amplitude merecem uma punição severa", declarou o juiz federal Sim Lake, esta tarde, na leitura da sentença.Skilling, a figura central de um dos maiores escândalos empresariais de sempre nos EUA, tinha sido declarado culpado, a 10 de Maio, de 19 crimes, incluindo fraude e conspiração. Em teoria, o empresário incorria numa pena que poderia chegar aos 185 anos de prisão, mas o tribunal de Houston optou por uma sentença inferior.Skilling, de 52 anos, compareceu sozinho em tribunal, uma vez que Kenneth Lay, um dos fundadores da empresa e co-arguido no processo, morreu em Julho, vítima de ataque cardíaco, um mês depois de também ter sido declarado culpado.Com dívidas que ascendiam aos 40 mil milhões de dólares, a Enron acabou por abrir falência no final de 2001, vítima de uma sucessão de acontecimentos que se seguiram à revelação de que os seus dirigentes empolaram durante anos os resultados da empresa, graças a complexos esquemas de falsificação contabilística.A falência da empresa, que antes do escândalo estava avaliada em 68 mil milhões de dólares, deixou no desemprego cerca de cinco mil funcionários.
in Público

21 Outubro 2006

ABSOLVIDOS OS 6 ARGUIDOS DO CASO DA QUEDA DA PONTE HINTZE RIBEIRO

O julgamento do caso de Entre-os-Rios terminou com a absolvição dos seis arguidos, acusados de negligência e violação de regras técnicas. O Tribunal de Castelo de Paiva considerou que os acusados não tinham responsabilidade na queda da ponte Hintze Ribeiro.
Entre os seis arguidos do caso de Entre-os-Rios contam-se quatro funcionários da ex-Junta Autónoma de Estradas e dois funcionários da supervisão de pontes.
A queda da ponte de Entre-os-Rios foi um dos maiores acidentes de Portugal, causando a morte a 59 pessoas.
O Ministério Público queria a condenação de seis anos de prisão para os seis engenheiros, mas o tribunal decidiu de modo diverso.
A juíza presidente ilibou os arguidos com o argumento de que, à época do acidente, não haviam regras que definissem a actuação dos peritos.
A sentença - cuja leitura levou quatro horas - aceitou também os argumentos da defesa, de que os réus não deviam ser acusados devido à sua idade avançada e alegando que são «pessoas de bem».

19 Outubro 2006

APROVADA A PROPOSTA DE REFERENDO SOBRE A INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ

A proposta de referendo sobre interrupção voluntária da gravidez foi hoje aprovada, na Assembleia da República, com os votos favoráveis do PS, PSD e BE, a abstenção do CDS/PP e o voto contra do PCP e "Os Verdes".
A deputada independente Matilde Sousa Franco, que foi a cabeça-de-lista pelo PS em Coimbra, e o deputado do Movimento Partido da Terra (MPT) Quartim Graça, que integra a bancada do PSD, também votaram contra a proposta. As duas deputadas do Movimento Humanismo e Democracia (MHD), que integram igualmente como independentes o grupo parlamentar do PS, abstiveram-se, bem como o social-democrata Ribeiro Cristóvão. "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" é a pergunta prevista na proposta socialista hoje aprovada. O projecto de lei do PS associado ao referendo foi aprovado em Abril de 2005 e inclui no Código Penal mais uma situação em que o aborto é legal: "A pedido da mulher, nas primeiras dez semanas de gravidez, para preservação da integridade moral, dignidade social ou maternidade consciente". Segundo a legislação, o Presidente da República tem de submeter as propostas de referendo ao Tribunal Constitucional (TC) para efeitos de fiscalização preventiva da constitucionalidade e da legalidade nos oito dias a seguir à sua publicação. O TC tem 25 dias para emitir um acórdão sobre a proposta, prazo que o Presidente da República pode encurtar, e o chefe do Estado tem 20 dias para decidir se convoca ou não a consulta, que tem de ser agendada para entre 40 e 180 dia s depois.
Com Lusa

17 Outubro 2006

O PRIMEIRO VETO AO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

A primeira decisão do novo procurador-geral da República – a escolha do magistrado Mário Gomes Dias para seu vice – foi vetada pelo Conselho Superior do Ministério Público (CSMP). A votação foi secreta e só um voto de diferença ditou o chumbo (9 contra 8). Mas está a ser interpretada como uma manifestação de desagrado dos procuradores à nomeação do próprio Pinto Monteiro.
Tal como o EXPRESSO referiu logo após ser conhecido o novo PGR, alguns procuradores influentes criticaram a opção política, pelo facto de Pinto Monteiro ser juiz de carreira, ter muito pouca experiência em processo-crime e não conhecer a magistratura do MP por dentro.
No veto de hoje ficou claro que os procuradores membros do CSMP não aceitam que o número dois da hierarquia seja «outro outsider». Mário Gomes Dias trabalha há mais de 20 anos fora dos tribunais, como auditor jurídico do Ministério da Administração Interna. E antes disso tinha sido director-adjunto da Polícia Judiciária. Ou seja, tudo cargos alheios ao MP, apesar de autorizados pelo próprio CSMP.
"Quem votou a favor até pode não concordar completamente com a escolha, mas acha que o vice deve ser alguém da confiança do PGR. Quem votou contra acha que deve ser outra pessoa, mais integrada na hierarquia, mesmo que seja menos próxima do procurador-geral", explica um dos membros do Conselho presentes na reunião (na qual apenas um procurador eleito pelos pares não esteve presente).
O encontro foi muito curto. Começou com o PGR a apresentar o currículo e as qualidades de Mário Gomes Dias, seguindo-se uma breve troca de impressões antes da votação. Mas ninguém se manifestou frontalmente contra o nome que acabou por ser vetado.
Escolher o vice é uma das poucas decisões pessoais do PGR, além dos membros do seu gabinete (que não têm qualquer intervenção nos processos). Ao vice compete substituir o procurador-geral em todas as funções, nas faltas e impedimentos. Ou seja, é o braço direito, o homem de confiança.
Por isso, é tradição o CSMP aceitar sem grande discussão os nomes indicados para número dois da PGR. Assim aconteceu com os três mais recentes: Agostinho Homem, Dias Bravo e Marques Vidal.
Desta vez foi diferente. Apesar dos auditores jurídicos dos ministérios serem completamente independentes e não receberem ordens do poder político, é certo que ficam fora da hierarquia do MP e desligados da actividade dos tribunais. E isso terá justificado o veto do CSMP.
Depois da votação, Pinto Monteiro não fez comentários e limitou-se a marcar nova reunião para o próximo dia 3 de Novembro. Até lá vai tentar encontrar outro número dois - uma tarefa difícil, pois quem for convidado saberá sempre ter sido a segunda escolha. E há ainda a hipótese teórica de apresentar o nome de Mário Gomes Dias a nova votação.
notícia EXPRESSO

NOVA LEI AMERICANA PERMITE MÉTODOS AGRESSIVOS NOS INTERROGATÓRIOS

O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assinou hoje uma lei que autoriza o recurso a "métodos agressivos" nos interrogatórios a suspeitos de terrorismo e que permite o seu julgamento por tribunais militares.
Durante a cerimónia de assinatura da nova legislação, na Casa Branca, Bush rejeitou a ideia de que a nova lei vá permitir a tortura de suspeitos de actos de terrorismo, mas vários analistas acreditam que esse tipo de tratamento vai passar a fazer parte dos métodos de interrogatório da CIA.A nova lei concede ao Presidente o poder de interpretação das regras internacionais sobre o tratamento de prisioneiros, autoriza o julgamento de suspeitos de terrorismo em tribunais militares e não exige que qualquer deles seja defendido por um advogado."Com esta nova lei, os homens que os nossos agentes dos serviços secretos acreditam terem orquestrado a morte de três mil inocentes serão levados à justiça", disse Bush, referindo-se aos atentados do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington.Entre os suspeitos de envolvimento nos atentados está Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser o mentor dos ataques; Ramzi Binalshibh, que poderá ter sido treinado para desviar um dos aviões utilizados nos atentados; e Abu Zubaydah, que é acusado de fazer a ligação entre a Al-Qaeda e várias células da organização liderada por Osama bin Laden.
in Público

ORÇAMENTO DO ESTADO 2007

O Governo reviu esta segunda-feira em alta a estimativa de crescimento da economia portuguesa para este ano, mas manteve a previsão de 1,8 por cento para 2007, um ritmo de crescimento idêntico ao esperado para a Zona Euro e inferior ao da União Europeia.
A previsão anterior do Executivo para 2006 apontava para um crescimento de 1,1 por cento, pelo que a revisão de hoje da proposta de Orçamento do Estado para 2007 implica uma subida de 0,3 pontos percentuais no cenário do Produto Interno Bruto.
Para 2007, o Governo está a trabalhar sob um cenário de crescimento de 1,8 por cento, o mesmo valor que tinha sido antecipado em Maio (nas Grandes Opções do Plano), ajudado pela recuperação do consumo, o regresso do investimento a um crescimento positivo e o bom ritmo das exportações.
Assim, Portugal deverá crescer a um ritmo mais baixo do que o esperado para a União Europeia em 2007 (2,2 por cento) e ao mesmo ritmo dos parceiros da Zona Euro (previsões Comissão Europeia).
Ministro: proposta «é credível, rigorosa e orientada para crescimento»
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, afirmou que a proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2007 «é credível», rigorosa e «orientada para o crescimento da economia».
O ministro afirmou que o OE proposto para 2007 «mantém-se na linha» do orçamento 2006 e «continua a ser de rigor e orientado para o crescimento da economia portuguesa».
Teixeira dos Santos revelou que o OE 2007 «é um orçamento de prioridades», que «não visa baixar ou reduzir o défice de qualquer maneira».
Entre as prioridades da proposta orçamental para 2007, destacou «a aposta clara na Ciência, Tecnologia e Inovação» e na «qualificação dos portugueses».
in Portugal Diário

15 Outubro 2006

REVOLUCIONAR O SISTEMA JUDICIAL EM 180 DIAS

O ministro da Justiça propôs-se revolucionar o sistema judicial em 180 dias. Durante este período, que já começou a 7 de Setembro, Alberto Costa vai apresentar em conselho de ministros 14 propostas de lei para operacionalizar o acordo político-parlamentar com o PSD assinado a 8 de Setembro - vulgarmente chamado de "pacto" para a justiça. Mas os textos terão de aguardar pela próxima sessão legislativa para serem aprovados pela Assembleia da República.As principais propostas para a "ambiciosa reforma do sistema judicial", que Alberto Costa diz querer protagonizar, deverão estar prontas a 7 de Março de 2007. O prazo começou a contar a 7 de Setembro, dia em que o governante fez aprovar uma resolução em conselho de ministros, comprometendo-se a apresentar, no prazo máximo de 180 dias, todas as suas propostas.Logo naquela data viu aprovados três projectos de diploma. Um relativo à viabilização do regime de recursos em processo civil. Após a aprovação desta proposta de lei pela AR, vai ser muito mais caro recorrer para os tribunais superiores. As novas regras de recurso para o Supremo Tribunal de Justiça são também ali redefinidas. Prevê-se ainda que, com a nova lei, terminem os litígios entre tribunais quando há dúvidas sobre a competência para julgar um caso. O novo diploma determina que tais conflitos sejam resolvidos com carácter de urgência, num único grau e por um juiz singular.
Código Penal:
Um segunda proposta de lei já aprovada a 7 de Setembro diz respeito à revisão do Código Penal. Em análise está o texto apresentado ao Ministro da Justiça pela Unidade de Missão para a Reforma Penal (UMRP), com as reformas já divulgadas na comunicação social. Destacam-se aqui a consagração da responsabilidade penal das pessoas colectivas; assim como a diversificação das sanções não privativas da liberdade - com o objectivo de promover a reintegração social e evitar a reincidência, nomeadamente através do alargamento do âmbito do trabalho a favor da comunidade e da vigilância electrónica; também o reforço da tutela de pessoas particularmente indefesas, designadamente as vítimas de crimes de violência doméstica, maus tratos e discriminação; e ainda o agravamento da responsabilidade nos casos de fenómenos criminais graves, tais como o tráfico de pessoas, o incêndio florestal e os crimes ambientais. A terceira proposta de lei aprovada a 7 de Setembro é referente ao Código de Processo Penal. O trabalho da UMRP foi aprovado na generalidade, devendo agora, no prazo de 60 dias, ser aprovado definitivamente. Nas várias alterações, destacam-se a redução dos prazos da prisão preventiva e limitação da sua aplicação; a adopção da necessidade de a constituição de arguido ser validada pela autoridade judiciária; a limitação do segredo de justiça, mediante a valorização do princípio da publicidade; a previsão de uma duração máxima para o interrogatório do arguido; e a limitação das pessoas que podem ser sujeitas a escutas telefónicas.Na resolução do Conselho de Ministros de 7 de Setembro, ficou ainda estipulado que no prazo de 60 dias deverá ser aprovada, em definitivo, uma proposta de lei que proceda à criação de um sistema de mediação penal. Esta medida visa permitir a resolução extrajudicial de conflitos resultantes de pequena criminalidade, através da utilização de mecanismos de mediação entre vítima e infractor.No prazo de 90 dias, deverá ser ainda aprovada uma proposta de simplificação e modernização do regime jurídico das custas judiciais.
120 dias para a magistratura:
A magistratura vai ser visada nas propostas que Alberto Costa quer ver aprovadas no prazo de 120 dias em conselho de ministros, nomeadamente a revisão do modelo do acesso à magistratura. Esta medida, entre outras alterações, visa adoptar um figurino de formação que reflicta as diferenças entre o exercício das magistraturas judicial e do Ministério Público. É proposto que esse figurino compreenda, também, áreas de actividade social onde os litígios surgem com mais frequência, bem como a existência de módulos de formação comuns com outras profissões jurídicas, designadamente com advogados.Em 120 dias terá igualmente de ser aprovada uma proposta de lei que regule o acesso de magistrados para os tribunais administrativos e fiscais, bem como o modelo de formação. Ao mesmo tempo, está prevista a apresentação de uma proposta legislativa que proceda à revisão dos Estatutos dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público, incluindo a adopção de provas públicas para o acesso aos tribunais superiores. Este diploma vai estabelecer novas regras no Supremo Tribunal de Justiça, nomeadamente uma quota de juízes conselheiros de preenchimento obrigatório por juristas de mérito não pertencentes às magistraturas. Os regimes da aposentação e jubilação vão também ser revistos, aproximando-os dos princípios gerais aplicáveis aos servidores do Estado. Ainda em 120 dias deverá ser aprovada uma proposta que proceda às alterações necessárias ao aprofundamento da autonomia do Conselho Superior da Magistratura, dotando-o de meios financeiros e humanos. Juntamente com esta, seguirá uma outra proposta que proceda ao aperfeiçoamento do regime jurídico do acesso ao direito e aos tribunais. Nela se prevêem alterações no patrocínio oficioso, passando a incluir a consulta jurídica. Por outro lado, o Estado poderá contratar directamente advogados, através do regime de avença, para assegurar a defesa das pessoas carenciadas.
180 dias para acção executiva:
A tentativa de salvar a reforma da acção executiva tem o prazo mais alargado. Alberto Costa quer ver aprovada em 180 dias uma proposta de lei que permita o acesso de licenciados em direito, incluindo advogados, ao exercício de funções de agente de execução. Recorde-se que, entretanto, foram já aprovadas 17 medidas para desbloquear a acção executiva, considerada o "cancro" da justiça. Neste mesmo prazo deve ser aprovada uma proposta que proceda à revisão do mapa judiciário .Assim, são 14 as propostas de lei que, em 180 dias, vão ser levadas a conselho de ministros. Todas estão previstas no chamado pacto para a justiça assinado pelo PS e PSD. Daí que a sua aprovação na Assembleia da República esteja praticamente garantida .Mas, não será pacífico. Algumas das iniciativas irão tocar no estatuto dos magistrados. E os sindicatos garantem que estarão atentos.
in DN

A CONSTITUCIONALIDADE DAS NOVAS TAXAS MODERADORAS

A discussão prossegue. As novas taxas moderadoras anunciadas pelo ministro da Saúde continuam a ser contestadas por várias vozes que as consideram inconstitucionais. O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, e o deputado bloquista Francisco Louçã,insistiram na tese. Porém, Correia de Campos recebeu um apoio de peso: o Professor Jorge Miranda considerou que a imposição de taxas nos internamentos hospitalares e cirurgias de ambulatório não viola, em princípio, a lei fundamental da República.Recorde-se que o ministro da Saúde anunciou esta semana a intenção de cobrar cerca de cinco euros por dia pelos internamentos até um máximo de 14 dias, medida que já suscitou várias críticas. Nomeadamente do Bloco de Esquerda (BE), que, pela voz de Louçã, desafiou os deputados socialistas descontentes com a medida a juntarem as suas assinaturas às do BE para pedir a fiscalização da constitucionalidade.Da mesma forma, o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, mostrou-se convicto de que a iniciativa do Ministério da Saúde viola os direitos constitucionais, uma vez que poderá discriminar as pessoas de menores rendimentos, dificultando o seu acesso ao internamento. Porém, Jorge Miranda, em declarações à TSF, disse que, desde que a taxa introduzida não discrimine quem tem menos dinheiro para pagar os cuidados de saúde, a medida é constitucional. "Tudo está em saber se o aumento é relativamente razoável ou excessivo e se põe em causa o princípio consagrado na Constituição de que a saúde é tendencialmente gratuita", sublinhou, rematando: "Do ponto de vista jurídico, não vejo que seja inconstitucional."

13 Outubro 2006

LEI SOBRE CASAMENTO E ADOPÇÃO POR HOMOSSEXUAIS SÓ A PARTIR DE 2009

O Partido Socialista não vai propor a adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo ou o casamento de casais homossexuais antes de 2009. O membro da Opus Gay António Serzedelo compreende as razões da decisão, mas considera que três anos pode ser tempo de mais.
O texto da moção que o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, vai levar ao Congresso do partido remete para depois de 2009 a eventual aprovação de legislação sobre estas questões. Ouvido pela rádio TSF, o membro da associação de defesa dos direitos dos homossexuais compreende que seja preciso tempo para sensibilizar os portugueses para este debate. "Por ser para lá de 2009, temos alguma tristeza, porque nos parece um grande espaço de tempo. Em todo o caso, parece-nos acertada, da parte do senhor primeiro-ministro, a decisão naquilo que toca à construção de uma sociedade mais justa, de uma sociedade contra a exclusão e de uma sociedade que dê igualdade de oportunidades para todos", disse António Serzedelo. Para o activista, é preciso sensibilizar a opinião pública portuguesa e os próprios casais homossexuais antes de se tomar decisões. "Na verdade, é preciso construir a casa não pelo telhado mas começar a construí-la da base. Eu sou absolutamente a favor do casamento, absolutamente a favor da adopção, mas entendo que é um processo que tem de ser trabalhado junto da população, junto dos poderes locais, junto dos heterossexuais e até junto dos próprios gays. Não se morre por falta de casamento, mas morre-se em Portugal por motivos de homofobia", afirmou.
in Público

11 Outubro 2006

DN: PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA DE UM ARGUIDO PODE DESAPARECER

O princípio da presunção da inocência de um arguido pode desaparecer do direito português em resultado do acordo político-parlamentar para a justiça entre o PS e o PSD, no qual se estabelece o princípio da publicidade dos processos criminais em fase da investigação.No texto assinado a 8 de Setembro, os dois maiores partidos fazem constar que o processo penal, por regra, vai passar a nascer público, tornando-se secreto apenas se, a posteriori, o solicitarem a vítima, o arguido ou o Ministério Público (MP), ficando a decisão sempre dependente de um juiz de instrução criminal. "Com a consagração do princípio da publicidade permite-se e legaliza-se a prática de realizar detenções ou notificações em frente das televisões e dos repórteres fotográficos - prática que actualmente, embora habitual, é ilegal, "afirma, em declarações ao DN, o juiz desembargador Eurico Reis.Segundo a lei em vigor, recorde-se, o processo penal nasce secreto, não só no interesse da própria investigação mas também, e sobretudo, para preservar a honra de quem é investigado. Até prova em contrário, refere a Constituição, presume-se a inocência dos arguidos. Assim, se - no âmbito de uma investigação - o Estado se reserva o direito de invadir a privacidade de uma pessoa, ao mesmo tempo compromete-se a garantir o sigilo até se mostrarem fundamentados os indícios criminais. Se não houver uma acusação formal, o caso "morre" em silêncio, evitando-se a condenação de pessoas inocentes na praça pública.RevoluçãoMas o pacto para a justiça anuncia mudanças. "É restringido o segredo de justiça, passando, em regra, a valer o princípio da publicidade", atesta o acordo político-parlamentar. Entendem PS e PSD que "a aplicação de regime de segredo de justiça só se justificará quando a publicidade prejudicar a investigação ou os direitos dos sujeitos processuais."Mas quem decidirá será sempre um juiz, a requerimento da vítima, do arguido ou do MP. Este poderá também determinar logo à partida a sujeição do processo a segredo de justiça. A decisão, contudo, terá sempre de ser confirmada a posteriori pelo ma-gistrado judicial. O princípio, mantém-se sempre o da publicidade."Querendo alcançar um objectivo em si positivo - que é o de permitir aos arguidos conhecer melhor o processo que contra si é instruído -, o acordo acaba por atingir o objectivo oposto, pondo em causa o princípio da presunção da inocência", diz Eurico Reis, que assegura: "Quando a pessoa que dirige o processo o quer realmente, a informação não sai do processo. Dá trabalho. Mas é assim..." É preciso esperar"Será ainda necessário ver os textos legais para se perceber como se concretiza este acordo político- -parlamentar para a justiça." Na opinião do "pai" do actual Código de Processo Penal, professor Figueiredo Dias, a lei, de 1987, "não parece estar mal". Talvez a sua aplicação é que "não esteja a ser eficaz", observou o professor de Coimbra, em declarações ao DN, frisando que terá agora de se conhecer o conteúdo da futura legislação.É preciso, pois, ver "como será conformada a nova lei", considerou igualmente Germano Marques da Silva, ex-director da Faculdade de Direito da Universidade Católica, para quem há muitos crimes que não justificam a aplicação do segredo: cheques sem provisão, injúria ou difamação, agressão, entre muitos outros.Ao nível do segredo externo, o professor chama a atenção para a necessidade de se preservar, sempre, a honra das pessoas em crimes mais complexos, como o de violação ou de fraude. Mas, ao nível do segredo interno, considera que deve haver mais abertura. "Os arguidos têm o direito de saber de que se são indiciados para que se possam defender ", frisou. Em seu entender, "é esse o objectivo que o pacto pretende alcançar."
in DN

ORÇAMENTO DO ESTADO 2007 VAI SER APROVADO SEXTA-FEIRA EM CONSELHO DE MINISTROS

O Orçamento do Estado para 2007 vai ser aprovado depois de amanhã em Conselho de Ministros extraordinário e entregue na segunda-feira na Assembleia da República.
O documento será analisado na reunião de amanhã de Conselho de Ministros, mas a sua aprovação só será feita no dia seguinte em nova reunião do Executivo, disse hoje à Lusa uma fonte governamental.O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, reuniu-se hoje na Assembleia da República com os partidos políticos com assento parlamentar para apresentar as linhas gerais do Orçamento do Estado para 2007.Teixeira dos Santos afirmou que terá de haver contenção no investimento público no próximo ano, mas garantiu que o orçamento será de maior qualidade, com uma aposta na área da ciência e tecnologia.O ministro disse que o orçamento do próximo ano visa uma consolidação orçamental "muito importante", que vai assentar na redução de "toda a despesa".Haverá cortes nas despesas de funcionamento e "terá de haver contenção" nas despesas de investimento, garantiu o mesmo governante."Não temos margem de manobra para aumentar o investimento", mas vai haver uma "aposta muito importante" na área da ciência e tecnologia, acrescentou Teixeira dos Santos.O investimento será de "maior qualidade" e dirigido para as áreas onde a economia portuguesa mais precisa de apostar, assegurou.
in Público

PENA DE MORTE ABOLIDA HÁ 30 ANOS

Portugal aboliu a pena de morte em 1976, mas segundo a Amnistia Internacional, há 160 anos que não há execuções no país. Hoje, milhares de pessoas em vários países celebram o Dia Mundial Contra a Pena de Morte, uma efeméride que este ano tem como lema "A pena de morte, um fracasso da Justiça".
A Amnistia Internacional Portugal assinala este dia e simultaneamente os 160 anos decorridos sobre a última execução da pena de morte em Portugal, através de uma largada de balões brancos em sinal de apelo pacífico aos países que ainda mantêm a pena de morte. Em vários pontos do país, será iluminado o pelourinho ou local de igual importância simbólica de cada município. Nesta iniciativa da Amnistia Internacional participam 24 municípios: Alvito, Amadora, Baião, Benavente, Cascais, Elvas, Figueiró de Vinhos, Guimarães, Lagos, Lisboa, Loures, Lourinhã, Montijo, Moura, Oeiras, Penalva do Castelo, Peniche, Peso da Régua, Porto, Porto de Mós, Póvoa de Varzim, Santarém, Vale de Cambra e Valongo. Ao iluminar este tipo de monumento, as cidades estarão a apelar à abolição universal da pena de morte, tendo esta acção como objectivos encorajar a discussão pública sobre a pena de morte, reforçar a sua oposição por parte da socie dade civil e pressionar os países que ainda mantêm a pena de morte para acabarem com as execuções. Segundo a Amnistia Internacional, o mundo continua a convergir para a a bolição da pena de morte como pena capital, apesar de ainda se manter em 68 países. De 1981 a 2005, 86 países aboliram a pena de morte para todos os crimes, onze aboliram-na, excepto em casos como crimes em tempo de guerra, e pelo menos 25 nações foram abolicionistas na prática, ou seja, não levaram a cabo qualquer execução nos últimos 10 anos ou mais. De acordo com a AI, em 2005 registaram-se 5.186 condenações à morte em 53 países e pelo menos 2.148 pessoas foram executadas em 22 países.

09 Outubro 2006

COMBATE À CORRUPÇÃO DOMINOU DISCURSO DE PINTO MONTEIRO

O novo Procurador-Geral da República (PGR), Fernando Pinto Monteiro, afirmou hoje que a corrupção é um crime que «pela sua especial gravidade» e «enorme repercussão» na sociedade necessita de «uma maior colaboração entre os vários órgãos do Estado».
O combate à corrupção foi o tema dominante no discurso de tomada de posse de Fernando Pinto Monteiro como novo PGR, em que realçou ainda a necessidade de uma maior participação dos cidadãos e um maior dispêndio de tempo e de meios na investigação deste tipo de crime.
«Várias leis foram elaboradas com o fim de combater a corrupção, várias experiências foram tentadas, várias iniciativas tomadas, mas a corrupção está aí, tão viva como sempre, minando a economia, corroendo os alicerces do Estado de mocrático», disse.
Na abordagem da problemática da corrupção, Fernando Pinto Monteiro frisou que se a ordem jurídica não se pode confundir com a ordem ética, «a verdade é que em cada povo e em cada época tem que existir aquele mínimo de valores éticos a respeitar, e subjacentes à feitura e aceitação das leis».
«É aqui, penso, que se coloca um dos pontos-chave da luta contra a corrupção em Portugal. É fundamental a criação de um juízo de censura, de um desejo de punibilidade existente na consciência moral do homem médio, que por isso deve ser sensibilizado para o problema», enfatizou.
Segundo o novo PGR, «não havendo essa consciência moral e a certeza de que todos serão tratados de igual forma, existindo antes a convicção de que todos se governam e de que a corrupção é um mal menor e inevitável, os esforços contra a corrupção serão sempre votados ao fracasso».
Pinto Monteiro sublinhou ainda que há vários graus de corrupção, desde a pequena corrupção à corrupção de Estados, mas que é «a grande corrupção» que, arrastando «grandes interesses», torna «os poderosos mais poderosos e os fracos mais fracos».
Neste sentido referiu que o Ministério Público, que por definição tem que proteger os mais desprotegidos, «deve empenhar-se seriamente no combate a corrupção».
«E desde já, aproveitando os meios de que dispõe, enquanto não forem melhorados, e não esperando por novas leis, antes fazendo o uso das que existem», adiantou.
Fonte:Diário Digital / Lusa

BAN KI-MOON É O NOVO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

Ban Ki-Moon foi hoje oficialmente eleito secretário-geral das Nações Unidas. Humilde e tranquilo, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul foi recomendado pelo Conselho de Segurança da ONU para substituir Kofi Annan, no início de 2007.
Os 192 membros da Assembleia-geral deverão endossar o nome do diplomata ainda este mês, como o oitavo secretário-geral da ONU desde 1946. Com mais de 30 anos de ligação ao universo das Nações Unidas, Ban Ki-Moon apresentou a sua candidatura a secretário-geral no início deste ano, transformando-se no primeiro sul-coreano a concorrer ao cargo.
Diplomata experiente, Ban Ki-Moon, de 62 anos, tem uma característica que agrada a todos os países envolvidos: a capacidade de dialogar com todas as partes e de ser um perito em negociar consensos sobre questões difíceis. A sua ligação nas negociações com a Coreia do Norte e o facto de ter sempre apoiado uma política de diálogo com Pyongyang também favoreceram a sua nomeação.
No entanto, o estilo moderado e apaziguador do novo secretário-geral da ONU, levou à apreensão de alguns países aquando da sua candidatura, pois duvidavam da sua capacidade de afirmação. Durante a sua campanha, o diplomata teve mesmo de desmistificar publicamente o conceito cultural asiático de ser humilde. “Humildade não deve ser confundida com falta de firmeza”, esclareceu.
A vasta carreira diplomática de Ban Ki-Moon começou na Índia, após ter terminado um bacharelato em relações internacionais, na Universidade de Seul, em 1970. O destino levou-o à divisão para a ONU do Ministério dos Negócios Estrangeiros do seu país. Mais tarde foi transferido para a missão sul-coreana nas Nações Unidas, acabando mesmo por ficar como director-geral da missão da Coreia do Sul na organização. Ban Ki-Moon foi ainda funcionário da embaixada da Coreia do Sul nos Estados Unidos e, em 1985, terminou um mestrado em política governamental na prestigiada Universidade de Harvard.
Em 1996, foi vice conselheiro de segurança nacional. Mais tarde foi promovido a embaixador e enviado para Viena, onde foi também presidente da comissão preparatória da Organização para o Tratado de Proibição de Testes Nucleares.
Em 2001, foi nomeado embaixador da Coreia do Sul na ONU. Três anos depois, assumiu o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros do seu país, posição que ocupa até hoje.
Ao longo da sua carreira, o diplomata foi condecorado não só pelo governo sul-coreano, com também por outros país, com os Estados-Unidos e a Áustria.

CRIMES DE "COLARINHO BRANCO" FICAM DE FORA DA PRISÃO PREVENTIVA

Os juízes vão deixar de poder aplicar a prisão preventiva a suspeitos de crimes de colarinho branco, como tráfico de influências ou corrupção activa, caso os princípios gerais previstos no Pacto de Justiça assinado entre o PSD e o Governo passem à prática. Isto porque o acordo estabelecido pelo chamado "bloco central" prevê que a prisão preventiva passe a aplicar-se apenas a crimes dolosos puníveis com pena de prisão superior a cinco anos, quando agora o limite está nos três anos. Ora, fazendo uma leitura do Código Penal - onde estão tipificados todos os crimes - constata-se que ficarão de fora da prisão preventiva, entre outros, o tráfico de influências, a corrupção activa , a participação económica em negócio praticada por funcionário, o favorecimento pessoal, a denegação da justiça, a prevaricação e, ainda, a falsificação de documento praticada por funcionário. Todos eles - que actualmente são susceptíveis de prisão preventiva - são punidos com pena de prisão até cinco anos. De ressalvar que, para efeitos penais, funcionário é o agente administrativo, o empregado da função pública e jurisdicional, o gestor público, o trabalhador de uma empresa pública e aquele que desempenha funções políticas. Aos autores dos crimes de colarinho branco, como são conhecidos os actos ilícitos atrás
descritos - só seria aplicável a prisão preventiva se actuassem em associação criminosa. Porque o anteprojecto do novo Código de Processo Penal (CPP) elaborado pela Unidade de Missão para a Reforma Penal prevê a aplicação da prisão preventiva à criminalidade altamente organizada punível com prisão superior a três anos (onde já entra o tráfico de influências e a corrupção activa). Fora disso, ou seja, sem associação criminosa , o juiz deixa de poder aplicar a pre-ventiva como medida de coacção.
De fora da prisão preventiva ficarão ainda os crimes de passagem de moeda falsa, contrafacção de valores, alguns tipos de furto qualificado, a insolvência danosa, no caso em que a falência chega mesmo a ser decretada, e a administração danosa de uma empresa do sector público ou cooperativo. Também estes são puníveis com pena de prisão até cinco anos. E o anteprojecto do novo Código Penal, também elaborado pela Unidade de Missão, não prevê qualquer alteração à medida da pena, nem nestes casos nem nos dos crimes de colarinho branco.Instado pelo DN a comentar tal alteração, um membro da Unidade de Missão para a Reforma Penal confirmou que crimes como o tráfico de influência e a corrupção activa ficam de fora da prisão preventiva, "excepto no caso de associação criminosa", esclarecendo que, perante a necessidade de se definir um novo marco para a preventiva, a Unidade acabou por optar pelos cinco anos. E foi esta a proposta que seguiu no anteprojecto do CPP entregue ao Governo e já aprovado na generalidade em Conselho de Ministros.Mas, num contacto posterior, Rui Pereira, o presidente da Unidade de Missão, afirmou ao DN que o grupo de trabalho está a preparar "esta semana" uma proposta de alteração ao anteprojecto do CPP de forma a que a tal excepção da criminalidade organizada englobe o tráfico de influências, a corrupção activa e o branqueamento de capitais.
in DN

08 Outubro 2006

FRANÇA AVANÇA COM LEI ANTI-TABACO

O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin anunciou que será proibido fumar em locais públicos a partir de 1 de Fevereiro de 2007. Os cafés, restaurantes e discotecas têm até Janeiro de 2008 para se adaptarem. Para os infractores, a multa é de 75 euros. Os responsáveis dos estabelecimentos pagarão 150 euros.
Villepin defendeu que quis “avançar com uma data o mais próxima possível” e adiantou que o decreto-lei deverá ser adoptado “nos próximos dias”, cita a edição online do jornal “Le Monde”.O tabaco será “proibido em todos os locais públicos, escolas, lojas”. Mas continuará a ser possível fumar na rua e em locais privados. “Os estabelecimentos que, tradicionalmente, acolhem fumadores – como os restaurantes, bares, discotecas – terão um prazo mais alargado, até 1 de Janeiro de 2008”.Villepin lembrou que o cigarro causa “mais de 13 mortes por dia. Isto é uma realidade insuportável no nosso país”.O primeiro-ministro acrescentou que o Estado vai assumir “um terço dos custos do tratamento” das pessoas que querem deixar de fumar.
São já vários os países europeus que adoptaram uma interdição total, a começar pela Irlanda em Março de 2004. Depois seguiu-se a Noruega, Itália, Malta, Suécia, Escócia. No próximo ano será a vez da Inglaterra, Irlanda do Norte e Lituânia. Portugal deverá seguir o mesmo caminho!?

LEI DAS FINANÇAS DAS REGIÕES AUTÓNOMAS

O Conselho de Ministros de 4 de Outubro aprovou a Proposta de Lei das Finanças das Regiões Autónomas, que visa assegurar a partilha dos esforços de consolidação orçamental pelos diversos níveis da Administração Pública e o reforço e a clarificação da autonomia e da responsabilidade tributária das RA. A Proposta determina que as verbas a inscrever no Orçamento do Estado para as RA é indexado à taxa de variação da despesa corrente do Estado (excluindo transferência para a Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações), sendo definido um limite de variação igual à taxa de variação do PIB. No que respeita ao endividamento, é definido um quadro sancionatório a aplicar em caso de violação dos seus limites. Os empréstimos das RA deixam, excepto nas situações legalmente previstas, de beneficiar de garantia pessoal do Estado e proíbe-se a assunção de compromissos das Regiões pelo Estado. No domínio do poder tributário regional, permite-se que as RA criem tributos desde que vigente apenas no seu território e desde que não incida sobre matéria objecto de tributação nacional.
fonte:Portal do Governo

05 Outubro 2006

QUANTO CUSTA A JUSTIÇA

Portugal gasta anualmente 52,5 euros por habitante no sistema judicial, mais que os 0,70 euros gastos na Arménia e bastante menos do que os 323,9 euros dispendidos no Liechtenstein, revela um relatório do Conselho da Europa.
Apresentado esta quinta-feira em Estrasburgo, o relatório sobre os Sistemas Judiciais Europeus coloca Portugal mais ou menos a meio da tabela dos orçamentos destinados pelos 45 Estados europeus aos seus sistemas judiciários.
Portugal ocupa o 22º lugar, atribuindo a cada habitante 52,5 euros anuais com gastos no sistema judicial.
A Alemanha tem um orçamento de 100 euros por habitante, a Áustria 65 euros e a França 51 euros.
De acordo com o relatório, elaborado pela Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça, Portugal atribuiu, em 2004, 552.462.601 euros anuais para o sistema judiciário (tribunais, Ministério Público e assistência legal).
Em 2004, deram entrada nos tribunais portugueses 116.344 processos criminais (1.105 por cem mil habitantes). No mesmo ano registaram-se 99.747 decisões judiciais.
O documento indica que Portugal dispõe de 22.418 advogados (212,9 por cada 100 mil habitantes), 1.754 juízes com assento nos tribunais e 12,8 advogados por juiz.
Segundo o relatório, Portugal conta com 16,7 juízes profissionais por cada 100 mil habitantes, a Hungria 27, a Polónia 25, a Áustria e a Rússia 20 e a França e a Espanha dez.
Portugal contava, em 2004, com 1.217 procuradores (11,6 por cem mil habitantes), a Rússia com 55 mil procuradores (cerca de 38 por cem mil habitantes), 5.000 na Alemanha (seis por cem mil habitantes), 2.146 na Itália.

JULGAMENTO POR "PRAXE" ADIADO

O Julgamento do pedido de indemnização de uma ex-aluna ao Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros, alvo de alegados abusos nas praxes, foi adiado. O tribunal sugeriu às partes para reflectirem.
A ex-caloira Ana Sofia Damião reclama quase 70 mil euros por "danos morais e patrimoniais", alegando sentir-se "lesada" pela forma como a direcção do Piaget conduziu o caso quando se queixou de abusos nas praxes em 2002. A juíza titular do processo chamou os advogados e entendeu suspender a instância por 30 dias para que as partes possam reflectir sobre o processo e eventualmente chegar a um consenso. Caso esse consenso não seja alcançado, o julgamento tem nova data marcada para 9 de Fevereiro de 2007. A advogada da ex-aluna, Elisa Santos, que pede quase 70 mil euros de indemnização ao Piaget, faz depender um consenso do que a outra parte estiver disposta a ceder e do que lhe for proposto. O defensor do Piaget, Eduardo Costa, não quis pronunciar-se sobre o assunto, explicando apenas que o que aconteceu hoje "é uma obrigação legal do tribunal tentar um consenso, que as partes resolvam os litígios amigavelmente sem necessidade de julgamento".
Com Lusa

04 Outubro 2006

REDUÇÃO DE IRC PARA PME NA BOLSA AVANÇA NO ORÇAMENTO DE ESTADO

A criação de incentivos fiscais destinados a atrair pequenas e médias empresas (PME) para a Bolsa vai ser consagrada na Lei do Orçamento do Estado (OE) para 2007, revelou o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, ao DN, à margem da tomada de posse do novo presidente do Instituto de Seguros de Portugal. Em causa está, entre outros benefícios, a redução da taxa de IRC a pagar pelas PME cotadas durante um período máximo de cinco anos.Como já admitiu o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) - entidade que propôs a criação destes incentivos fiscais -, as PME que dispersarem capital em Bolsa beneficiarão de uma taxa de IRC "claramente abaixo dos 20%", enquanto a generalidade das empresas estão sujeitas a uma taxa de 25%.O pacote de incentivos a contemplar no OE, cuja proposta vai ser entregue pelo Governo a 16 de Outubro próximo, deverá ainda incluir benefícios fiscais para investidores particulares e institucionais que façam aplicações em títulos de PME cotadas. A proposta da CMVM sugeria que os particulares que invistam em acções de pequenas e médias empresas possam deduzir à colecta de IRS parte do valor aplicado. Outra medida destinada a promover a aposta em PME cotadas aponta para que os investidores individuais e institucionais venham a beneficiar de uma tributação menor sobre os dividendos pagos por estas sociedades. A ideia inicial sugeria que a taxa deste imposto seja reduzida para metade, durante um período de cinco anos.Além dos incentivos fiscais, estão a ser preparadas outras medidas destinadas a facilitar a atracção de PME para o mercado de capitais português. A entidade de supervisão já admitiu que poderá flexibilizar as regras de prestação de informação sempre que estejam em causa empresas cotadas de menor dimensão. Por seu turno, a Euronext Lisboa está a ultimar a criação de um mercado bolsista destinado exclusivamente a pequenas e médias capitalizações. Este segmento de negociação deverá apresentar requisitos de admissão mais flexíveis, assim como custos de entrada e manutenção em bolsa mais reduzidos.
in DN

03 Outubro 2006

CO-INCINERAÇÃO: GOVERNO TRAVA EFEITOS DA PROVIDÊNCIA CAUTELAR

O Ministério do Ambiente travou os efeitos suspensivos da providência cautelar requerida pela Câmara Municipal de Coimbra contra a decisão de avançar com a co-incineração em Souselas sem avaliação de impacto ambiental, alegando ser lesiva do interesse público.
A suspensão da eficácia da decisão governamental foi requerida a 13 de Setembro.
Na altura, o presidente da Câmara Municipal, Carlos Encarnação, adiantou que a providência cautelar seria acompanhada de uma acção principal a contestar o despacho com que o ministro do Ambiente, Nunes Correia, dispensou em Agosto a Cimpor de Souselas da realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA).
Carlos Encarnação disse que a decisão de dispensar a Cimpor de efectuar o EIA representava "um erro e um perigo" e sublinhou que a aposta da cimenteira no uso dos Resíduos Industriais Perigosos (RIP) como combustível "não é um projecto público, mas sim privado".
O secretário de Estado do Ambiente refere que o Instituto dos Resíduos (entidade competente para o licenciamento das operações de co-incineração) e o Instituto do Ambiente (Autoridade de AIA) emitiram parecer favorável à dispensa deste procedimento e propuseram um conjunto de medidas de minimização dos impactes ambientais.
Humberto Rosa considera que o diferimento do processo de co-incineração de RIP durante o tempo necessário à tomada de decisão judicial na providência cautelar é "totalmente inadmissível e altamente prejudicial para os interesses públicos".
Entre estes interesses contam-se nomeadamente: a necessidade de uma política de gestão de RIP que complemente o uso dos Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos (CIRVER), o tratamento dos lixos contaminados existentes e acumulados em diversos locais e a resolução do processo de pré-contencioso comunitário por incumprimento da directiva relativa aos RIP por não terem sido adoptadas as medidas necessárias a um tratamento adequado.
O secretário de Estado invocou ainda o cumprimento do princípio da auto-suficiência que norteia a política europeia de resíduos (redução da exportação).
Além disso, argumentou ainda que a adopção da valorização energética de RIP por co-incineração nas cimenteiras é uma solução adequada e que contribui para a redução dos riscos para a saúde das populações que resultam da contaminação de solos ou de queima não controlada.

UMA EM CADA CINCO MULHERES PORTUGUESAS É VITIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Os números são assustadores mas, de acordo com Cláudia Pedra, presidente da Amnistia Internacional Portugal, é muito provável que, ainda assim, “estejam distantes da realidade”, uma vez que “há muitas mulheres que continuam a sofrer em silêncio”.Segundo o relatório ‘Mulheres (In)Visíveis’, em 2005 foram apresentadas à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) 12 809 queixas de violência doméstica. Destas, apenas 9815 chegaram à PSP e 8377 foram denunciadas à GNR. Ainda de acordo com o estudo, a grande maioria das vítimas tem entre 26 e 45 anos, mais ou menos a mesma idade do agressor que, na maioria dos casos, é o próprio cônjuge.Os crimes mais registados nas várias instituições são as ofensas à integridade física voluntária simples e grave e os maus tratos e sobrecarga de menores, incapazes ou cônjuge. As agressões surgem sob as mais variadas formas, incluindo com uso de armas de defesa e de caça. Por último, o relatório deixa a descoberto que é nas grandes cidades, Lisboa (30 por cento) e Porto (21,6 por cento) que surge a maioria das queixas. Elaborado por Filipa Alvim, ‘Mulheres (In)Visíveis’ pretende pôr termo aos números alarmantes da violência doméstica sobre as mulheres em Portugal. Só em 2005, 33 portuguesas morreram às mãos dos maridos, antigos namorados ou parceiros. “Este mais não é do que um crime de violação dos Direitos Humanos, por isso há que começar por consciencializar a opinião pública para este grave problema. Utilizar, por exemplo, o sistema de educação para desafiar preconceitos”, sugere a autora do relatório. É esse, aliás, um dos 14 pontos do programa para a Prevenção da Violência Doméstica da AI: lançar campanhas de sensibilização nas escolas. “Se 40 por cento das agressões começam aos 25 anos, algumas até antes, na fase de namoro, isso significa que a educação falhou”, diz Filipa Alvim.Reestruturar a Linha Verde de Apoio à Vítima, providenciar novas casas de abrigo para mulheres que fogem da violência e promover formação profissional específica para facilitar a sua inserção na sociedade são outras medidas que a AI tem na manga e que pretende fazer chegar às várias entidades.É que, não correspondendo estes números às verdadeiras cifras negras, não é de estranhar que Portugal esteja mais perto da média mundial – uma em cada três, do que a média europeia – uma em cada cinco, no que se refere ao número de mulheres vítimas de violência doméstica.

02 Outubro 2006

SIMPLIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DOS CONTRIBUINTES

O Conselho de Ministros de 28 de Setembro aprovou um diploma que simplifica e elimina numerosas obrigações acessórias impostas aos contribuintes, com o objectivo de desburocratizar o Estado e de reduzir custos para cidadãos e empresas. Assim, e entre outras medidas: aprofunda-se a desmaterialização de actos e procedimentos; inicia-se uma experiência-piloto de pré-preenchimento das declarações do IRS enviadas pela Internet; dispensa-se a declaração de rendimentos a pensionistas de baixos rendimentos; elimina-se a obrigação de comunicar ao Fisco dados que podem ser obtidos por outros meios ou que não auxiliam ao controlo da situação dos contribuintes.

30 Setembro 2006

SOUTO MOURA EM ENTREVISTA AO SEMANÁRIO "SOL"

O procurador-geral da República, numa entrevista ao semanário "Sol", faz o balanço do mandato, que termina dia 7 de Outubro. Souto Moura identifica vários episódios que afirma ter interpretado como tentativas de criar uma ruptura com o Presidente da República Jorge Sampaio.Apesar de sublinhar que sempre depositou "uma grande confiança no Presidente da República", afirma que "houve três ou quatro episódios" que interpretou como "tentativas claras" de criar uma ruptura com o Presidente da República (PR).A primeira situação, que elege como o pior momento do mandato, foi "o episódio da carta anónima junta ao processo Casa Pia e em que se falava de diversas figuras, incluindo o próprio PR".A "publicação das listas dos nomes das fotografias que a polícia usou para identificar pessoas" foi outra situação referida por Souto Moura, seguida da "crise da demissão de Adelino Salvado da direcção da Polícia Judiciária", afirma."E o 'envelope 9' - a uma semana do Presidente Sampaio cessar funções.-Interpretei o caso como a derradeira tentativa de o convencer a pôr-me fora", conclui Souto Moura.Souto Moura é substituído pelo juiz conselheiro Fernando Pinto Monteiro, que toma posse dia 9 de Outubro.O ainda procurador diz que "se voltasse atrás, aceitava o cargo à mesma" apesar de admitir que durante o mandato lhe ocorreu demitir-se."Não digo que não me tivesse passado pela cabeça deixar o cargo, mas achei sempre que havia pessoas que mereciam que eu continuasse: além dos que trabalharam no processo, as vítimas e a directora da Casa Pia", revelou.Questionado sobre se foi alvo de pressões políticas, Souto Moura diz não se lembrar de as ter sofrido, concretamente do Governo, apesar de ter trabalho com quatro ministros da Justiça.Souto Moura reconheceu que as restrições orçamentais se sentiam no quotidiano da Procuradoria, acrescentando que "foi uma situação-limite que depois o Ministério da Justiça corrigiu.Questionado sobre se reconhecia ter cometido gafes no exercício do cargo, o procurador admitiu ter tido "duas ou três intervenções de quem não está nada à vontade com a comunicação social"."O que acho extraordinário é que a imagem que me colaram foi a de que sou um indivíduo que de vez em quando diz uns disparates num vão de escada e nada mais interessou para me avaliarem", argumentou.Sublinhado que nunca mentiu deliberadamente sobre o processo Casa Pia, Souto Moura referiu que se viu "pressionadíssimo" pelo assédio da Comunicação Social."Vi-me pressionadíssimo. E quem não me largava a porta era quem depois me criticava por dizer coisas que não devia", disse.Ainda sobre a comunicação social, o procurador reconhece que favoreceu a fase inicial o processo Casa Pia, mas, depois, atribui-lhe "um papel altamente negativo no que diz respeito às violações do segredo de justiça".

29 Setembro 2006

GOVERNO VAI DISCUTIR "GOLDEN SHARE" NA PT

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, disse hoje que as autoridades portuguesas e europeias vão reunir-se em Bruxelas para analisar as condições especiais ("golden share") que o Estado detém na Portugal Telecom.
"Até 12 de Outubro, há uma reunião em Bruxelas com representantes portugueses e autoridades europeias sobre essa matéria", disse Mário Lino, acrescentando que desconhece a referência de hoje do "Diário Económico" sobre a entrada do assunto no Tribunal de Justiça Europeu até 12 de Outubro.O governante assegurou que o Governo "está a seguir o processo de análise das questões que a UE levanta" e que o assunto está a ser discutido.Em causa está a intenção do Tribunal de Justiça Europeu de acabar com as "golden shares". Portugal tem duas semanas para convencer Bruxelas de que a "golden share" na PT se enquadra em imperativos de interesse geral.Segundo o jornal, Portugal vai enviar uma nova argumentação à Comissão Europeia nos próximos dias, mas a Comissão pondera apresentar queixa ao tribunal já no próximo dia 12 de Outubro, denunciando a ilegalidade dos direitos especiais do Estado português na Portugal Telecom.O processo de infracção foi iniciado a 14 de Novembro de 2005, mas Portugal convenceu a Comissão a dar mais tempo para poder explicar as condições especiais ("golden share" de 500 acções) que detém no capital da empresa.
in Público

28 Setembro 2006

NORONHA NASCIMENTO É O NOVO PRESIDENTE DO STJ

Hoje, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) elegeu Noronha Nascimento como novo presidente. Apenas Noronha Nascimento se assumiu como candidato, embora qualquer juiz-conselheiro podesse ser eleito. O STJ representa o topo da "pirâmide" dos tribunais judiciais.
Nas eleições para o STJ votam 69 juízes-conselheiros na modalidade de votação aberta, em que cada magistrado pode indicar qualquer outro para a presidência do órgão. Por norma, os votos repartem-se pelos candidatos que assumem interesse no cargo, mas nestas eleições apenas o juiz-conselheiro Noronha do Nascimento manifestou a vontade de ocupar a cadeira da presidência. Noronha do Nascimento quer lutar por melhores instalações e um sistema médico alternativo aos serviços sociais do Ministério da Justiça. O juiz conselheiro defende ainda que presidente do Supremo deve ter lugar entre os membros do Conselho de Estado, o órgão de consulta do Presidente da República. O presidente do Supremo tribunal assume por inerência a presidência do Conselho Superior de Magistratura e Noronha do Nascimento quer que o órgão de disciplina dos juízes passe a poder pedir, directamente, a declaração de inconstitucionalidade de determinados diplomas. O cargo de juiz conselheiro do STJ é o topo da carreira, com o presidente ser a quarta figura do Estado, depois do Presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro. Noronha do Nascimento Luís António Noronha do Nascimento nasceu em 1943 no Porto e foi delegado do procurador da República nas comarcas de Paredes, Pombal e Santo Tirso e juiz em Trancoso, Marco de Canavezes, Famalicão, Gaia e Porto. Ocupou os cargos de vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura e de presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses. Foi juiz desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa e vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura. É juiz conselheiro do STJ desde Maio de 1998.

LEI ANTI-TERRORISTA APROVADA NOS EUA

A câmara baixa do Congresso norte-americano aprovou ontem a lei que define novas regras de acusação e interrogatório para os suspeitos de terrorismo. A aprovação do polémico diploma representa uma vitória política para o Presidente George W. Bush.
A nova legislação não permite qualquer tipo de contestação aos detidos e autoriza ainda a apresentação de elementos incriminatórios sem revelar fontes ou métodos utilizados para a sua obtenção. Esta é uma "zona cinzenta" em que a administração inclui a acção dos agentes da CIA. A Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano fundamentou a aprovação da nova lei para dar ao Presidente os instrumentos necessários para ganhar a guerra contra o terrorismo. Os democratas, tal como os especialistas em direito humanitário e constitucional, chamaram a atenção para as falhas da nova legislação. O debate terminou com uma votação que resultou em 253 votos a favor e 168 votos contra. A lei segue agora para o Senado onde a maioria republicana deve garantir a aprovação. O "sim" da Câmara Baixa representa uma vitória para George W. Bush em véspera de novas eleições para o Congresso.

SEGURANÇA SOCIAL PROVOCA DEBATE ACESSO NO PARLAMENTO

O primeiro-ministro e o PSD divergiram totalmente sobre a reforma da Segurança Social, apresentando-se em desacordo no modelo e nos custos para as finanças públicas das soluções, opostas, que defendem.
Sócrates tentou demonstrar que os 9 mil milhões de euros que Marques Mendes disse serem suficientes para custear a passagem do actual sistema para um sistema misto de contribuições é irreal. São precisos 100 mil milhões, contrapôs o primeiro-ministro.
Ao contrário do habitual, Sócrates não apresentou a debate mensal, na Assembleia da República, qualquer nova medida do seu Governo. O primeiro-ministro tinha esta tarde outro objectivo, -- o de atacar as soluções de Marques Mendes, aparecendo Sócrates como a voz da Esquerda na discussão da reforma da Segurança Social. O objectivo, na opinião dos socialistas, terá sido alcançado.
«Contas em cima da mesa», disse o primeiro-ministro, em jeito de desafio à bancada dos sociais-democratas, antes de sustentar que o projecto do PSD, prevendo um sistema misto na Segurança Social, geraria no prazo de 30 anos um aumento da dívida pública de 100 mil milhões de euros.
Bem diferentes foram as contas que Marques Mendes apresentou para defender a sua proposta. O presidente do PSD disse que os custos estimados para o período de transição - «sensivelmente de 40 anos» - entre o actual modelo e o sistema social-democrata não ultrapassarão os 9 mil milhões de euros.
Se José Sócrates considerou um «embuste» e uma «proposta Titanic» a ideia do PSD de abertura à capitalização obrigatória, Marques Mendes ripostou que a proposta do Governo «é apenas um remendo» e não resolverá os problemas de sustentabilidade do sistema a médio e longo prazo.
De acordo com Sócrates, o recurso a fundos de investimento representaria um «risco acrescido» para os trabalhadores, aumentaria «em 60 por cento da taxa contributiva para os benefícios se manterem iguais» e levaria «à redução do nível de benefícios mantendo as mesmas contribuições».
«É o que diz o vosso relatório, que os senhores, sem nenhuma explicação nunca divulgaram», afirmou o primeiro-ministro, num repto que ficou sem resposta por parte da bancada social-democrata.
«As pensões não vão baixar. O ritmo de crescimento das pensões é que vai ser mais sustentável, mas elas vão crescer», afirmou o primeiro-ministro, que acusou o PCP e BE de «imobilismo» e rejeitou as suas propostas para a Segurança Social - que passam pela tributação dos lucros das empresas - por implicarem a «penalização» das boas empresas e o «empobrecimento da economia».
Por seu lado, PCP e Bloco de Esquerda tentaram escapar à estratégia de Sócrates de aparecer como a voz da Esquerda no debate da Segurança Social. Bloquistas e comunistas centraram as suas críticas no modelo do Governo, por reduzir as pensões com a introdução do factor de sustentabilidade, uma crítica rejeitada por José Sócrates.
in SOL/Lusa

IGAT DISPONIBILIZA QUEIXA ELECTRÓNICA

A Inspecção-Geral da Administração do Território, disponibiliza no sitio http://www.igat.pt/ a Queixa Electrónica. Trata-se de um espaço destinado a ultrapassar as dificuldades de relacionamento entre o cidadão e a administração local.É de louvar iniciativas deste tipo, porque permitem de forma rápida e cómoda, o relacionamento entre o governantes e governados.

24 Setembro 2006

ANMP CRITICA A NOVA LEI DAS FINANÇAS LOCAIS

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, disse hoje que vai apresentar ao Presidente da República a posição dos municípios sobre a nova Lei das Finanças Locais, e que a reunião é uma "oportunidade" para expor as críticas.
"Não lhe vamos pedir que não promulgue a Lei", mas apenas "apresentar a nossa posição sobre o assunto que foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Geral", disse Fernando Ruas."O Conselho Geral determinou pedir reuniões aos grupos parlamentares ao senhor primeiro-ministro e ao Presidente da República e é isso que estou a fazer", sublinhou o responsável.Para Fernando Ruas, a audiência com Cavaco Silva, no próximo dia 2 de Outubro, é uma "oportunidade" para as autarquias recordarem a sua oposição total à nova Lei das Finanças Locais, afirmando estranhar a polémica gerada em torno da decisão da ANMP em terminar a colaboração com alguns serviços ao Estado, como o fornecimento gratuito de gasóleo à GNR, oferta de fotocópias e pequenas reparações em escolas.Como a nova Lei contempla menos verbas para as autarquias, "se tiver que prestar menos serviços é na área da colaboração com o Governo e não nas áreas das suas competências" que os municípios irão cortar a colaboração, disse.A decisão de diminuir essa ajuda só irá ser concretizada caso a nova Lei venha a entrar em vigor, acrescentou.A ANMP tem protagonizado um braço-de-ferro com o Governo a propósito da nova Lei das Finanças Locais, aprovada em Julho em Conselho de Ministros, que consideram ir prejudicar as câmaras municipais.Nas contas das autarquias, quase dois terços (188) dos municípios vão estar impedidos de recorrer ao crédito se for aprovada a proposta de Lei das Finanças Locais, o que significa uma redução para os municípios de entre 290 milhões de euros e os 350 milhões de euros já nos próximos três anos.A 11 de Outubro, o Governo vai apresentar na Assembleia da República um pacote legislativo sobre as autarquias, que inclui a nova Lei das Finanças Locais e diplomas relativos às taxas e empresas municipais.
in Público
A proposta de lei pode ser consultada em www.seaal.gov.pt/formularios/aprova%20a%20lei%20das%20financas%20locais%20proposta%20de%20lei%2092-x.pdf

20 Setembro 2006

FERNANDO PINTO MONTEIRO É O NOVO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

O juiz conselheiro Fernando José Pinto Monteiro vai ser nomeado para o cargo de procurador-geral da República, em substituição de Souto Moura. A cerimónia de tomada de posse está marcada para o próximo dia 9 de Outubro.
Num comunicado publicado no site da Presidência da República pode ler-se que o Governo propôs a nomeação de Fernando José Matos Pinto Monteiro e que "a proposta mereceu o acordo do Presidente da República, tendo a posse sido fixada para 9 de Outubro".O primeiro-ministro, José Sócrates, esteve ontem reunido no Palácio de Belém, em Lisboa, com o chefe de Estado, um encontro de trabalho que habitualmente acontece às quintas-feiras mas que esta semana foi antecipado.Ontem, o primeiro-ministro ouviu os líderes dos principais partidos políticos sobre o perfil do substituto de Souto Moura, sem que fossem discutidos nomes. Souto Moura termina a 7 de Outubro o seu mandato de seis anos.Sócrates destaca prestígio, independência e liderança de Pinto MonteiroJosé Sócrates apresentou hoje, em Conselho de Ministros extraordinário, a proposta do Governo de nomeação de Pinto Monteiro para procurador-geral da República, apresentando-o como um juiz conselheiro com liderança, independente e de prestígio.Segundo disse à Lusa uma fonte do Executivo, o Conselho de Ministros extraordinário reuniu-se antes de José Sócrates se deslocar ao Palácio de Belém, onde apresentou ao Presidente da República a proposta de nomeação do Governo para o cargo."No Conselho de Ministros extraordinário, o primeiro-ministro apresentou o nome do juiz conselheiro José Pinto Monteiro como uma personalidade de grande prestígio nos meios judiciais e com um perfil de indiscutível independência e elevada capacidade de liderança", afirmou a mesma fonte, acrescentando ainda que José Sócrates garantiu que a proposta de escolha de Pinto Monteiro "foi a primeira e a única opção do Governo".
in Público
Fernando José Matos Pinto Monteiro, que vai ser nomeado procurador-geral da República, é juiz de carreira e preside, neste momento, à primeira secção do Supremo Tribunal de Justiça.Pinto Monteiro foi secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses nos anos 80, alto-comissário-adjunto na Alta Autoridade Contra a Corrupção, juntamente com o coronel Costa Brás, membro da Comissão de Gestão e do Conselho Pedagógico do Centro de Estudos Judiciários, onde também leccionou e presidiu a exames.Nomeado para o Supremo Tribunal de Justiça em 1998, Pinto Monteiro foi ainda juiz desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa e é professor convidado na Universidade Autónoma de Lisboa.Em 2004, Pinto Monteiro foi derrotado nas eleições para presidente do Supremo Tribunal de Justiça.Natural do concelho de Almeida, Pinto Monteiro formou-se em Coimbra e iniciou-se na magistratura como procurador do Ministério Público em Idanha-a-Nova.

19 Setembro 2006

CARTÃO DE CIDADÃO

O Conselho de Ministros de 7 de Setembro aprovou a Proposta de Lei que cria o cartão de cidadão. Este documento substitui o bilhete de identidade e os cartões de contribuinte, de eleitor, de saúde e da Segurança Social, permitindo a identificação presencial e respeitando a proibição de um número único e de cruzamento de dados. Permite ainda que o titular armazene, se o quiser, dados pessoais sobre o grupo sanguíneo, alergias ou contactos de emergência, e que o use para autenticação electrónica e assinatura electrónica. Trata-se de um documento electrónico protegido contra a fraude por dispositivos que garantem elevado nível de integridade, autenticidade e confidencialidade. Não se estabelece um prazo para a substituição do actual BI.

1064 ALUNOS COLOCADOS NOS CURSOS DE DIRETO

Na 1.ª Fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2006 foram colocados nos cursos de Direito das Universidades públicas 1064 alunos. Na FDL sobraram 66 vagas, apesar de a nota mínima ter sido de 11,3.
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18 Setembro 2006

ORDEM DOS ADVOGADOS COM ESPAÇO TELEVISIVO NA :2

A Ordem dos Advogados (OA) tem desde dia 13 uma rubrica no programa «Sociedade Civil» da :2. O espaço é transmitido todas as quartas-feiras, por volta das 15:00 horas.
«Direito à Justiça» tem aproximadamente 10 minutos de duração e consiste num consultório jurídico, onde um advogado nomeado pela OA responderá a questões levantadas pelos espectadores.
O programa «Sociedade Civil», apresentado por Fernanda Freitas, é emitido em directo, de segunda a sexta-feira, entre as 14:00 horas e as 15:30 horas.
in Diário digital